30/12/2024
"Portar bem" é o que te dizem quando querem um cão sentado à porta sem ladrar.
"Portar bem" é a sentença de morte da alma, assinada com um sorriso falso e uma gravata apertada demais.
"Portar bem" é o caminho mais curto para te transformares num robô, com um botão de desligar que qualquer id**ta pode apertar.
A vida é uma festa desgraçada e só te pedem para não dançar, para não sujares o chão. Não bebeste, não falaste alto, não dançaste, não saltaste, não disseste o que pensas — parabéns: és um fantasma numa sala cheia de mortos.
O mundo adora quem se porta bem. O mundo tem medo de quem quebra cadeados, de quem grita de boca cheia. "Portar bem" é para quem nunca quis saltar um muro, para quem acha que o silêncio é um troféu — não um veneno.
Mas eu gosto é dos intensos. Os que não cabem no corpo, que respiram como se estivessem a salvar uma vida. Intenso não se porta bem; intenso incendeia o mundo enquanto os outros se sentam à espera que a fogueira acabe.
Não te portes bem.
Porta-te como quem ainda sente alguma coisa.
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A RARIDADE DAS COISAS BANAIS
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