19/03/2026
Entre os penedos da Serra da Estrela há histórias que o vento não deixa morrer. Uma delas é a da Cabeça da Velha, a lembrança de Marta, a aia que se tornou pedra.
Leonor, órfã beirã, vivia sob a vigilância do tio Bernardo, um fidalgo rígido e protetor. A vida de Leonor era de estações repetidas, dias silenciosos, até ao encontro com Afonso, jovem nobre sem fortuna, mas rico em paixão. Eles amaram-se em segredo, confiando seus encontros à lealdade de Marta, a aia que prometera jamais trair o segredo e que, caso falhasse, se transformaria em pedra.
Veio o dia inevitável: Bernardo descobriu a correspondência de amor e, forçando a verdade, obrigou Marta a trair o segredo, combinando um encontro para apanhar os amantes em flagrante. Marta, cumprindo a promessa que jamais quis quebrar, viu-se transformada em pedra diante do casal.
Afonso e Leonor fugiram, atravessando fronteiras até à Galiza, permanecendo juntos até ao fim da vida. Mas nunca esqueceram a coragem e dedicação de Marta. E assim, voltaram uma última vez ao lugar da tragédia e ergueram uma capela em sua homenagem. Lembrança eterna da fidelidade, do sacrifício e do amor que o tempo não apagou.
Hoje, a Cabeça da Velha não é apenas uma pedra. É vigilante, silenciosa, guardando histórias de paixão e promessa, transformando a memória em pedra e a dor em eternidade.
Porque há gestos que o tempo não consegue dissolver e amizades que mesmo a morte não consegue apagar.