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Biblioteca ISCAP Segue a nossa página e f**a a par das nossas novidades bibliográf**as, formações e outros eventos!

PUBLICAÇÕES DE DOCENTES DO ISCAPNos últimos anos, fatores como sustentabilidade, digitalização, mudanças climáticas, tra...
17/06/2026

PUBLICAÇÕES DE DOCENTES DO ISCAP

Nos últimos anos, fatores como sustentabilidade, digitalização, mudanças climáticas, transição energética, inclusão social, paridade de gênero e riscos ambientais, sociais e de governança (ESG) têm desempenhado um papel cada vez mais importante no processo de transformação financeira. O impacto disso se reflete no aumento da regulamentação e das diretrizes para os mercados financeiros, no que diz respeito à adaptação das atividades atuais para atender aos novos desafios, como: o processo de "verdejar as finanças" e a disseminação da "onda azul" nas finanças; a construção de valor sustentável nos modelos de negócios das instituições financeiras; a criação de uma oferta de produtos financeiros sustentáveis; a garantia da paridade entre mulheres e homens nos órgãos decisórios das instituições financeiras; as classif**ações de sustentabilidade; e os te**es de estresse climático. Este livro se concentra na interseção entre natureza e finanças e oferece uma visão abrangente das tendências, transformações e desafios nas finanças e nos mercados financeiros relacionados aos efeitos dos conceitos de sustentabilidade ou fatores ESG. O livro foi concebido para mostrar essas tendências por meio das subdisciplinas em evolução das finanças, como as finanças verdes e azuis. Apresenta recomendações essenciais para o ecossistema e a rede financeira na era do ESG e da sustentabilidade e traça um panorama completo das finanças contemporâneas, identif**ando os fatores que determinam sua transformação sustentável. Este é um dos primeiros livros a apresentar as questões de sustentabilidade e risco ESG em finanças sob a perspectiva de diferentes tipos de financiamento. O livro não só atrairá acadêmicos e pesquisadores nas áreas de bancos, economia, finanças e contabilidade, como também encontrará leitores entre formuladores de políticas e profissionais envolvidos no debate sobre finanças e sustentabilidade.

PUBLICAÇÕES DE DOCENTES DO ISCAPO presente manual pretende servir de instrumento de apoio a um estudo introdutório do Di...
15/06/2026

PUBLICAÇÕES DE DOCENTES DO ISCAP

O presente manual pretende servir de instrumento de apoio a um estudo introdutório do Direito Fiscal. São aqui abordadas as principais matérias que integram o programa de unidades curriculares semestrais com este âmbito, sem abranger os temas dos impostos em especial nem os procedimentos e processos tributários. Pretende-se sistematizar, com exemplos práticos e linguagem simples, os conceitos essenciais, sem pôr em causa o rigor jurídico. Os diversos temas não foram abordados de forma exaustiva, dado carácter eminentemente pedagógico do manual. Este trabalho dirige-se também à preparação do acesso às profissões que exigem provas no âmbito do direito fiscal, bem como na formação dos jovens advogados, solicitadores e contabilistas certif**ados. As docentes integradas neste projeto possuem vasta prática no ensino destas matérias e experiência também na área da formação e da advocacia.

«Prescrição» de Leitura(pelo Gabinete de Promoção da Saúde e Bem-Estar | gpsb@iscap.ipp.pt)• Ligados (Attached), do psiq...
10/06/2026

«Prescrição» de Leitura
(pelo Gabinete de Promoção da Saúde e Bem-Estar | [email protected])

• Ligados (Attached), do psiquiatra Amir Levine e da psicóloga Rachel Heller
Uma obra que nos envolve numa compreensão vital e expressiva sobre a vinculação humana, como nos ligamos e como tudo isso molda tão intensamente a forma como vemos o mundo, como vemos os desafios, os problemas, as relações, como molda o nosso bem estar.

É uma leitura relevante, mas lembrando sempre que nem as pessoas, nem as suas relações, nem as suas histórias de vida se deixam arrumar inteiramente em pequenas gavetas. E felizmente, as gavetas também se podem reorganizar ao longo do tempo.

