Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde

Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC)

Até 5 de julho, as 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 esperam a sua visita na FIA - Feira Internacional do Artesanato - F...
27/06/2026

Até 5 de julho, as 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 esperam a sua visita na FIA - Feira Internacional do Artesanato - FIL, em Lisboa.

As rendilheiras vilacondenses voltam a mostrar ao país a beleza, a técnica e a singularidade desta arte secular, uma das mais emblemáticas expressões do património cultural de Vila do Conde e um saber-fazer que importa preservar e transmitir às novas gerações.

A participação na FIA constitui igualmente uma oportunidade para divulgar a 48.ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde, que decorrerá de 25 de julho a 9 de agosto e que, este ano, dará especial destaque ao 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐈𝐦𝐚𝐭𝐞𝐫𝐢𝐚𝐥, celebrando as tradições, os conhecimentos e as práticas que moldam a identidade nacional.

Visite-nos na FIA e descubra, em Vila do Conde, 𝐮𝐦 𝐩𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨 𝐯𝐢𝐯𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐭𝐞𝐜𝐢𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐨 𝐚 𝐟𝐢𝐨.

👉️ 𝐀𝐛𝐞𝐫𝐭𝐚𝐬 𝐚𝐬 𝐢𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢çõ𝐞𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐉𝐨𝐯𝐞𝐧𝐬 𝐕𝐨𝐥𝐮𝐧𝐭á𝐫𝐢𝐨𝐬️A Associação para a Defesa do Artesanato e Património de ...
25/06/2026

👉️ 𝐀𝐛𝐞𝐫𝐭𝐚𝐬 𝐚𝐬 𝐢𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢çõ𝐞𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐉𝐨𝐯𝐞𝐧𝐬 𝐕𝐨𝐥𝐮𝐧𝐭á𝐫𝐢𝐨𝐬️
A Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC) volta a promover, em 2026, dois dos mais emblemáticos acontecimentos do calendário cultural e turístico de Vila do Conde: a Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde (de 25 julho a 9 agosto) e a Feira de Gastronomia de Vila do Conde (21 a 30 agosto).

Para a realização destes eventos, a ADAPVC abre inscrições para o Programa de Jovens Voluntários, dirigido a jovens que pretendam viver uma experiência enriquecedora de participação cívica e de contacto direto com a organização de grandes eventos.

Mais informação e inscrições aqui ⤵⤵⤵

Estão abertas as inscrições para Jovens Colaboradores da Feira Nacional de Artesanato e da Cozinha à Portuguesa - Feira de Gastronomia 2026.

23/06/2026
𝐆𝐨𝐨𝐠𝐥𝐞 𝐢𝐦𝐩𝐮𝐥𝐬𝐢𝐨𝐧𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐨çã𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐞𝐦 𝐩𝐥𝐞𝐧𝐚 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐚𝐨 𝐈𝐍𝐏𝐂𝐈A Associação para Defesa d...
19/06/2026

𝐆𝐨𝐨𝐠𝐥𝐞 𝐢𝐦𝐩𝐮𝐥𝐬𝐢𝐨𝐧𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐦𝐨çã𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐞𝐦 𝐩𝐥𝐞𝐧𝐚 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐚𝐨 𝐈𝐍𝐏𝐂𝐈
A Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC) acaba de ver aprovada a sua candidatura ao Programa Google Ad Grants, iniciativa de uma das maiores empresas tecnológicas do mundo destinada a apoiar entidades do terceiro setor no reforço da sua comunicação, promoção das suas causas e ampliação do seu impacto social.

Este recurso constitui uma oportunidade estratégica para reforçar a comunicação institucional da ADAPVC, ampliar o alcance das suas ações e consolidar a sua posição como uma das entidades de referência na defesa, valorização e promoção do artesanato e do património cultural de Vila do Conde.

A aprovação surge num momento particularmente significativo para a Associação, estando em curso o processo de candidatura das Rendas de Bilros de Vila do Conde ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI). Este processo de inscrição constitui um passo fundamental para o reconhecimento formal de uma tradição secular que, ao longo de gerações, tem sido transmitida entre rendilheiras, famílias e comunidades, preservando saberes, técnicas e práticas que fazem parte da memória coletiva de Vila do Conde.

