Pela disposição das suas habitações (povoamento concentrado) e pelo modo de construir das mesmas tem já as marcas especificas da grande serra. A freguesia tem duas partes bem distintas: Uma cá em baixo, depois das quedas do Cabrum no Monte da Rocha, parece uma alcova entre montanhas, abrigada e acolhedora; a outra lá nas alturas, na subida para o planalto de S. Cristóvão, é mais agreste, serrana e
descampada, mas alegre, bonita e cativante. A terra tem paisagens belíssimas e recantos impensáveis. Ovadas de Cima e Panchorrinha são miradouros de privilégio sobre a funda corrente do Cabrum. As verdes tapadas de feno, beira dos riachos, e os recantos silenciosos da Senhora da Penha, são sítios de quietude e pureza tamanhas que, ao usufrui-los, se julga estar no Paraíso. E os moinhos de montanha? Tão belos! Tão antigos! Tão bem casados com a natureza! OS NOMES DA FREGUESIA E DOS LUGARES
A origem do nome Ovadas é muito duvidosa. Por hipótese, poderá dizer-se que resulta do particípio do verbo latino \"Ovo\"... Se assim for, então seria inicialmente \"terras ovatas\", ou seja, adquiridas pela vitória. Há outras topónimos da freguesia mais simples de explicar. É o caso de Roças que significa \"terreno de mato\" e \"lugar onde se roça mato\"; e o caso de Vila Pouca que significa \"vila pequena\"; é o caso de Granja que quer dizer \"herdade cultivada\"; é o caso de Mariares que o povo também dizia Mariais. A sua origem deve estar ligada ao nome de uma importante povoadora medieval do lugar, que se chamaria \"Maria Aires\". Aliás é assim que o nome do lugar aparece no Numeramento de 1527 e nas Inquirições de D. Dinis de 1288. O nome \"Palame\", que se refere a um lugarejo na parte baixa da freguesia, vem do substantivo pelame, ou seja, oficina de surrador e curtidor de peles
in "Resende e a sua História” - Volume 2: As Freguesias, da autoria de Joaquim Correia Duarte