EFEMÉRIDESDia Mundial dos OceanosO Dia Mundial dos Oceanos (ou, em inglês: World Ocean Day) é um dia internacional que s...
08/06/2026

EFEMÉRIDES
Dia Mundial dos Oceanos

O Dia Mundial dos Oceanos (ou, em inglês: World Ocean Day) é um dia internacional que se celebra anualmente em 8 de junho. O conceito foi originalmente proposto em 1992 pelo International Centre for Ocean Development (ICOD) do Canadá e pelo Ocean Institute of Canada (OIC) na Cimeira da Terra – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) no Rio de Janeiro, Brasil. O Ocean Project iniciou a coordenação global do Dia Mundial dos Oceanos a partir de 2002. O Dia Mundial dos Oceanos foi oficialmente reconhecido pelas Nações Unidas em 2008. O dia internacional apoia a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em todo o mundo e promove o interesse público na proteção dos oceanos e na gestão sustentável dos seus recursos.

POEMA E POETA DO MÊS Alberto Pimenta                    Elegiajá nada é o que erae provavelmente nunca mais o seráe mesm...
04/06/2026

POEMA E POETA DO MÊS
Alberto Pimenta

Elegia
já nada é o que era
e provavelmente nunca mais o será
e mesmo que o fosse
algo me diz que já não seria o que era
porque o que era
era o que era por ser o que era
do que eu me lembro muito bem
embora eu então não fosse o que agora sou
mas o que agora sou
ou estou a ser
é deixar de ser o que sou
porque eu sou deixando de ser
deixar de ser é a minha maneira de ser
sou a cada instante
o que já não sou
e o mesmo se deve passar com tudo o que é
motivo por que não admira que assim seja
quer dizer
que nada seja o que era
e se assim é
ou já não é
seja ou não seja

SUGESTÃO DE LEITURALlosa, M. Mario. (1993). Conversa N´A Catedral, 9.ª Ed. Alfragide: Publicações Dom Quixote.Sentados a...
01/06/2026

SUGESTÃO DE LEITURA

Llosa, M. Mario. (1993). Conversa N´A Catedral, 9.ª Ed. Alfragide: Publicações Dom Quixote.

Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.
Uma história esplêndida que reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano - as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico.
Conversa n’A Catedral é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade.
Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.
A fina ironia que Losa glosa neste romance, atravessa toda a sua obra, até jornalística. Biografa os costumes como se duma comunhão se tratasse. Uma comunhão com a impaciência, com a necessidade de ver cumpridas certas promessas que terminam sempre da mesma maneira: desaparecidas. As personagens deste romance vão e vêm. E f**am, f**am porque `há labirintos em Lima’.
Em suma o livro está repleto de personagens autênticas e mostra que em muitas situações, para protegerem alguém que amam, os bens que construíram ou a posição que alcançaram, são obrigadas a abrir mão dos seus princípios e não deixa de ser legítimo porque se não o fizerem alguém o fará a seguir.

Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.
Uma história esplêndida que reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano - as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico.
Conversa n’A Catedral é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade.
Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.
A fina ironia que Losa glosa neste romance, atravessa toda a sua obra, até jornalística. Biografa os costumes como se duma comunhão se tratasse. Uma comunhão com a impaciência, com a necessidade de ver cumpridas certas promessas que terminam sempre da mesma maneira: desaparecidas. As personagens deste romance vão e vêm. E f**am, f**am porque `há labirintos em Lima’.
Em suma o livro está repleto de personagens autênticas e mostra que em muitas situações, para protegerem alguém que amam, os bens que construíram ou a posição que alcançaram, são obrigadas a abrir mão dos seus princípios e não deixa de ser legítimo porque se não o fizerem alguém o fará a seguir.
“Esta obra é a preferida do crítico literário Alfredo Monte. Este crítico afirma: “Eu queria que os meus livros fossem lidos como eu li os romances de que gosto. Os romances que me fascinaram, mais do que entrar pela inteligência, através de puro intelecto, da pura razão, me enfeitiçaram literalmente, quer dizer, se converteram em histórias que de certa forma destruíram toda a capacidade crítica em mim: O que vai acontecer? O que vai acontecer. Este é o tipo de romance que eu gosto de ler e este é o tipo de romance que gostaria de escrever. Então para mim é muito importante que todo o elemento intelectual, que é inevitável que esteja presente num romance, e alguma forma esteja dissolvido fundamentalmente em ações, em episódios que deveriam seduzir o leitor não pelas suas ideias, ma pela sua cor, pelo seu sentimento, pelas suas emoções, pelas suas paixões, pela sua novidade, pelo seu carácter insólito, pelo suspense e o mistério que possa emanar deles. Para mim, a técnica do romance é fundamentalmente conseguir isso, conseguir diminuir e, se possível, abolir a distância entre a história e o leitor. Neste sentido eu creio que sou um escritor do século XIX. Para mim o romance continua sendo o romance de aventura, que se lê desse modo especial, tomado pela história.”
Esta afirmações podem ser encontradas no livro de Ricardo A. Setti, Conversas com Vargas Llosa . Embora haja uma verdade profunda nelas, Alfredo Monte crê ser também possível apontar o escritor peruano (Nobel 2010) como representante do romancista no formato modernista: enciclopédico, labiríntico e total, num sentido joyciano; e no caso dele muito especif**amente, num sentido faulkneriano.
Não foram poucas as vezes em que Llosa se declarou um admirador de Faulkner, tendo usado com muito proveito as suas técnicas, inclusive a de fazer a história surgir de conversas, de colóquios nos quais muitas vezes os fatos se refratam em diversas versões, que se opõem e se complementam. Três autores, aliás, sempre apareceram muito nas entrevistas e ensaios de Vargas Llosa: duas admirações constantes, Faulkner e Flaubert, e uma relação de amor e ódio: Sartre (para se purgar do fantasma sartriano, publicou um livro inteiro e alentado: “Contra vento e maré”), com quem acabou sendo injusto, classif**ando os seus romances de muito ruins, o que está longe de ser a verdade. Um dos aspetos mais relevantes de “Conversa N´A Catedral” tem uma feição tipicamente sartreana: além das conversas (de Zavalita com Ambrosio, matriz do romance; com o jornalista desiludido, literato falhado, Carlitos; também tem os diálogos entre Ambrosio e Don Fermín, entre Ambrosio e Queta), das cenas justapostas, da discreta narrativa em terceira pessoa, dos discursos indiretos livres, enfim, de toda a pletora de recursos explorados no romance, um procedimento narrativo relevante (Llosa vai praticá-lo, embora de forma mais discreta e atenuada, até no mais recente O paraíso na outra esquina, já no século XXI) é o do solilóquio que Zavalita, o protagonista, mantém consigo mesmo e que espelha suas perplexidades, a sua frustração e a sua má consciência (que origina situações em que ele age de “má fé”, expressão tão sartriana, de descompasso entre a sua ação e sua consciência). Solilóquio + dúvidas = Hamlet. Entre outras, a leitura de “Conversa N´A Catedral” fez-me sonhar (um dos muitos projetos que já acalentei) em perseguir num estudo o arquétipo de Hamlet na ficção da modernidade, encarnado especialmente em intelectuais e artistas. O próprio Mathieu de “Os caminhos da liberdade” (a trilogia de Sartre formada por “A idade da razão”, “Sursis” e “Com a morte na alma” que acha sensacional, malgrado o que Llosa possa dizer contra seu antigo mestre); também os heróis e heroínas de “Os mandarins” (Simone de Beauvoir); “Sem olhos em Gaza” (Huxley); “O jogo da amarelinha” (Cortázar); “O carnê dourado” (Doris Lessing); “O lobo das estepes” (Hesse), só para f**ar em alguns poucos exemplos notáveis.