Mais do que uma expressão artesanal de excecional qualidade estética e técnica, as Rendas de Bilros representam um dos mais marcantes símbolos identitários de Vila do Conde. A sua história confunde-se com a própria história da cidade, estando profundamente enraizadas no quotidiano, na paisagem humana e na cultura local. As rendilheiras, os desenhos e padrões transmitidos ao longo do tempo, a Escola de Rendas de Bilros e as múltiplas iniciativas de salvaguarda e divulgação fazem das rendas um património vivo, reconhecido e acarinhado pela comunidade vilacondense.

A candidatura agora aprovada permitirá reforçar significativamente a presença digital da Associação, aumentar a notoriedade das Rendas de Bilros de Vila do Conde e dar maior visibilidade ao processo de inscrição no INPCI, sensibilizando públicos nacionais e internacionais para a importância deste património cultural.

As novas ferramentas de comunicação possibilitarão ainda uma divulgação mais eficaz das iniciativas, projetos, exposições, oficinas e atividades desenvolvidas pela ADAPVC, contribuindo para a captação de novos parceiros e mecenas e alargando a rede de apoio em torno da salvaguarda e valorização desta arte secular.

A integração da ADAPVC no Programa Google Ad Grants representa, assim, um importante reforço das suas capacidades de comunicação e um novo impulso na missão de preservar, promover e projetar as Rendas de Bilros de Vila do Conde, garantindo que este património vivo continua a ser transmitido às futuras gerações, reafirmando-se como um dos mais relevantes emblemas da identidade cultural vilacondense.

É objetivo da Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde realizar ações que se traduzam no desenvolvimento de sensibilidades para formas culturais elaboradas, no âmbito da educação pela arte, de modo acessível e universal para todos os cidadãos.

𝐄𝐦 𝐝𝐢𝐚 𝐝𝐞 ‘𝐥𝐚𝐧ç𝐚𝐫 𝐭𝐫𝐨𝐯𝐚𝐬’ 𝐚 𝐒ã𝐨 𝐉𝐨ã𝐨, 𝐑𝐚𝐧𝐜𝐡𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐌𝐨𝐧𝐭𝐞 𝐞 𝐝𝐚 𝐏𝐫𝐚ç𝐚 𝐜𝐮𝐦𝐩𝐫𝐞𝐦 𝐭𝐫𝐚𝐝𝐢çã𝐨 𝐬𝐞𝐜𝐮𝐥𝐚𝐫  Há tradições que nascem de u...
17/06/2026

𝐄𝐦 𝐝𝐢𝐚 𝐝𝐞 ‘𝐥𝐚𝐧ç𝐚𝐫 𝐭𝐫𝐨𝐯𝐚𝐬’ 𝐚 𝐒ã𝐨 𝐉𝐨ã𝐨, 𝐑𝐚𝐧𝐜𝐡𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐌𝐨𝐧𝐭𝐞 𝐞 𝐝𝐚 𝐏𝐫𝐚ç𝐚 𝐜𝐮𝐦𝐩𝐫𝐞𝐦 𝐭𝐫𝐚𝐝𝐢çã𝐨 𝐬𝐞𝐜𝐮𝐥𝐚𝐫
Há tradições que nascem de um gesto simples e acabam por se tornar símbolos maiores de uma comunidade. Em Vila do Conde, a fundação dos Ranchos das Rendilheiras do Monte e da Praça pertence a essa categoria: começou como expressão popular, festiva e identitária, profundamente ligada às rendas de bilros, às mulheres que as faziam e às celebrações sanjoaninas, e transformou-se numa das marcas mais reconhecíveis da cultura vilacondense.

A história destes dois ranchos deve ser entendida no contexto de uma cidade onde a renda era mais do que uma atividade artesanal. Pelo menos desde o século XVII, as rendilheiras surgem documentadas como grupo profissional com visibilidade social, participando na organização dos mesteres e nas festividades públicas, contribuindo nomeadamente para a festa do Corpo de Deus. Ou seja, muito antes da criação formal dos ranchos, as rendilheiras já tinham presença pública, económica e simbólica na vida da vila.

