28/06/2023
O Atentado de Sarajevo que provocou a 1ª Guerra Mundial...
Hoje 28 de Junho mas do ano de 1914, o nacionalista jugoslavo Gavrilo Princip assassina, em Saraievo na Bósnia, o Arquiduque Francisco Fernando da Áustria (herdeiro do trono austro-húngaro) e sua esposa, a Duquesa Sofia de Hohenberg. Eles foram baleados à queima-roupa enquanto passeavam por Sarajevo, capital da província da Bósnia-Herzegovina, formalmente anexada pela Áustria-Hungria em 1908.
in diversas fontes.
O objectivo político do assassinato era libertar a Bósnia e Herzegovina do domínio austro-húngaro e estabelecer um Estado para eslavos do sul ("iugoslavo"). O assassinato precipitou a Crise de Julho, que levou a Áustria-Hungria a declarar guerra ao Reino da Sérvia e ao início da Primeira Guerra Mundial.
O grupo de assassinos foi ajudado pela Mão Negra, um grupo secreto de nacionalistas sérvios. O apoio veio de Dragutin Dimitrijević, na altura chefe da secção de inteligência militar do estado-maior sérvio, bem como do Major Vojislav Tankosić e de Rade Malobabić, um agente da inteligência sérvia. Tankosić forneceu bombas e pi***las aos assassinos e treinou-os no seu manuseio. Os assassinos tiveram acesso à mesma rede clandestina de esconderijos e agentes que Malobabić usou para a infiltração de armas e agentes na Áustria-Hungria.
Os assassinos e os principais membros da rede clandestina foram julgados em Sarajevo em Outubro de 1914. No total, 25 pessoas foram indiciadas. Todos os seis assassinos, excepto Mehmedbašić, tinham menos de vinte anos na altura do assassinato, enquanto o grupo era dominado por sérvios bósnios, quatro dos indiciados eram croatas bósnios e todos eram cidadãos austro-húngaros, nenhum da Sérvia. Gravilo Princip foi considerado culpado de assassinato e alta traição, jovem demais para ser executado, ele foi condenado a vinte anos de prisão, enquanto os outros quatro agressores também receberam p***s de prisão. Cinco dos prisioneiros mais velhos foram condenados à forca. Os membros da Mão Negra foram presos e julgados perante um tribunal sérvio em Salonica em 1917 sob acusações forjadas de alta traição; a Mão Negra foi dissolvida e três dos seus líderes foram executados. Muito do que se sabe sobre os assassinatos vem desses dois julgamentos e registos relacionados. O legado de Gravilo Princip foi reavaliado após a dissolução da Iugoslávia e a opinião pública sobre ele nos países pós-Iugoslávia é amplamente dividida em linhas étnicas.
Nos termos do Tratado de Berlim assinado em 1878, o Vilayet da Bósnia foi ocupado e colocado sob administração Austro-Húngara, embora oficialmente continuasse sob a soberania do Império Otomano. Pelo mesmo Tratado, Áustria-Hungria, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Império Otomano e Rússia reconheceram o Reino da Sérvia como um Estado soberano. Inicialmente, os monarcas sérvios aceitaram reinar dentro dos limites estabelecidos pelo Tratado.
A situação mudou em 1903 com o chamado Golpe de Maio, quando oficiais liderados por Dragutin Dimitrijević invadiram o Palácio Real. O grupo capturou Laza Petrović, Chefe da Guarda do Palácio, e forçou-o a revelar o esconderijo do Rei Alexandre I e da Rainha Draga. Encontrados, os soberanos foram brutalmente assassinados e os seus corpos atirados por uma das janelas do palácio. Os irmãos da Rainha também foram mortos, por ordens de Vojislav Tankosić que, juntamente com Dimitrijević, foi uma das figuras proeminentes na trama para assassinar o Arquiduque Francisco Fernando. Os insurgentes proclamaram Pedro I, da Casa de Karađorđević, como o novo Rei da Sérvia.