Mas voltemos ao romance “Conversa N´A Catedral”: nosso amigo Zavalita, que começa a participar nem sabe bem por que das reuniões clandestinas do Partido Comunista peruano quando se torna amigo de Aída e Jacobo (o caso é que ambos são apaixonados por Aída e Jacobo utiliza as reuniões clandestinas para separá-la de Zavalita e se aproximar dela). Vejamos algumas passagens: “Tinha sido nesse segundo ano , Zavalita, ao ver que não bastava aprender marxismo, que também fazia falta acreditar? Provavelmente o tinha fodido a falta de fé, Zavalita. Falta de fé para crer em Deus, menino? Para crer em qualquer coisa, Ambrosio… O pior era ter dúvidas, Ambrosio, e o maravilhoso poder fechar os olhos e dizer Deus existe, ou Deus não existe, e acreditar… Então a vida se organizaria sozinha e a gente já não se sentiria vazio, Ambrosio”; “e isso o preocupava tanto, Zavalita? dizia Aída. E Jacobo, se de todas as maneiras ele tinha que começar acreditando em algo era preferível crer que Deus não existe a crer que existe. Santiago também o preferia, Aída, ele queria se convencer que Politzer tinha razão, Jacobo. O que o angustiava era ter dúvidas, Aída, não poder estar seguro, Jacobo… As dúvidas eram fatais, dizia Aída, paralisam-no e você não pode fazer nada, e Jacobo: passar a vida esmiuçando será verdade? torturando-se será mentira? em vez de agir… Para agir, era preciso acreditar em algo, dizia Aída”; “Sempre mentindo, a vida toda fingindo… No colégio, em casa, no bairro, no Círculo, na Facção, em La Crónica. Toda a vida fazendo coisas em que não acreditava, toda a vida dissimulando… E toda a vida querendo acreditar em algo. E toda a vida mentira, não acreditando”; “Tinha se dedicado furiosamente a ler, a trabalhar no Círculo, a acreditar no marxismo, a emagrecer”; “Eu já invejava as pessoas que acreditavam cegamente em alguma coisa, Carlitos”; “E se você tivesse se inscrito naquele dia, Zavalita, pensa. A militância o teria arrastado, comprometido cada vez mais, teria dissipado as dúvidas e em alguns meses ou alguns anos teria se tornado um homem de fé, um otimista, um obscuro e puro herói a mais? Teria vivido mal, Zavalita, como Jacobino e Aída, pensa, entrado e saído da cadeia algumas vezes, sendo admitido e despedido de sórdidos empregos e, em vez de editoriais em La Crónica contra os cachorros raivosos, escreveria nas páginas mal impressas de Unidad, quando tivesse dinheiro e não fosse impedido pela polícia, pensa, sobre os avanços científicos da pátria do socialismo e a vitória no sindicato dos panif**adores de Lurín… ou teria sido mais generoso e entrado para um grupo insurrecional e sonhado e atuado e fracassado nas guerrilhas e estaria na prisão, como Héctor, pensa, ou morto e decomposto na selva, como o cholo Martinez, pensa, e feito viagens semiclandestinas a Congressos da Juventude, pensa, Moscou, levando saudações fraternais a Encontros de Jornalistas, pensa, Budapeste, ou recebido treinamento militar, pensa, Havana ou Pequim. Você teria se formado em Direito, teria caso, teria sido assessor de um sindicato, deputado, mais desgraçado, a mesma coisa ou mais feliz? Pensa: aí, Zavalita”. Mais uma vez na opinião do crítico literário trata-se da obra-prima de Vargas Llosa, apesar da quantidade de títulos impressionantes. Esta afirma: tenho lido intensamente durante estes últimos trinta anos a ficção de Vargas Llosa (também admirável ensaísta) e creio que posso afirmar com segurança: “Conversa N´A Catedral” é um romance “total”, um daqueles livros absolutos, uma visão caleidoscópica e assombrosa da ditadura do general Odría, que deu o golpe no Peru no final dos anos 1940 e impôs um regime ditatorial durante boa parte da década de 50. E Vargas Llosa publicou “Conversa N´A Catedral” em 1969, quando tinha apenas 33 anos! É claro que já tinha dado uma medida da dimensão do seu talento porque os seus dois primeiros romances, “A cidade e os cachorros” (em 1962), e “A casa verde”, de 1965, eram empreendimentos ciclópicos e singulares (“A casa verde” ainda se desdobraria em outros, devido ao personagem Lituma). Mesmo assim, há algo de incomparável no fôlego e no apetite de totalidade que nos dá o seu terceiro romance. O único caso similar das últimas décadas na opinião da Alfredo Monte é Fado alexandrino (1983), um dos grandes romances de António Lobo Antunes. O título vem do reencontro entre Santiago Zavala, o Zavalita, com o antigo chofer da família, Ambrosio. Santiago