Ao longo dos séculos, a renda de bilros afirmou-se como uma atividade estruturante em Vila do Conde. No século XVIII, a importância económica das rendas é visível na reação da Câmara Municipal à Pragmática de D. João V, de 1749, que proibia o uso de rendas no vestuário e em alfaias domésticas.

No século XIX, Vila do Conde consolidou a sua imagem como centro rendeiro. As rendas vilacondenses participaram em exposições nacionais e internacionais, incluindo a Exposição Universal de Paris de 1867, e a atividade aparece referida nos Inquéritos Industriais, ao lado de Peniche, como uma das principais expressões da indústria manual da renda em Portugal.

É neste ambiente, marcado pela tradição artesanal, pela sociabilidade feminina e por uma economia local em transformação, que surgem os ranchos. O Rancho das Rendilheiras do Monte foi fundado em 1918 e, dois anos depois, em 1920, surgiu o Rancho da Praça - Rendilheiras de Vila do Conde. Inicialmente, estes grupos eram compostos, na sua maioria, por rendilheiras que, num contexto de crise do pós-guerra, se juntavam para cantar, dançar, conviver e celebrar o seu Santo Padroeiro, São João.

A fundação dos ranchos corresponde, por isso, a uma dupla necessidade: por um lado, criar espaços de convívio e afirmação popular num tempo difícil; por outro, dar expressão pública a uma identidade feminina e artesanal profundamente enraizada na comunidade. As rendilheiras, muitas vezes associadas ao trabalho doméstico, ao rendimento complementar e à produção silenciosa, passavam a ocupar a rua, o cortejo, a festa e o palco comunitário.

A distinção entre Monte e Praça traduzia também a geografia social de Vila do Conde. O Rancho das Rendilheiras do Monte agregava sobretudo pessoas da zona mais alta da cidade, o Monte; o Rancho da Praça reunia a população da zona ribeirinha, da beira-rio e da beira-mar. Esta divisão territorial contribuiu também para uma rivalidade festiva que, longe de enfraquecer a tradição, a alimentou. A “competição” entre os dois ranchos tornou-se particularmente visível nas festas de São João, quando ambos saíam à rua, exibindo trajes, aventais e elementos ornamentais associados às rendas de bilros.

Mais do que grupos folclóricos no sentido estrito, os Ranchos das Rendilheiras tornaram-se dispositivos de memória coletiva. Cantam o São João, as rendas e as rendilheiras; desfilam com trajes onde a renda de bilros é elemento identitário; e mantêm viva uma rivalidade ritualizada entre duas zonas da cidade.

A ligação entre os ranchos e a renda de bilros é particularmente significativa porque, no século XX, a profissão de rendilheira enfrentou dificuldades crescentes. A concorrência das rendas produzidas mecanicamente, a irregularidade do mercado e a baixa remuneração levaram muitas mulheres a procurar outras ocupações, como a costura ou o trabalho fabril.

Neste contexto, os ranchos desempenharam uma função simbólica decisiva: deram visibilidade pública a uma atividade que, economicamente, se tornava cada vez mais frágil. A rendilheira deixou de ser apenas uma trabalhadora anónima, sentada à porta ou em casa, diante da almofada, dos bilros e do pique; passou a ser figura representada, celebrada e exibida no espaço público. O avental de renda, a blusa ornamentada, o canto e o desfile converteram o trabalho manual em emblema cultural.

A criação da Escola de Rendeiras, em 1919, reforça esta leitura. No mesmo período em que os ranchos nasciam, Vila do Conde procurava também institucionalizar a aprendizagem da renda de bilros, garantindo a transmissão técnica e o aperfeiçoamento das futuras rendilheiras. A escola, mais tarde chamada Baltazar Couto, assumiu a missão de preservar os modelos regionais, estudar a técnica e renovar padrões.

Assim, os anos de 1918 a 1920 constituem um momento particularmente importante na história cultural vilacondense: nascem o Rancho do Monte e o Rancho da Praça e é criada a Escola de Rendeiras. Estes acontecimentos não são isolados. Em conjunto, mostram uma comunidade a organizar-se em torno de uma arte que era simultaneamente trabalho, herança familiar, identidade feminina, economia doméstica e expressão festiva.

