25/08/2018
A propósito de Pedro Santana Lopes e o Partido da Direita Liberal (a Aliança de PSL) o nosso amigo António Archer escreveu:
"A partir do próximo mês de setembro nada será como dantes na direita portuguesa. Depois de algumas tentativas falhadas, tudo indica que surgirá finalmente em Portugal um novo partido capaz de se afirmar eleitoralmente.
Por se formar em torno de um líder político experiente, extremamente mediático e influente na sua área, o novo partido de Pedro Santana Lopes pode ter o sucesso eleitoral suficiente para trazer o pluralismo e a clareza ideológica que há muito faz falta à direita em Portugal. Incubado dentro de uma organização partidária que foi sempre uma eficaz máquina de conquista e manutenção do poder, mais do que um partido ideologicamente estruturado, a Aliança de Santana Lopes será um partido conservador nos costumes e liberal na economia, capaz de defender sem timidez os grandes interesses económicos privados, que considera serem os principais motores da criação de riqueza nacional.
Com esta marca ideológica, o partido de Santana Lopes ocupará totalmente o espaço político onde alguns dos atuais dirigentes do CDS se posicionam, pelo que, como tenho defendido, a única hipótese de sobrevivência do CDS no quadro de uma direita plural será a sua afirmação como um partido democrata cristão, de vocação interclassista.
Teremos então, no espectro político do centro-direita três partidos bem individualizados: o PSD de Rui Rio, um partido social democrata que se distinguirá do PS pela sua origem sociológica conservadora e não marxista, na linha da social democracia escandinava, que tanto agradava a Francisco Sá Carneiro; a Aliança de Santana Lopes, como partido da direita liberal, com a sua defesa do princípio do primado dos mercados e da austeridade financeira impostos pela tecnocracia neoliberal que domina a Comissão Europeia, herdeiro legítimo da política do governo de Passos Coelho; e o CDS, que terá de regressar à sua matriz fundacional centrista e democrata cristã e ser finalmente uma força política aberta a todas as classes sociais e mobilizadora de uma solução política para Portugal.
Acredito que só deste modo o CDS poderá fugir ao declínio eleitoral que o ameaça, defendendo no espectro político da direita portuguesa uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária.
Mais liberdade significa valorizar a cidadania plena e responsável e tornar o Estado verdadeiramente democrático e independente dos interesses económicos e sociais que o condicionam.
Mais justiça significa garantir a vigência efetiva do Estado de Direito e dar a cada cidadão o que cada um merece por direito próprio, numa sociedade mais equilibrada, sem espaços facilitadores da corrupção, que promova o mérito e o trabalho honesto.
Mais solidariedade significa reconhecer a imanente e absoluta dignidade da pessoa humana e assumir o cuidado pelos mais pobres, vulneráveis e desprotegidos como um objetivo central da política económica."