vai ao canil municipal porque os homens do canil municipal apanharam o seu cão, Batuque (como eles ganham uma miséria e por número de apreensões, às vezes não se furtam de roubar animais, ou mesmo de tirá-los à força dos donos, como aconteceu com a mulher de Santiago). A ironia é que ele, editorialista, vem escrevendo uma série a respeito da raiva e pedindo medidas das autoridades para conter o número de cães na capital. No canil, ele testemunha uma espantosa e bárbara execução de um cachorro (mas consegue resgatar o seu. No começo do capítulo, saindo do serviço, Santiago (que acabou de fazer 30 anos) pergunta “em que ponto se fodeu”, “em que ponto o Peru se fodeu”. E verá em Ambrosio um espelho, mais velho, numa escala social diferente, um outro tipo de derrota, de embotamento, de sensação de ter sido vencido pela vida. Aquela sensação de logro existencial que se abate sobre os personagens de “Educação Sentimental” (do autor predileto de Vargas Llosa, Flaubert, a respeito do qual ele escreveu o magistral ensaio “A orgia perpétua”), no final de suas trajetórias pelas aventuras da sua geração. A má consciência de Santiago Zavala como homem de imprensa, como marido, como peruano (depois conheceremos os sonhos da sua geração) já aparece logo no princípio de “Conversa N´A Catedral”. “Catedral” é o nome do boteco, uma espelunca , em que ele e Ambrosio bebem durante horas, numa conversa que permeará as centenas de páginas do romance. Um nome signif**ativo, uma vez que o começo da revolta de Santiago contra sua classe social e sua família foi o anti-clericalismo, a repulsa pelos padres e pelo catolicismo. Como afirma acima, a conversa entre Santiago e Ambrosio (em torno da qual ronda um segredo bombástico sobre o pai de Santiago, que está no cerne da trama do romance), ambivalente e exasperante, permeia o romance inteiro. Mas, como é seu hábito, e uma das marcas do seu virtuosismo técnico, Llosa faz com que duas ou várias situações fiquem sobrepostas em cada passagem da narrativa. Um exemplo: no capítulo VII da primeira parte (são quatro ao todo), Ambrosio conta a Santiago como conheceu seu pai, Trifulcio; ao mesmo tempo, vemos Trifulcio no seu longo tempo de prisão (há uma cena em que ele e seus companheiros, atirando pedras, conseguem matar uma ave de rapina e toscamente assá-la, havendo uma disputa feroz pelos pedaços; também vemos como sua força é lendária, tanto que Dom Melquíades, possivelmente o diretor da prisão, traz um dos pilares do governo Odría, Emilio Arévalo, cujo filho, Popeye, será muito amigo de Santiago e casará com sua irmã, para uma demonstração), depois a libertação (ele trabalhará para Arévalo), em diálogos que se intercalam com as diligências do homem forte do governo Odría, Cayo Bermúdez para dominar os serviços de inteligência do regime e esmagar os “subversivos”; vemo-lo primeiro com militares, depois num diálogo com o homem que o chamou para fazer parte do governo (e posteriormente colocado em posição subalterna) e depois com civis poderosos (entre eles, Arévalo e Don Fermín, o pai de Santiago); também vemos torturadores em ação (e um dos torturados, f**amos sabendo, é Trinidad, o companheiro de Amália, a empregada da casa dos Zavala, a quem Santiago e Popeye, como autênticos playboyzinhos, tentaram seduzir numa noite em que a família estaria ausente, causando a demissão dela; ela será o grande amor da vida de Ambrosio; parte da trajetória de Amália, a mais ligada a Trinidad, tínhamos acompanhado num capítulo anterior, contudo parecia que era a mitomania de Trinidad a perseguição política e sua morte misteriosa que parecia indicar mais que ele era “ruim da cabeça” do que maus-tratos nos chamados “porões da ditadura”); vemos como é o encontro entre Ambrosio e Trifulcio (em que o pai tenta roubar dinheiro do filho, ameaçando-o com uma faca), vemos como Ambrosio saiu de sua cidade natal, e tendo ajudado o jovem Cayo Bermúdez a raptar sua futura esposa (que se tornou uma virago), ir à capital pedir um emprego ao poderoso Robespierre do regime Odría, como ele se transforma no chofer de Bermúdez e como se envolve com os profissionais de repressão e tortura. Tudo isso sem grandes necessidades de explicações e de narrativas muito longas e descritivas. Não, tudo através do intercalamento magistral de diálogos; tudo puxado (no referido capítulo) pelas reminiscências de Ambrosio com relação à sua mãe… O romance como exercício de virtuosismo e como cosmovisão. Como afirmou Simone de Beauvoir a respeito de suas leituras favoritas, “a recriação de um mundo que envolve o meu e que lhe pertence, que me desambienta e me ilumina, que se impõe a mim para sempre com a evidência de uma experiência que eu teria vivido”.