A nova dinastia, de pendor nacionalista, aproximou-se da Rússia e afastou-se da Áustria-Hungria. Durante a década que se seguiu, tiveram lugar vários conflitos entre a Sérvia e os estados vizinhos, com o objectivo de restabelecer o poderio e as fronteiras do antigo Império do século XIV. Estes conflitos incluíram uma disputa aduaneira com a Áustria-Hungria no início de 1906, conhecida como "Guerra dos Porcos", a Crise Bósnia de 1908-1909, durante a qual a Sérvia exigiu uma compensação da Áustria-Hungria pela anexação da Bósnia e Herzegovina e, finalmente, as duas Guerras dos Balcãs de 1912-1913, onde a Sérvia conquistou a Macedónia e o Kosovo - pertencentes ao Império Otomano.
Os sucessos militares e a indignação pela anexação austro-húngara da Bósnia incentivaram a mobilização de nacionalistas sérvios em torno de organizações "culturais", que se opunham ao governo austríaco. Nos cinco anos anteriores a 1914, houve uma série de tentativas de assassinato contra autoridades austro-húngaras na Croácia e na Bósnia…atentados executados, na maior parte das vezes, por cidadãos sérvios da Áustria-Hungria.
Em 1913, o Imperador Francisco José I da Áustria encarregou o seu sobrinho e herdeiro, o Arquiduque Francisco Fernando de assistir às manobras militares que ocorreram na Bósnia em Junho de 1914. Após a inspeção, o Arquiduque planejava visitar Sarajevo com sua esposa, onde inauguraria as novas instalações do Museu Público. Segundo o seu filho mais velho, o Duque Maximiliano, a Duquesa Sofia teria acompanhado o marido por temer pela sua segurança.
Francisco Fernando só obteve autorização para se casar após aceitar uma série de condições impostas por Francisco José I, entre elas a de que nenhum dos seus descendentes jamais pudesse ascender ao Trono. Duquesa Sofia, no papel de uma "Condessa Checa, era tratada como cidadã comum na Corte Austríaca". O 14º aniversário da união morganática seria a 28 de Junho. Como o historiador A.J.P. Taylor escreveu:
"(Sofia) jamais poderia compartilhar da posição (de Francisco Fernando)… jamais poderia compartilhar da sua grandeza, nem sequer se sentar ao seu lado em qualquer ocasião pública. Havia uma brecha… sua esposa poderia desfrutar do reconhecimento da sua posição quando ele estivesse exercendo uma função militar. Assim, ele decidiu em 1914, inspecionar o exército na Bósnia. Na sua capital, Sarajevo, o Arquiduque e sua esposa poderiam sentar-se lado a lado numa carruagem aberta… Por amor, o Arquiduque seguiu para a morte".
Francisco Fernando era um defensor dos Estados Unidos da Grande Áustria, um projecto federalista que reorganizaria a Áustria-Hungria a partir da criação de estados eslavos semi-autónomos reunidos no Império sob uma terceira coroa. Um reino eslavo poderia ter sido um reduto contra o irredentismo sérvio, visto pelo Arquiduque como uma ameaça. Gravilo Princip declarou mais tarde ao Tribunal que uma das suas motivações era impedir o plano de reformas de Francisco Fernando. No dia do assassinato a 28 de Junho (15 de Junho pelo Calendário Juliano), era comemorada a Festa de São Vito, conhecida na Sérvia como Vidovdan, onde se celebra o sucesso da Batalha do Kosovo de 1389 contra os otomanos …na qual o Sultão Murade I foi assassinado na sua tenda por um sérvio.
Danilo Ilić - um servo-bósnio que já havia sido professor e bancário - viveu, entre 1913 e 1914, com sua mãe, que dirigia uma pequena pensão em Sarajevo. Secretamente, entretanto, Ilić dirigia a Mão Negra, facção terrorista dos irredentistas sérvios na cidade. No final de 1913, ele esteve no posto de escuta sérvio em Užice, onde se encontrou com o oficial encarregado, o capitão C.A. Popović (um membro da Mão Negra). Ilić recomendou que se passasse do estágio de organização revolucionária para um plano de acção directa contra a Áustria-Hungria.
Popović enviou-o, então, a Belgrado, para discutir o assunto com o Chefe da Inteligência Militar Sérvia, Coronel Dragutin Dimitrijević, mais comumente conhecido pelo codinome "Apis". Naquele ano, o Coronel e outros conspiradores militares (que participaram activamente do Golpe de Maio de 1903) passaram a dominar o que restava da Mão Negra.
