01/06/2026
Assunto a seguir em Torres Novas - comunicado do BE
Biometano: sofrimento, 200 toneladas por dia, ruído, maus cheiros, diz o Bloco de Esquerda
A descarbonização da economia e a aposta nas energias renováveis é o caminho que tem de prosseguir e até acelerado e a construção de uma fábrica com estas preocupações ambientais poderia ser uma boa notícia para o ambiente e para o futuro do Planeta. Mas o que está previsto construir no concelho de Torres Novas, freguesia de Olaia/Paço, estrada 1161, entre Casal Sentista e Árgea, não é uma boa notícia – assim começa o comunicado de imprensa do Bloco de Esquerda a respeito do projecto da central de biometano.
O BE reconhece que a transformação de resíduos em biogás e posteriormente em biometano, existentes em grande quantidade nas proximidades, assim como a passagem próxima de um gasoduto são argumentos fortes aproveitados pelo projecto. Mas, acontece, advertem os bloquistas, que ao escolherem aquela localização estão a condenar ao sofrimento e a retirar a qualidade de vida a centenas de moradores próximos e a alguns milhares que vivem a sul do local previsto. Não é aceitável.
“O actual PDM não o permite, a Câmara Municipal não pode pactuar com alterações de última hora, como é o caso das “Normas provisórias” requeridas pelo proponente, há quase um ano. Os vários aglomerados urbanos que se encontram nesta área (próximos da localização, da recolha da matéria prima e ainda dos locais onde vão ser despejados os resíduos do tratamento por digestão anaeróbica (digerido) vão ser invadidos diariamente por largas dezenas de camiões que provocam ruído, insegurança rodoviária e maus cheiros. Acresce o transporte de água da ETAR de Torres Novas para a fábrica (se a Águas do Ribatejo ceder essa água)”.
Segundo o Bloco, as cargas e descargas de matéria-prima e de digerido não podem ser desvalorizadas como parece acontecer no projecto; são 262 toneladas por dia, é uma montanha de produtos altamente poluidores, principalmente do ar.
Este processo deve ser transparente, já esteve escondido por muito tempo, denuncia o BE, as populações devem ser informadas de todos os desenvolvimentos e a Câmara Municipal já se devia ter pronunciado e em sentido contrário aos interesses do promotor e a favor das populações.
“O Bloco de Esquerda apela à participação na consulta pública que decorre até 25 de Junho e nas reuniões de esclarecimento que vão ser realizadas.
A Fabrióleo ainda não foi totalmente resolvida e o povo tem memória”.
Até agora, o Bloco de Esquerda foi a única das forças políticas autárquicas com representação a pronunciar-se sobre este processo.