20/01/2026
Nada me move pessoalmente contra qualquer dirigente da Associação de Futebol de Setúbal – embora fique de pé atrás com quem evita o escrutínio dos jornalistas –, mas há muito que sou crítico desta liderança. Por isso aceitei, há uns anos, integrar uma lista concorrente.
Entendo que o foco da AF Setúbal praticamente se tem esgotado na organização das competições e que falta uma visão, um conjunto de ideias, um projeto, etc., que forcem a aceleração do desenvolvimento do futebol no distrito.
Há várias métricas que nos ajudam a perceber o nível do futebol no distrito, mas creio que a principal é a representatividade. Neste momento, são zero equipas nas ligas profissionais, uma na Liga 3 e duas no Campeonato de Portugal no que ao futebol sénior diz respeito.
Se a nível populacional o Distrito de Setúbal está no top 3 e integra a região (Área Metropolitana de Lisboa) que mais contribuiu para o PIB, futebolisticamente falando está atrás de Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Viseu, Faro, Madeira, Açores, Leiria e Vila Real.
A nível de representatividade, tem tantas equipas na Liga 3 como a vizinha Évora, distrito que tem o árbitro melhor classificado na primeira categoria em 2024-25 (Luís Godinho). Évora tem até a sua equipa na Liga 3 (Lusitano) melhor classificada do que a equipa de Setúbal (Amora) e, embora tenha menos uma equipa no Campeonato de Portugal, o seu único representante no quarto escalão (Juventude) está em zona de subida, bem à frente de Alcochetense e Comércio e Indústria. Isto, para mim, chega a ser humilhante, mas a dinastia vai continuando…
Faz falta à AF Setúbal mais trocas de ideias e mais atenção aos detalhes. Alguns ajustes podem fazer a diferença.
O Amora entrou para a penúltima jornada da Liga 3 ainda com hipóteses matemáticas de atingir a fase de promoção. Faltou um “danoninho”.
O Amora tem uma equipa B que milita na I Distrital da AF Setúbal.
Enquanto a equipa principal disputou o primeiro jogo oficial a 9 de agosto, as competições distritais de seniores da AF Setúbal arrancaram a 31 de agosto, mas, por as equipas B estarem impedidas de competir na taça distrital, o Amora B só iniciou a competição a 5 de outubro. Nesse fim de semana, a equipa principal disputou a 7.ª jornada e já se tinham realizado duas eliminatórias da Taça de Portugal.
O mesmo se aplica ao Comércio e Indústria, lanterna vermelha do Campeonato de Portugal e com uma equipa B na II Distrital.
Nestas divisões não profissionais, em que praticamente todos os jogadores só fazem contratos de um ano, o papel das equipas B é servir a equipa principal a curto prazo. Mas, ao iniciarem a competição quase dois meses depois e duas divisões abaixo, não conseguem cumprir de forma tão rápida e eficiente esse objetivo.
Permitir a entrada das equipas B na Taça AF Setúbal ou reformular o calendário poderia ajudar ao tal “danoninho” que faltou ao Amora, até porque essas equipas B, durante as cinco semanas da fase de grupos da taça, não têm sequer adversários possíveis para jogos de treino.
Em Évora, Lusitano B e Juventude B participam na taça distrital, que se iniciou a 21 de setembro. Em Beja, o Serpa B começou a competir a 20 de setembro. Em Lisboa, 1º Dezembro B e Belenenses B iniciaram as suas provas a 14 de setembro e Sintrense B a 21 de setembro. No Algarve, o Louletano B entrou em campo pela primeira vez a 27 de setembro. Em Leiria, o Caldas B iniciou a competição a 21 de setembro. Em comparação, Amora B e Comércio e Indústria B entraram em prova atrasados, o que teoricamente também retarda as suas funções de fornecedores da equipa principal.