Não há relatos sobre o que ocorreu entre Ilić e "Apis" mas, logo após seu encontro, o braço direito do Coronel (e confrade na Mão Negra), Major Vojislav Tankosić (que estava no comando dos treinamentos de guerrilha), convocou uma reunião com os irredentistas sérvios em Toulouse, França. Entre os convocados para esta reunião estava Muhamed Mehmedbašić, carpinteiro de profissão, filho de um nobre muçulmano empobrecido da Herzegovina e membro da Mão Negra…tendo sido empossado na organização por Vladimir Gacinović, diretor provincial para a Bósnia e Herzegovina, e por Ilić. Mehmedbašić dizia-se "ansioso para realizar um acto de terrorismo para reavivar o espírito revolucionário da Bósnia". Embora a reunião de Toulouse, em Janeiro de 1914, tenha trazido ao debate os nomes de várias personalidades austro-húngaras (incluindo Francisco Fernando) como possíveis alvos dos atentados, os participantes decidiram-se por enviar Mehmedbašić a Sarajevo para matar o Governador da Bósnia, Oskar Potiorek.
No caminho entre a França e a Bósnia e Herzegovina, o trem em que Mehmedbašić viajava foi revistado por polícias, que procuravam por um ladrão. Temendo ser revistado também, Mehmedbašić atirou as suas armas (uma adaga e uma garrafa de veneno) pela janela e, ao chegar a Sarajevo, saiu em busca de outras armas para a execução do plano.
A 26 de Março de 1914, quando Mehmedbašić estava pronto para agir contra Potiorek, Ilić convocou-o para outra reunião e informou que Belgrado havia descartado a missão de matar o Governador. As novas ordens eram para eliminar o Arquiduque Francisco Fernando e Mehmedbašić deveria ficar de prontidão.
Ilić recrutou os jovens sérvios Vaso Čubrilović e Cvjetko Popović para participarem no atentado logo após a Páscoa. Três jovens - Gavrilo Princip, Trifun Grabež, e Nedjelko Čabrinović… servo-bósnios residentes em Belgrado, testemunharam no julgamento de Sarajevo que, quase na mesma altura (um pouco depois da Páscoa), eles estavam ansiosos por realizar um assassinato e aproximaram-se de um colega bósnio - Milan Ciganović, ex-guerrilheiro e que, por meio dele, chegaram ao Major Tankosić, que os encarregou de transportar armas para Sarajevo e tomar parte no atentado.
Os planos, entretanto, foram adiados por mais de um mês. O grupo foi contactado por Ciganović, que os colocou a par dos acontecimentos: "Não há nada a fazer, o velho Imperador está doente e o herdeiro não virá à Bósnia". Quando Francisco José se restabeleceu, a operação foi retomada e Tankosić deu aos assassinos uma pi***la para que praticassem.
O restante das armas foi finalmente entregue a 26 de Maio. Os três assassinos de Belgrado testemunharam que o Major Tankosić lhes forneceu, diretamente e também por intermédio de Ciganović, seis granadas, quatro pi***las automáticas Browning e munição, além de dinheiro, pílulas de suicídio, treinamento, um mapa especial com o posicionamento da guarda, contactos de um túnel clandestino usado para infiltrar agentes e armas na Áustria-Hungria e um pequeno cartão que os autorizava a utilizar aquele túnel. Tankosić confirmou posteriormente ao jornalista e historiador Luciano Magrini que tinha fornecido as bombas e pi***las, que foi responsável pelo treino de Princip, Grabež e Čabrinović e que a ideia das pílulas de suicídio foi sua.
Princip, Grabež e Čabrinović deixaram Belgrado num barco a 28 de Maio, viajando ao longo do Rio Sava até Šabac, onde entregaram o pequeno cartão ao Capitão Popović, da polícia de fronteira sérvia. Popović, por sua vez, forneceu-lhes uma Carta para ser entregue ao Capitão sérvio Prvanović e preencheu um formulário com os nomes de três funcionários aduaneiros cujas identidades eles poderiam assumir para receber passagens de comboio com desconto na viagem para Loznica, uma pequena cidade da fronteira.