A história da fundação dos dois ranchos é, portanto, a história de uma cidade que encontrou na rivalidade festiva uma forma de união. Monte e Praça representam territórios diferentes, sensibilidades distintas e pertenças bairristas fortes; mas ambos partilham a mesma raiz: a celebração das rendilheiras e da renda de bilros como património vivo de Vila do Conde.

Mais de um século depois, estes ranchos continuam a recordar que a cultura popular não nasce apenas nos documentos oficiais ou nas grandes instituições. Nasce também nas ruas, nas oficinas, nas casas, nos cantares, nos trajes preparados para a festa e nas mãos de mulheres que transformam linha, paciência e destreza numa das imagens mais duradouras da identidade vilacondense.

𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐅𝐨𝐨𝐝 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 à 𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚-𝐫𝐢𝐨O aroma da comida de rua volta a invadir os Jardins d...
12/06/2026

𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐅𝐨𝐨𝐝 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 à 𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚-𝐫𝐢𝐨
O aroma da comida de rua volta a invadir os Jardins da Alameda dos Descobrimentos. De 𝟏𝟗 𝐚 𝟐𝟒 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐧𝐡𝐨, integrado nas Festas de São João, o Vila do Conde Street Food regressa à cidade para mais uma edição repleta de sabores, aromas e experiências gastronómicas para todos os gostos.

Organizado pela ADAPVC – Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, em parceria com a Câmara Municipal de Vila do Conde, o evento afirma-se como uma referência nacional entre os festivais de street food e como um dos momentos mais aguardados das festividades sanjoaninas.

Ao longo de seis dias, a frente ribeirinha de Vila do Conde transforma-se num verdadeiro ponto de encontro entre culturas gastronómicas, reunindo alguns dos mais reconhecidos operadores nacionais de comida de rua. Dos clássicos hambúrgueres americanos às receitas tradicionais portuguesas, das especialidades brasileiras às influências mediterrânicas e do Médio Oriente, sem esquecer as opções vegetarianas e vegan, haverá propostas para todos os paladares.

Mais do que um festival gastronómico, o Vila do Conde Street Food é um espaço de convívio, descoberta e celebração, ideal para um almoço em família, um jantar entre amigos ou simplesmente para desfrutar do ambiente único das Festas de São João.

A entrada é gratuita.

De 19 a 24 de junho, os sabores do mundo têm encontro marcado em Vila do Conde.

11/06/2026

𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨-𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐦𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐉𝐨ã𝐨 𝐝𝐚 𝐂𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐓𝐨𝐫𝐫𝐞𝐬
A menos de um mês para a celebração do Dia de São João, Vila do Conde prepara-se, uma vez mais, para reviver uma das mais profundas expressões da sua identidade coletiva: a ligação entre a festa do Padroeiro e a arte secular das Rendas de Bilros. É neste espírito de memória, tradição e reconhecimento que se assinala a efeméride do Concurso-Exposição de Rendas de Bilros, iniciativa que permanece como símbolo da valorização do trabalho das rendilheiras vilacondenses e da preservação de um património único.

Integrado nas Festas de São João de 1958, o Concurso-Exposição foi realizado em homenagem ao “saudoso vilacondense João da Costa Torres” e constituiu um acontecimento marcante da vida cultural e social de Vila do Conde. Reunindo dezenas de rendilheiras de diferentes idades, a exposição revelou “autênticas maravilhas” de delicadeza, rigor técnico e beleza artística, demonstrando a excelência de uma arte transmitida de geração em geração.

Mais do que um simples certame, este concurso representou uma homenagem ao labor silencioso de tantas mulheres que, com engenho e paciência, fizeram das rendas de bilros um dos mais nobres símbolos de Vila do Conde. Como então foi afirmado na sessão inaugural, as rendas traduzem não apenas um trabalho de extraordinária minúcia, mas também “um tesouro que não tem par”, profundamente ligado à história, ao progresso e ao prestígio da terra vilacondense.

Ao longo dos séculos, as Festas de São João afirmaram-se como momento privilegiado de encontro entre a devoção popular, a celebração comunitária e as tradições locais. Entre marchas, música, cantares e alegria nas ruas, também o som dos bilros encontrou lugar nesta festa maior do concelho.

