A Praia da Tocha é uma das estâncias balneares da região centro mais vezes contempladas com a Bandeira Azul, facto a que não terá sido alheia a constante preocupação das entidades competentes na manutenção da sua qualidade e limpeza. Nesse sentido, a Câmara Municipal de Cantanhede tem accionado os mecanismos necessários para garantir a excelência balnear da Praia da Tocha, como aliás comprova a br
ochura distribuída no âmbito da edição de 1998 da European Blue Flag Compaign, que a inclui no conjunto das 13 praias da região centro contempladas com a Bandeira Azul. Mas a Praia da Tocha tem muito mais para oferecer a quem a visita. Servida por excelentes vias de acesso e situada a escassos quilómetros de Coimbra, Figueira da Foz e Aveiro, é um local verdadeiramente convidativo a umas férias de floresta, mar, sol e lazer. Nesta antiga aldeia de pescadores da Freguesia da Tocha, no Concelho de Cantanhede, é possível encontrar ainda vestígios dos antigos palheiros, utilizados em tempos pelos pescadores para guardar o material utilizado na faina diária dos meses de Verão. Ainda não há uma década que, cerca das sete horas da manhã, soava o inconfundível toque do búzio, a partir do qual os seis ou sete homens de cada companha se preparavam para a pesca. Depois de equipado com cordas e redes, o pequeno barco era arrastado sobre rolos de madeira até à água, afastando-se da costa duas ou três milhas. Já em terra, o arrais comandava os pescadores na tarefa de puxar, à força de braços, as cordas que prendiam a rede, arrastando-a para a praia, operação a que se juntavam frequentemente alguns banhistas. Depois procedia-se à separação do peixe capturado para ser leiloado publicamente, não sem que antes todos os participantes na árdua tarefa tivessem recebido o seu quinhão, que frequentemente partilhado num agradável convívio com os pescadores, homens experientes, iam contando as suas histórias da faina enquanto grelhavam o peixe e assavam as batatas na areia. Hoje, além de algumas inovações introduzidas na actividade piscatória, já não é o tocar do búzio que desperta os pescadores para a faina, mas o essencial da arte xávega permanece de tal modo viva que constitui um dos elementos de maior atracção turística da Praia da Tocha. Os anos 60, década do grande boom de um produto chamado "Sol e Praia", transformou uma simples aldeia de pescadores num agradável destino de férias, a que não falta, durante a época balnear, um vasto programa cultural e desportivo que também contribui para que os veraneantes se sintam motivados a voltar. Não obstante a procura turística ter arrastado, ao longo dos últimos anos, o inevitável crescimento urbanístico, este desenvolveu-se sem afectar significativamente a identidade da aldeia. As medidas adoptadas para preservar a arquitectura xávega estão bem patentes na recuperação dos palheiros dos pescadores, agora transformadas em casas de férias, ou na adaptação dos materiais característicos locais a formas de construção mais actuais. A Praia da Tocha é, ainda hoje, uma aldeia pitoresca, calma e tranquila, com um areal dourado onde, a par dos corpos bronzeados dos banhistas, se estendem as redes e os barcos típicos, enquanto os pescadores aguardam que o tempo permita a saída para o mar.