Ao chegarem a Sarajevo, a 4 de Junho, Princip, Grabež e Čabrinović seguiram caminhos diferentes: o primeiro encontrou-se com Ilić, depois visitou a sua família em Hadžici e voltou à capital a 6 de Junho, hospedando-se na casa da mãe de Ilić; Grabež juntou-se à sua família em Pale e Čabrinović voltou para a casa do seu pai em Sarajevo.
A 14 de Junho, Ilić viajou para Tuzla a fim de trazer as armas para Sarajevo. De lá, seguiu com Miško Jovanović para Doboj, onde este mantinha o armamento escondido numa grande caixa de açúcar. Para não levantar suspeitas, os dois viajaram em comboios separados. Nesse mesmo dia Ilić regressou a Sarajevo, tendo o cuidado de trocar de comboio nos limites da cidade, transferindo-se rapidamente para uma camionete para evitar a deteção da polícia. Ao chegar à casa de sua mãe, Ilić escondeu as armas numa mala sob um sofá e viajou, por volta de 17 de Junho, para Brod. Questionado no julgamento sobre a finalidade da viagem, Ilić forneceu informações confusas, afirmando inicialmente que tinha viajado a Brod para impedir o assassinato e posteriormente, que tinha regressado a Sarajevo para aquele fim.
Ilić começou a distribuir as armas aos conspiradores a 27 de Junho. Até essa data ele manteve segredo sobre as identidades dos assassinos de Belgrado aos que tinham sido recrutados em Sarajevo e vice-versa. Segundo Mehmedbašić "na véspera do ataque Ilić apresentou-me a Princip, num café de Sarajevo com as palavras 'Mehmedbašić estará connosco amanhã'". Os três enviaram um cartão postal para Vladimir Gaćinović, director provincial da Mão Negra para a Bósnia e Herzegovina, que se encontrava em França. Na manhã do dia 28 de Junho, Ilić posicionou os seis assassinos ao longo da rota da comitiva Imperial, exortando-os à bravura.
Na manhã de 28 de Junho de 1914, Francisco Fernando e a sua comitiva partiram de comboio de Ilidža para Sarajevo, onde foi recebido com grande p***a pelo Governador Oskar Potiorek. Seis carros foram colocados à disposição da comitiva. Entretanto, por engano, três agentes da polícia local embarcaram no primeiro carro juntamente com o Chefe de Segurança Especial, enquanto os oficiais ao seu serviço foram deixados para trás. O segundo carro levava o Prefeito e o Chefe de Polícia de Sarajevo. O terceiro carro era um Gräf & Stift, veículo desportivo conversível, onde Francisco Fernando, Sofia, o Governador Potiorek e o Tenente-Coronel Conde Franz von Harrach embarcaram. Segundo o programa oficial da visita, a primeira paragem da comitiva seria num Quartel, para uma rápida inspeção. Às 10 horas da manhã, o grupo seguiu para a Câmara Municipal.
A comitiva passou pelo primeiro terrorista, Mehmedbašić, que tinha sido posicionado por Ilić em frente ao jardim do Café Mostar. Entretanto, ele não conseguiu atirar a sua bomba sobre o carro do Arquiduque. Vaso Čubrilović, que estava ao seu lado com uma pi***la e uma bomba, também não conseguiu agir. O próximo terrorista por quem a comitiva passaria era Nedeljko Čabrinović, armado com uma bomba no lado oposto da rua paralela ao rio Miljacka.
Às 10h10min da manhã, o carro de Francisco Fernando aproximou-se e Čabrinović atirou a sua bomba. Entretanto, o artefacto bateu na capota aberta do veículo e caiu na rua, explodindo sob o carro seguinte da comitiva. A explosão abriu no chão um buraco de 30 cm de diâmetro e feriu um total de 20 pessoas.
Após o ataque, Čabrinović engoliu a cápsula de cianureto e pulou para o rio Miljacka. Porém, a tentativa de suicídio fracassou, pois o terrorista vomitou o veneno e o rio tinha ap***s cerca de 12 centímetros de profundidade. Detido pela polícia, Čabrinović foi agredido pela multidão antes de ser levado em custódia.