A rendilheira tornou-se figura inseparável da identidade sanjoanina de Vila do Conde, expressão viva de uma herança cultural que continua a distinguir o município, dentro e fora de portas.

Hoje, ao evocarmos esta efeméride, homenageamos todas as rendilheiras que preservaram esta arte delicada ao longo do tempo, bem como todos aqueles que contribuíram para dignificar e promover as Rendas de Bilros enquanto património cultural de inestimável valor. Evocar este concurso é recordar que tradição e futuro caminham lado a lado quando uma comunidade reconhece e celebra aquilo que a torna única.

A menos de um mês para o S. João, Vila do Conde prepara-se para honrar as suas raízes, renovando o orgulho numa arte que continua a entrelaçar memória, identidade e beleza em cada fio trabalhado pelas mãos das suas rendilheiras.

Sobre o referido Concurso-Exposição de Rendas de Bilros transcrevemos o que, na sua edição de 5 julho de 1958, publicou o jornal Renovação:

“𝐴 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑜𝑐𝑢𝑝𝑜𝑢 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 𝑟𝑒𝑙𝑒𝑣𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑔𝑟𝑎𝑚𝑎, 𝑒 𝑎𝑖𝑛𝑑𝑎 𝑏𝑒𝑚, 𝑒 𝑎𝑖𝑛𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑚 𝑚𝑢𝑖𝑡𝑜 𝑎𝑐ê𝑟𝑡𝑜 𝑒 𝑎𝑝𝑙𝑎𝑢𝑠𝑜 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙. 𝑁ã𝑜 𝑝𝑜𝑑𝑒𝑚𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑟𝑑𝑒𝑟 𝑛𝑒𝑛ℎ𝑢𝑚𝑎 𝑜𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑖𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑖𝑟 𝑢𝑚 𝑡𝑒𝑛𝑎𝑧 𝑖𝑚𝑝𝑢𝑙𝑠𝑜 à 𝑠𝑢𝑎 𝑑𝑖𝑣𝑢𝑙𝑔𝑎çã𝑜 𝑒 𝑒𝑥𝑎𝑙𝑡𝑎𝑟 𝑜 𝑐𝑜𝑛ℎ𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑠𝑢𝑎𝑠 𝑓𝑎𝑚𝑜𝑠𝑎𝑠 𝑎𝑐𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑖𝑛𝑑𝑢𝑠𝑡𝑟𝑖𝑎𝑖𝑠 𝑞𝑢𝑒, 𝑒𝑚 𝑉𝑖𝑙𝑎 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑑𝑒, 𝑟𝑖𝑣𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑚 𝑒𝑚 𝑝𝑒𝑟𝑓𝑒𝑖çã𝑜, 𝑔𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒 𝑓𝑜𝑟𝑚𝑜𝑠𝑢𝑟𝑎 𝑐𝑜𝑚 𝑜𝑠 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑎𝑑𝑚𝑖𝑟𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑎𝑛𝑔𝑒𝑖𝑟𝑜𝑠.

𝐴 𝑠𝑒𝑑𝑢çã𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑜𝑛𝑠 𝑎𝑟𝑡í𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑎𝑛𝑎𝑡𝑜 𝑑𝑜𝑚é𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜 𝑑𝑎 𝑚𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎, 𝑝𝑎𝑙𝑝𝑖𝑡𝑎 𝑒 𝑣𝑖𝑏𝑟𝑎 𝑒𝑚 𝑟𝑎𝑠𝑔𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑠𝑢𝑏𝑡𝑖𝑙 𝑡𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑛𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑉𝑖𝑙𝑎 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑑𝑒. 𝐼𝑠𝑡𝑜 𝑛ã𝑜 𝑑𝑒𝑣𝑒 𝑠𝑒𝑟 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑛ó𝑠, 𝑎𝑝𝑒𝑛𝑎𝑠, 𝑚𝑜𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑒𝑛𝑑𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑜𝑟𝑔𝑢𝑙ℎ𝑜, 𝑚𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑖𝑛𝑐𝑖𝑝𝑎𝑙𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑟𝑠𝑒𝑣𝑒𝑟𝑎𝑛ç𝑎 𝑛𝑎 𝑠𝑢𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑝𝑎𝑔𝑎𝑛𝑑𝑎 𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑢𝑖𝑑𝑎𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑒𝑠𝑠𝑒 𝑛𝑜 𝑠𝑒𝑢 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜.

