25/04/2026
Partilhamos o discurso do deputado Ricardo Moreira em representação do Grupo Municipal do CDS-PP na sessão solene de comemoração do 25 de abril na Assembleia Municipal de Valongo:
Senhor Presidente da Assembleia Municipal,
Senhor Presidente da Câmara,
Senhoras e Senhores Vereadores,
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhores Presidentes e Senhora Presidente de Junta,
Ilustres Convidados,
Senhoras e Senhores,
Celebrar o dia 25 de Abril de 1974 é celebrar o fim daquele Portugal pobre, triste e cinzento que existia até 24 de abril desse ano.
Mas celebrar a liberdade não significa aceitar que alguém se arrogue o monopólio da sua interpretação, nem muito menos aceitar o conjunto de episódios que se sucederam nos primeiros anos pós-revolução.
A verdade é que ao longo de demasiados anos, uma certa esquerda tentou apropriar-se politicamente do 25 de Abril, impondo uma versão dos acontecimentos parcial e incompleta.
Neste dia, é importante dizer que a liberdade, a democracia e o poder local não são património dessa esquerda que se considera dona do 25 de abril. São património de todos aqueles que acreditaram que Portugal poderia ter uma democracia ampla e plural, como o resto do mundo ocidental.
A propósito da celebração dos 50 anos da aprovação da Constituição de 1976, recordamos, e bem, o momento em que os 16 deputados do CDS-PP na Assembleia Constituinte tiveram a coragem de se levantar contra um texto que propagava o “caminho para uma sociedade socialista”.
Nos últimos 50 anos, participamos e votamos todas as alterações à Constituição, ao contrário de outros partidos que não saíram da sua versão inicial.
Por isso, nesta data, importa dizer com clareza:
O 25 de abril é de todos os democratas, mas não só daqueles que rejeitavam o 24 de abril de 1974. É também daqueles que rejeitaram os primeiros anos pós-revolução e as tentações totalitárias que existiram nesse período.
O 25 de abril é de todos os que respeitam a liberdade, o pluralismo, o voto popular, o Estado de direito e a dignidade da pessoa humana.
E é precisamente aqui que deve ser feita uma reflexão séria sobre a atualidade.
De facto, de pouco vale encher a boca com o abril, com discursos sobre liberdade e a participação democrática, se depois se governa tantas vezes com tiques de superioridade moral, com burocracia, com centralismo e com uma visão da política demasiado assente no controlo e pouco assente na confiança nas pessoas, nas famílias, nas instituições locais e na sociedade civil.
Há quem fale muito de participação, mas ouça pouco.
Há quem fale muito de direitos, mas muito pouco de deveres.
Há quem faça da memória histórica uma bandeira, mas esqueça que a democracia se mede, sobretudo, na qualidade da governação do presente.
E, ao nível local, a verdade é simples:
Uma autarquia honra abril, não quando faz proclamações com toda a honra e circunstância, nem quando publica bem nas redes sociais. Uma autarquia honra abril quando limpa as ruas, apoia as famílias, respeita os idosos, cria condições para os jovens ficarem e decide com transparência.
A democracia local precisa de responsabilidade, competência e humildade no exercício quotidiano do poder. E é por isso que o CDS-PP acredita num poder local próximo, mas não paternalista; ativo, mas não sufocante; solidário, mas não capturado por visões que confundem serviço público com propaganda política.
A liberdade não se defende apenas contra ditaduras antigas;
Defende-se também contra os vícios modernos do sectarismo, do condicionamento ideológico, do policiamento moral e da tentação de dividir os portugueses entre esclarecidos e não esclarecidos.
Abril não foi feito para substituir uma verdade única por outra. Abril não substituiu, abril acrescentou e deu-nos a possibilidade sermos o que queríamos.
Numa democracia plena cabem diferenças, alternativas e alternância.
É essa a visão do CDS-PP.
Viva a Liberdade.
Viva Valongo.
Viva Portugal.