18/11/2025
Em 1974 e 1975, milhares de portugueses fugiram do caos instalado nas então províncias ultramarinas. Eram famílias inteiras, homens, mulheres e crianças, que deixaram para trás uma vida construída com trabalho, sacrifício e amor à terra. Fugiram da guerra, da violência, do ódio racial e da desordem gerada por um processo político precipitado, conduzido em nome de uma liberdade que, na prática, lhes tirou tudo: as casas, os bens, as raízes e, em muitos casos, até a própria dignidade.
Esses “retornados”, como ficaram injustamente apelidados, não regressaram por vontade própria. Foram expulsos pelo terror e pelo fanatismo ideológico.
A descolonização, feita sem honra nem estratégia, entregou povos inteiros ao sofrimento, à pobreza e a décadas de instabilidade. O que se prometera como libertação transformou-se num colapso civilizacional.
Décadas depois, a realidade é inescapável.
Os mesmos territórios que, em 1975, se diziam “libertos”, perderam milhões dos seus cidadãos, que hoje procuram em Portugal o que não encontram nos seus próprios países: segurança, saúde, educação, justiça, futuro. As mesmas fronteiras que se fecharam aos portugueses, agora se abrem àqueles que buscam refúgio no que resta do que Portugal construiu.
E aqui está a contradição que quase ninguém quer admitir:
Se Portugal era o “opressor”, por que razão tantos querem vir para cá?
Por que procuram a nossa cidadania, a nossa língua, a nossa proteção, o nosso modo de vida?
A verdade é dura, mas inegável: o legado português, com todas as suas falhas e virtudes, criou estruturas, cultura e valores que ainda hoje fazem de Portugal um farol de estabilidade num mundo em convulsão.
Por isso, é tempo de afirmar com coragem o que tantos pensam e poucos dizem:
Portugal precisa de ordem, de controlo e de respeito pela sua própria casa.
A solidariedade é uma virtude nobre, mas não pode ser confundida com submissão.
Ser solidário, não é abdicar da soberania.
Ser acolhedor, não é abrir mão da identidade.
Ser português, é preservar o que gerações construíram com suor, fé e sangue.
Em 1974 gritava-se “África aos africanos”.
Hoje, com a mesma clareza e firmeza, dizemos:
Portugal aos portugueses.
Não por egoísmo, mas por dever.
Não por exclusão, mas por justiça.
Porque só quem ama verdadeiramente a sua Pátria é capaz de defendê-la.
E sem Pátria, não há liberdade, nem futuro, nem dignidade possível.