𝑃𝑜𝑟 𝑖𝑠𝑠𝑜, 𝑠𝑒 𝑎𝑝𝑙𝑎𝑢𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑙𝑜𝑟𝑜𝑠𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑎 𝑖𝑛𝑐𝑙𝑢𝑖𝑢 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑔𝑟𝑎𝑚𝑎 𝑑𝑎𝑠 𝑓𝑒𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑠𝑎𝑛𝑗𝑜𝑎𝑛𝑖𝑛𝑎𝑠 𝑑𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑎𝑛𝑜, 𝑒 é 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑎 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑟 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑠𝑠𝑖𝑔𝑎, 𝑒𝑚 𝑎𝑐çõ𝑒𝑠 𝑖𝑑ê𝑛𝑡𝑖𝑐𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑡𝑒𝑐çã𝑜 𝑒 𝑑𝑒 𝑒𝑠𝑡í𝑚𝑢𝑙𝑜.

𝑂 𝑐𝑒𝑟𝑡𝑎𝑚𝑒, 𝑞𝑢𝑒 𝑡𝑒𝑣𝑒 𝑐𝑎𝑟á𝑐𝑡𝑒𝑟 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎𝑟, 𝑟𝑒𝑢𝑛𝑖𝑢 𝑎𝑙𝑔𝑢𝑚𝑎𝑠 𝑑𝑒𝑧𝑒𝑛𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑓𝑖𝑛𝑜 𝑒 𝑟𝑒𝑞𝑢𝑖𝑛𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑚𝑒𝑟𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑎𝑟𝑡í𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜. 𝐿𝑒𝑣𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑢𝑚𝑎, 𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑜 𝑙𝑢𝑎𝑟, 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑜 𝑐𝑟𝑖𝑠𝑡𝑎𝑙, 𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑑𝑖𝑟-𝑠𝑒-𝑖𝑎𝑚 𝑏𝑎𝑓𝑒𝑗𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑝𝑒𝑙𝑜 𝑓𝑢𝑙𝑔𝑜𝑟 𝑖𝑟𝑟𝑒𝑠𝑖𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑒 𝑢𝑚 𝑚𝑖𝑙𝑎𝑔𝑟𝑒 𝑑𝑒 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢çã𝑜 𝑑𝑖𝑣𝑖𝑛𝑎!”

E recordamos os nomes das rendilheiras distinguidas com o 1º Prémio em cada categoria:

𝐏𝐚𝐧𝐨𝐬 - Maria da Assunção da Silva Agonia
𝐋𝐞𝐧ç𝐨𝐬 - Maria de Lurdes da Silva e Sá
𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐫𝐢𝐝𝐚 - Alzira Miranda da Fonte
𝐎𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐨𝐬 - Albina da Silva Monteiro
𝐂𝐫𝐢𝐚𝐧ç𝐚𝐬 - Delfina Rosa Vieira da Silva (6 anos)

𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐛𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐞 𝐦𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚𝐬: 𝐜𝐞𝐦 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐨 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐫 𝐑𝐮𝐢 𝐌𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐕𝐚𝐳Rui Morais Vaz foi uma figura central na história das...
09/06/2026

𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐛𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐞 𝐦𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚𝐬: 𝐜𝐞𝐦 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐨 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐫 𝐑𝐮𝐢 𝐌𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐕𝐚𝐳

Rui Morais Vaz foi uma figura central na história das Rendas de Bilros de Vila do Conde, sobretudo no século XX, estando ligado ao ensino, à renovação estética e à valorização desta arte tradicional.

Após a criação da Escola de Rendas de Vila do Conde em 1919, instituição fundamental para melhorar a qualidade técnica e artística das rendas, Rui Morais Vaz assumiu a direção da escola em 1926, sucedendo a António Pinto Bravo. A sua atuação enquanto diretor revelou-se decisiva para a evolução desta tradição artesanal.

