27/09/2022
Recusamos voltar à austeridade
Quando há quem esteja a lucrar com a guerra e a inflação.
Os salários e reformas dos portugueses valem cada vez menos perante a imparável subida dos preços dos produtos e serviços de primeira necessidade, como a alimentação, gás, energia elétrica, água, transportes e custos da habitação. É uma situação preocupante para grande parte das famílias portuguesas que já vivem no limiar da pobreza e outros que mesmo com salários acima do ordenado mínimo, nada sobra ao fim do mês, quando para além da carestia, se constata a perda de qualidade do SNS e de outros Serviços Públicos, tudo leva a crer que o Governo pretende impor de novo, a austeridade.
Números oficiais apontam em Portugal 2,2 milhões de portugueses, 22,4% da população a viver abaixo do limiar de pobreza o que se exigia um plano social e de emprego de forma a contrariar a situação, mas ao contrário disso, o Governo prepara-se com o seu pacote de “medidas anticrise” agravar ainda mais a situação. Costa impõe a contenção dos aumentos salariais com aumentos apenas de 2% quando se anuncia que a inflação atingirá já no final
deste ano 7,4%. Aos reformados prepara cortes nas pensões de reforma a partir de 2024, usando como isco o pagamento de um subsídio adicional em outubro deste ano, o que vai contra o cumprimento da Lei das Reformas que determina deverem os aumentos acompanharem a percentagem da inflação. Se antes Costa afirmava que a lei seria cumprida porque, citamos a esse propósito António Costa: “As leis existem para serem cumpridas”, mas o Primeiro-ministro quer agora a sua revogação.
Se antes o Covid era a justificação para a imposição de uma agenda de austeridade, agora é a guerra na Ucrânia e a inflação importada quando só no primeiro semestre deste ano os lucros das maiores empresas nacionais já iam nos 75% do auferido durante todo o ano passado. As empresas petrolíferas, os Hipermercados e os Bancos, entre outros aumentaram brutalmente os lucros e o próprio Estado estima que em 2022 terá um aumento de 10 mil milhões de euros na receita fiscal.
Perante a situação que vivemos e prevendo-se mesmo o seu agravamento, a Coordenadora do Bloco de Esquerda de Tomar, solidariza-se com os trabalhadores e reformados, contra as medidas do governo PS, pela justiça social e pelo aumento de
salários e de reformas num valor que pelo menos garanta a manutenção do poder de compra das famílias. O Governo pensa em servir o interesse dos seus “clientes” nacionais e estrangeiros, aos trabalhadores e desprotegidos resta unirem-se e lutar pela defesa dos seus interesses.
Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Tomar
26 Setembro, 2022