03/09/2026
𝐃𝐨𝐦𝐢𝐧𝐠𝐨𝐬 𝐑𝐚𝐦𝐨𝐬: 𝐨 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐮𝐦𝐚 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐚 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬
A 3 de setembro de 1913, Domingos Ramos, jurista e magistrado portuense, então juiz de direito em Vila do Conde, defendeu publicamente a necessidade de criação de uma escola dedicada ao ensino das Rendas de Bilros, numa intervenção que viria a inscrever-se na história da sua institucionalização em Vila do Conde.
Durante os anos em que exerceu funções judiciais, Domingos Ramos manteve uma intensa atividade cultural em paralelo: publicou, pela editora portuense Lello & Irmão, traduções de várias peças de Shakespeare e participou, enquanto estudante em Coimbra, em iniciativas ligadas às comemorações de Camões e de Calderón de la Barca.
É neste cruzamento entre a magistratura e a vida intelectual que melhor podemos compreender a sua intervenção em Vila do Conde.
No início do século XX, crescia a preocupação com a perda de qualidade das Rendas de Bilros. O saber das rendeiras continuava a ser valorizado e apreciado, mas a aprendizagem fazia-se essencialmente pela transmissão prática, sem uma orientação pedagógica sistemática.
Domingos Ramos chamou a atenção para esse problema: as rendeiras encontravam-se dispersas e faltavam métodos, técnicas e modelos que orientassem a produção. A aprendizagem fazia-se de forma espontânea e sem um plano pedagógico, tornando necessária uma escola que organizasse e disciplinasse o ensino das rendas.
A escola que defendia viria a ser criada em 1919, ano em que foi oficialmente fundada a 𝐄𝐬𝐜𝐨𝐥𝐚 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞.
Ao assinalar esta efeméride, recuperamos não apenas o nome de Domingos Ramos, mas uma ideia que continua atual: não há património imaterial que sobreviva apenas porque é antigo. Sobrevive quando existem pessoas, instituições e comunidades capazes de criar condições para que o conhecimento seja transmitido, aperfeiçoado e reinventado.