A importância de Rui Morais Vaz pode ser compreendida em vários níveis. Em primeiro lugar, destacou-se pelo seu empenho na requalificação das rendas de bilros, numa época em que esta atividade enfrentava problemas de qualidade, sobretudo ao nível do desenho. Preocupado com essa fragilidade, procurou estudar as rendas antigas e, a partir delas, desenvolver novos padrões e modelos. Estes novos desenhos, baseados na tradição, mas adaptados a critérios mais exigentes de gosto e execução, contribuíram para revitalizar a produção local.

Em segundo lugar, Rui Morais Vaz teve um papel essencial na introdução de uma abordagem mais consciente e artística ao ensino das rendas. Defendia que não bastava repetir modelos antigos, mas sim evoluir a tradição, aperfeiçoando técnicas, valorizando o uso de materiais adequados (como o linho) e enriquecendo os pontos e motivos decorativos. Essa visão está bem expressa no catálogo da exposição de 1927, onde sublinha a necessidade de “continuar e não repetir a tradição”. (realizada no Clube 1.º de Dezembro, em Vila do Conde, esta exposição foi organizada pela Escola de Rendeiras de Vila do Conde, já sob a direção de Rui Morais Vaz, com a cooperação das oficinas Leopoldina Leal e Flores Torres).

Por fim, a sua ação contribuiu para afirmar a escola como um centro de inovação e qualidade, ajudando a preservar as rendas de bilros num período em que esta arte enfrentava ameaças como a concorrência industrial e a perda de rigor técnico. Ao articular tradição e renovação, Rui Morais Vaz desempenhou um papel determinante na valorização cultural e artística das rendas de Vila do Conde.

Rui Morais Vaz foi mais do que um diretor: foi um agente de transformação que, através do ensino e da criação artística, ajudou a garantir a continuidade e o prestígio das rendas de bilros, reforçando a sua identidade como património cultural imaterial.

📸 AMVC

👉 𝐓𝐞𝐦 𝐟𝐨𝐭𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐨𝐮 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐢𝐥𝐡𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬?
Estamos a promover a 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐭𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚𝐬 𝐞 𝐝𝐨𝐜𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐨𝐬 relacionados com as rendilheiras e com a produção das Rendas de Bilros de Vila do Conde, apelando à participação de todos os que detenham este tipo de espólio.

A iniciativa tem como objetivo recolher, preservar e valorizar a memória visual de uma das tradições mais representativas do património cultural do concelho. O material reunido irá integrar um arquivo histórico, destinado ao estudo, divulgação e salvaguarda desta arte secular.

Saiba como participar aqui: https://tinyurl.com/yc2db6tk

Ação desenvolvida no âmbito da Operação NORTE2030-FEDER-02905000 – “Inclusão da Renda de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI)”, promovida pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, com o apoio da Câmara Municipal, e cofinanciada pelo Programa NORTE 2030.

03/06/2026

𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐧𝐨 𝐌𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐈𝐦𝐚𝐭𝐞𝐫𝐢𝐚𝐥
A participação no evento de Estremoz assume, este ano, uma relevância particular, numa altura em que se encontra em curso o processo de inscrição das Rendas de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

A inscrição no INPCI constitui um passo determinante para garantir a proteção, documentação e transmissão desta tradição, mas também para abrir caminho a uma ambição maior: a futura candidatura das Rendas de Bilros de Vila do Conde à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, objetivo já assumido pela ADAPVC no âmbito deste processo.

O Mercado do Património Cultural Imaterial, a decorrer em Estremoz de 5 a 7 junho, esteve em destaque no Programa Praça da Alegria, contando com a presença da rendilheira 𝐀𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐕𝐞𝐢𝐠𝐚, em representação das Rendas de Bilros de Vila do Conde.

