17/04/2026
👇Aldoar está pronta para isto?
🚫 Primeiro a torre, depois logo se vê ☢️
Ontem estive na Sessão pública de apresentação das soluções urbanísticas previstas para a Unidade de Execução de Aldoar. E saí de lá com a sensação de que as prioridades estão meio confusas.
Não reconheço à arquitectura o estudo de soluções sociais. Creio que não está a haver primeiro o estudo social e de integração e só depois a parte da arquitectura. Porque isto não é só desenhar prédios, é mexer com a vida de quem já cá vive. Espero estar errado, mas as consequências levam-me a crer que não!
E o que me surpreende? Não vejo pessoas ligadas à área social a responder. Só vejo arquitectos aos quais, com todo o respeito e carinho, não lhes reconheço competência de excelência para avaliar inserções sociais ou impactos de obras nas freguesias.
De repente, só se fala em torres. E olhem que torres são bem-vindas ao lado de estádios de futebol, autódromos ou de concertos, especialmente se der para não pagar bilhete 😉 Agora em zonas residenciais? Num bairro de baixa edificação? Parece mais inveja das torres da Póvoa, só pode!
E há um detalhe que não é pequeno, estamos a falar de 342 habitações. Isto não é só uma torre. É praticamente uma nova freguesia dentro da freguesia. Mais pessoas, mais carros, mais pressão sobre estacionamento, escolas, centro de saúde, transportes, saneamento e espaços públicos. Aldoar está preparada para isto?
A Câmara justifica com um grande parque urbano de 3 hectares, renaturalização da ribeira, hortas. Isso é positivo? Sim, sou capaz de dizer coisas boas. Mas será que vale a pena destruir o carácter residencial e tranquilo de Aldoar com uma torre gigante? Reduziram de 21 para 17 andares? Muito bem, é porque reconhecem o erro. Mas continua a ser uma aberração para a escala do bairro. E desproporcionada.
Tenho dúvidas sérias neste projeto na vertente social:
· Vai haver reforço de policiamento com o aumento da população e dos espaços públicos?
· Como vai ficar o trânsito? Onde vão estacionar tantas pessoas?
· Os jardins e entradas dos novos prédios não vão tornar-se pontos de concentração de sem-abrigo?
· Estamos a preparar o terreno para mais assaltos e sensação de insegurança? (a zona propicia-se a esta situação)
· Esta zona verde vai ser segura à noite? Ou só vale até às 20h00 no Verão?
· Que impacto terá na vida de quem já cá mora?
Há estudos de arquitectura e urbanismo que mostram: edifícios muito altos em bairros de baixa densidade geram impacto social negativo, isolamento e perda de qualidade de vida. A população de Aldoar (e do Porto, já agora) já demonstrou que não quer torres com alturas exageradas.
342 habitações não são um detalhe. São uma decisão que vai mudar Aldoar durante décadas.
Precisamos de habitação a preços acessíveis, sim. Mas não a qualquer preço. E definitivamente não sem ouvir quem cá vive e sem um estudo de impacto ambiental credível.
Os habitantes de Aldoar estão preocupados com isto? Ou sou só eu, o chato que acha que o estudo social devia vir antes do betão?
Para quem foi ontem à apresentação quero esclarecer que o partido que em campanha queria mais 100 mil habitantes no Porto foi o PS, não foi o Chega 😉
Para curiosos e mais argumentos contra torres: links para estudos 👇
“A evolução e o impacto dos arranha-céus nas cidades” (dissertação da Universidade Fernando Pessoa, Portugal, 2025):
https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/13506/1/TM_39210.pdf
(Fala de isolamento social, desconexão com a rua, gentrificação e perda de habitabilidade)
“EDIFÍCIOS ALTOS” (dissertação técnica sobre construção e impactos, IPP Portugal):
https://recipp.ipp.pt/bitstream/10400.22/2773/1/DM_RuiPereira_2011_MEC.pdf
Artigo sobre o impacto visual e urbanístico no Porto (exemplo da Arrábida):
https://www.publico.pt/2022/09/17/local/noticia/construcoes-arrabida-roubam-protagonismo-ponte-impacto-brutal-2020850
“IMPACTOS DE EDIFÍCIOS ALTOS NA PERCEPÇÃO DA ESTÉTICA URBANA” (tese completa sobre impactos negativos):
https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/90443/000912044.pdf?sequence=1&isAllowed=y