10/09/2026
𝗔 𝗜𝗻𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻ç𝗮 𝗱𝗮 𝗦𝗼𝗰𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲
O slogan introduzido na era da pandemia, "𝘃𝗮𝗶 𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗯𝗲𝗺", foi relegado para os confins do outro lado do mundo.
Não sei bem onde f**a, mas considero urgente e necessário enviar uma equipa para o resgatar.
Essa missão terá como objetivo final analisar, estudar e compreender a mensagem do slogan. Será constituída por homens, mulheres e crianças que cubram as várias faixas etárias, nacionalidades, credos e ideologias.
Posso ser eu que esteja enganado, no entanto, como cidadão, tenho o dever de dar a minha opinião sobre a sociedade em que vivo e, do meu ponto de vista, o “𝘃𝗮𝗶 𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗯𝗲𝗺” tornou-se no “ficou tudo mal”. Sei perfeitamente que existirão opiniões que digam que vejo o problema pelo lado negativo e pessimista, no entanto, é por me considerar um otimista que quero contribuir para a discussão da “Indiferença da Sociedade”.
Cresci e vivi numa sociedade onde o “𝘃𝗮𝗶 𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗯𝗲𝗺” seria um slogan que traduziria uma série de valores, como a liberdade, o respeito e o amor pelo próximo, como prioritários e intocáveis. Infelizmente, isso não se verificou. As prioridades de hoje são outras, muito cruéis, e não me identifico com elas.
Sou da opinião de que somos aquilo que a sociedade nos dá e ensina e, como tal, sou cidadão europeu e não conheço de perto as outras realidades.
Com a globalização e com a expansão dos meios de comunicação, cada vez mais céleres, conseguimos perceber, muitas das vezes sem compreender, como as outras sociedades se organizam, mas nunca conseguiremos sentir como elas. No entanto, na época em que surgiu o slogan "𝘃𝗮𝗶 𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗯𝗲𝗺”, estava convicto de que os valores seriam transversais a todas as sociedades. Enganei-me.
A Europa, aquele “mundo velho”, cheio de riqueza de conhecimento, de pensamento político, filosófico e cultural, um continente virado para as revoluções de pensamento e de organização da sociedade, que primava pela evolução das condições dos povos, está a f**ar aquém da sua história.
Admito que nem tudo correu bem na sua história, que muita barbaridade se cometeu, no entanto, não quero acreditar que a história tenha mesmo de se repetir e, como tal, os portugueses, que são cidadãos europeus, necessitam de estar à altura do que de melhor a Europa já criou.
A maioria dos países europeus são democracias, com a exceção de alguns, mas temos várias das democracias mais bem classif**adas do mundo e deveremos f**ar orgulhosos desse legado.
No entanto, as democracias têm um pequeno pormenor muito importante: todos, mas mesmo todos, têm de fazer um esforço para cuidar delas. Não há democracia que resista quando metade cuida e a outra metade se descuida. Se isto acontecer, aparecerão os extremistas que corroem e destroem e implementam regimes ditatoriais.
Como sabem, desde muito novo estou ligado a partidos políticos, nomeadamente ao Partido Socialista. Por vezes, de acordo com as linhas de orientação das várias direções, outras vezes, não. Considero os partidos políticos os pilares da democracia, no entanto, não concordo com a existência de alguns, nomeadamente dos partidos extremistas, que não defendem a democracia, a liberdade e o projeto europeu.
As sociedades são orientadas por quem as governa e são melhores ou piores pelo mesmo motivo.
A sociedade está invadida por meros aproveitadores de ocasiões, por ladrões e por mentecaptos que se aproveitam das fragilidades de alguns, da ignorância de outros e da estupidez de muitos.
Isto é transversal a todos os partidos, às várias classes e estratos sociais, e o que a maioria das pessoas de bem, que são respeitadoras, amantes da liberdade e que promovem a educação e o conhecimento, tem de fazer é não deixar que essas pessoas sejam lideradas por esta gente.
Há uma expressão que diz que “𝗮 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻ç𝗮 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗼𝘀 𝘀𝗲𝗿𝗲𝘀 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗲 𝗼𝘀 𝗮𝗻𝗶𝗺𝗮𝗶𝘀 é 𝗾𝘂𝗲 𝗼𝘀 𝗮𝗻𝗶𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗽𝗲𝗿𝗺𝗶𝘁𝗶𝗿𝗶𝗮𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗲𝘀𝘁ú𝗽𝗶𝗱𝗼 𝗹𝗶𝗱𝗲𝗿𝗮𝘀𝘀𝗲 𝗮 𝗺𝗮𝘁𝗶𝗹𝗵𝗮”.
O grau de exigência dos povos europeus, aqueles que de alguma maneira se sentem em liberdade, está pelas ruas da amargura porque se distraem facilmente com o ócio, com o básico, e deixam-se ultrapassar por uma concorrência brutal de conhecimento e tecnologia avançada.
Se, por um lado, é de saudar este conhecimento, por outro, é necessário estar atento para que este conhecimento não seja aproveitado para fins menos dignos do ser humano. É claro e notório que toda esta tecnologia está a ser empregue em guerras e mais guerras, e nós, portugueses, europeus, andamos distraídos em “𝗳𝗮𝗿𝗺𝗮𝗿 𝗮𝘂𝗿𝗮𝘀”.
Andamos tão distraídos que ainda não percebemos que temos uma Assembleia da República constituída pelos mais básicos representantes, salvo algumas exceções, empestada de antidemocratas e antieuropeus, com o único objetivo de achincalhar as instituições para derrubar a democracia.
A indiferença da sociedade começa aí e depois percorre caminhos demasiado perigosos, como, por exemplo, considerar que as agressões a seres humanos oriundos de países do terceiro mundo são normais, fechar os olhos à violência notada em escolas e normalizar a estupidez a que assistimos em comentários na comunicação social. E aqui deveria haver outro grande debate para a sociedade: que comunicação social? Sou da opinião de que nem tudo pode valer para as audiências.
Cristiano Silva