Saber mais: https://shorturl.at/qqvFr

𝟏𝟒𝟓 𝐀𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐈 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨-𝐁𝐚𝐳𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐁𝐞𝐥𝐚𝐬-𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬Em 1881, o Palácio de Cristal do Porto acolheu a I Exposição-Bazar de Belas-...
02/06/2026

𝟏𝟒𝟓 𝐀𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐈 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨-𝐁𝐚𝐳𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐁𝐞𝐥𝐚𝐬-𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬
Em 1881, o Palácio de Cristal do Porto acolheu a I Exposição-Bazar de Belas-Artes, promovida pelo Centro Artístico Portuense, associação fundada em 1880 por artistas, intelectuais e beneméritos empenhados em renovar o ensino artístico, aproximar as belas-artes das artes industriais e educar o gosto do público.

Presidido por António Soares dos Reis, com a participação de figuras como João Marques de Oliveira e Joaquim de Vasconcelos, o Centro procurava criar um espaço de ensino livre, debate, exposição e valorização da arte moderna e do património artístico português. A exposição de 1881 foi uma das suas iniciativas mais significativas, reunindo pintura, escultura, objetos de coleção, artes decorativas e produções industriais, num modelo que articulava cultura, pedagogia, sociabilidade e mercado.

A presença das 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 na exposição ficou ligada sobretudo a Joaquim de Vasconcelos, historiador de arte, crítico, museólogo, professor e grande defensor das artes industriais e das chamadas indústrias caseiras. Para Vasconcelos, a arte não se limitava às belas-artes tradicionais: incluía também os saberes manuais, os ofícios e os produtos artesanais que exprimiam a identidade e a criatividade do povo português.

Na secção dedicada à Indústria Têxtil, o catálogo da exposição identifica Joaquim de Vasconcelos como o único expositor de rendas, apresentando uma coleção de estampas, modelos, bordados e rendas, incluindo de Vila do Conde.

A presença das rendas vilacondenses neste evento representou a entrada de um saber-fazer tradicional, feminino e doméstico num espaço público de prestígio, associado ao ensino artístico, à crítica, ao colecionismo e à valorização patrimonial.

Produzidas maioritariamente por mulheres, muitas vezes desde a infância, as rendas de bilros eram simultaneamente trabalho de subsistência, herança técnica transmitida de geração em geração e expressão de grande complexidade ornamental. Ao serem apresentadas como padrões dignos de observação e estudo, deixavam temporariamente o circuito da almofada, da casa e do comércio local para serem reconhecidas como objetos de arte aplicada, documentos de cultura material e testemunhos de identidade regional.

Joaquim de Vasconcelos teve um papel decisivo nesta valorização. Nascido no Porto em 1849, foi uma das figuras mais influentes da cultura portuguesa de finais do século XIX. Ligado à Sociedade de Instrução do Porto, ao Centro Artístico Portuense e ao futuro Museu Industrial e Comercial do Porto, defendia que os museus e as exposições deviam funcionar como instrumentos de ensino, capazes de formar artistas, operários, industriais, comerciantes e consumidores.

Para ele, as rendas, os bordados, a cerâmica, a ourivesaria ou a tecelagem não eram produções menores, mas manifestações de saber técnico e artístico que importava preservar, estudar e renovar.

A sua preocupação tinha também uma dimensão social. Vasconcelos mostrou-se atento às difíceis condições de vida das rendilheiras, criticando os baixos preços pagos pelo seu trabalho, os custos suportados pelas próprias artesãs e a dependência de intermediários. Ao referir-se ao percurso da renda desde o desenho e o pique até à venda final, descreveu uma realidade marcada pela precariedade, em que a obra era muitas vezes vendida “ao desbarato”.

Esta consciência torna a sua intervenção particularmente importante: ao expor as rendas de Vila do Conde, Vasconcelos não apenas lhes conferia visibilidade estética, mas chamava também a atenção para o valor humano, económico e social do trabalho feminino que lhes dava origem.

A presença das rendas de Vila do Conde na I Exposição-Bazar de Belas-Artes deve ainda ser lida numa sequência mais ampla de participação das rendas portuguesas em exposições nacionais e internacionais.

Vila do Conde esteve representada em certames como a Exposição Nacional de Lisboa de 1863, a Exposição Industrial Portuguesa de 1865, a Exposição de Paris de 1867 e, mais tarde, a Exposição Universal de Paris de 1889, onde Joaquim de Vasconcelos expôs rendas e entremeios de Vila do Conde.

📸 INCM

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Vila Do Conde
4480-719

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