21/05/2026

18 de maio de 2026

PUBLICAÇÕES DE DOCENTES DO ISCAPO risco de crédito constitui o risco mais relevante no balanço das empresas (com especia...
15/05/2026

PUBLICAÇÕES DE DOCENTES DO ISCAP

O risco de crédito constitui o risco mais relevante no balanço das empresas (com especial menção para os bancos). O desafio mais signif**ativo na gestão do risco de crédito continua a ser encontrar um equilíbrio entre a qualidade do crédito e o crescimento da carteira.
A gestão do risco de crédito tem como principal objetivo a maximização da rendibilidade ajustada ao risco, mantendo a exposição dentro das regras pré-estabelecidas e devidamente supervisionadas.
Esta obra destina-se a um público vasto, desde estudantes das licenciaturas e mestrados das áreas das ciências empresariais, até profissionais que lidam com esta temática, entre os quais se incluem, contabilistas, revisores oficiais de contas, advogados e engenheiros.

No âmbito do evento “Livros para o mundo cá dentro: conversas sobre saúde e bem-estar inspiradas por livros”, o livro Li...
12/05/2026

No âmbito do evento “Livros para o mundo cá dentro: conversas sobre saúde e bem-estar inspiradas por livros”, o livro Ligados (Attached), de Dr. Amir Levine e Rachel S. F. Heller, surge como um ponto de partida muito pertinente para refletirmos sobre a forma como nos relacionamos connosco e com os outros.

A partir da teoria da vinculação, a obra ajuda-nos a compreender diferentes estilos de apego — seguro, ansioso e evitante — e o impacto que estes podem ter nas relações afetivas, na comunicação, na autoestima e no bem-estar emocional. Ao trazer para a conversa temas como necessidade de proximidade, medo da rejeição, autonomia e segurança emocional, Ligados convida-nos a olhar para dentro e a reconhecer padrões que influenciam a nossa saúde mental e relacional.

Assim, este livro liga-se naturalmente ao espírito do evento, que propõe usar a leitura como caminho para o autoconhecimento, a partilha e a promoção de uma vida mais consciente, saudável e equilibrada.

Data: 18 de maio de 2026
Horário: 12h30 às 13h30
Local: Biblioteca do ISCAP
Facilitadora: Raquel Pedrosa

Inscreve-te aqui:
https://forms.office.com/e/uzFsSpmSXz

12/05/2026

O Gabinete de Promoção da Saúde e Bem-Estar e a Biblioteca do ISCAP promovem a sessão inaugural de “Livros para o Mundo Cá Dentro: conversas sobre saúde e bem-estar inspiradas por livros”, um novo ciclo mensal de encontros dedicado à reflexão sobre saúde, bem-estar e autocuidado.

A iniciativa pretende reforçar a literacia em saúde e promover o bem-estar psicológico através de conversas inspiradas por livros e conduzidas por convidados especialistas, criando um espaço de encontro, partilha e reflexão para toda a comunidade académica.

A primeira sessão realiza-se no próximo dia 18 de maio de 2026, na Biblioteca do ISCAP, e contará com a participação de Raquel Pedrosa, médica psiquiatra e psicoterapeuta. O livro em destaque será Ligados (Attached), de Amir Levine e Rachel S. F. Heller.

Além deste ciclo de conversas, foi também criada uma nova secção na Biblioteca dedicada à promoção da saúde e do bem-estar, reunindo obras que refletem ciência, atualidade, diversidade de perspetivas e práticas de autocuidado.

A partir de setembro, as sessões passarão a realizar-se mensalmente, sempre à terça-feira, às 12h30.

Sessão inaugural
Data: 18 de maio de 2026
Horário: 12h30 às 13h30
Local: Biblioteca do ISCAP
Facilitadora: Raquel Pedrosa
Livro do mês: Ligados (Attached), de Amir Levine e Rachel S. F. Heller

Inscrição:
https://forms.office.com/e/uzFsSpmSXz

Mais informações: [email protected]

Endereço

Rua Jaime Lopes Amorim
São Mamede De Infesta
4465-004

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 20:00
Terça-feira 09:00 - 20:00
Quarta-feira 09:00 - 20:00
Quinta-feira 09:00 - 20:00
Sexta-feira 09:00 - 20:00

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