A comitiva partiu em disparada em direcção à Câmara Municipal, deixando o carro danificado para trás. Cvjetko Popović, Gavrilo Princip e Trifun Grabež não conseguiram efetuar nenhum ataque contra o grupo, devido à velocidade com que se deslocavam.
Ao chegar à Câmara Municipal para uma recepção oficial, Francisco Fernando mostrou claros sinais de irritação e stress, interrompendo um discurso de boas vindas do Prefeito Curcic para protestar: "Senhor Prefeito, eu vim aqui para uma visita e lançaram bombas contra mim. É ultrajante!". A Duquesa Sofia, então sussurrou algo ao ouvido do marido. Francisco Fernando fez uma pausa e disse ao Prefeito: ".. Agora você pode falar". Finalmente o Arquiduque acalmou-se e o prefeito fez o seu discurso. Quando chegou o momento de Francisco Fernando discursar,ele acrescentou ao texto já preparado algumas observações sobre os acontecimentos do dia agradecendo ao povo de Sarajevo pela "expressão da sua alegria com o fracasso da tentativa de assassinato."
Oficiais e membros da comitiva do Arquiduque discutiram o que fazer a seguir. Francisco Fernando e Sofia cancelaram a sua agenda para visitar os feridos pelo atentado no hospital. O Conde Harrach colocou-se no estribo esquerdo do carro para proteger o Arquiduque. Às 10h45min da manhã, Francisco Fernando e Sofia embarcaram, como antes, no terceiro carro da comitiva. A fim de evitar o centro da cidade, o Governador Potiorek decidiu que o veículo imperial deveria seguir em linha recta ao longo do cais Appel para o Hospital de Sarajevo. No entanto, Potiorek esqueceu-se de informar o motorista, Leopold Lojka, sobre esta decisão. No caminho para o Hospital, Lojka entrou à direita na Rua Francisco José.
Após saber que o plano de assassinato se havia malogrado, Princip foi até uma delicatessen nas proximidades. No curto trajecto o sérvio avistou o carro aberto de Francisco Fernando manobrando próximo da Ponte Latina. Neste momento, o motorista iniciava o regresso para tomar o caminho certo para o Hospital de Sarajevo, mas o motor do veículo parou durante a manobra e Princip teve a sua oportunidade.
Princip avançou e disparou dois tiros a uma distância de cerca de cinco metros, usando uma pi***la semi-automática 9x17mm (.380 ACP) FN modelo 1910, com o número de série #19074.[69] A primeira bala atingiu o Arquiduque na veia jugular e a segunda atingiu o abdomen da Duquesa. Princip foi imediatamente detido. Durante o julgamento ele afirmaria que a sua intenção não era matar Sofia, mas o Governador Potiorek.
Gravemente ferido, o casal foi levado para atendimento médico na residência do Governador. Conforme relatado pelo Conde Harrach, as últimas palavras de Francisco Fernando foram: "Sofia, Sofia! Não morra! Viva para os nossos filhos!" seguidas por seis ou sete declarações de "Não é nada", em resposta às perguntas do Conde sobre o seu estado. As suas palavras foram, então, seguidas por um longo estertor. Sofia morreu antes de chegar à residência do Governador. Francisco Fernando morreu 10 minutos depois.
O assassinato do Arquiduque Francisco Fernando chocou toda a Europa e gerou a simpatia internacional pela posição austríaca. Dois dias após o assassinato, o Império Austro-Húngaro, apoiado pelo Império Alemão, exigiu do Reino da Sérvia a abertura de uma investigação, mas Slavko Gruic, secretário geral do Ministério do Exterior sérvio, respondeu que "Nada foi feito até agora e o assunto não diz respeito ao Governo Sérvio". Seguiu-se, então, uma tensa negociação entre o encarregado de negócios austríaco em Belgrado e Gruic. Após a realização de uma investigação criminal, certificando-se de que a Alemanha iria honrar a sua aliança militar com a Áustria Hungria e de convencer o céptico Conde Tisza sobre a necessidade de retaliações contra o Governo Sérvio, o Governo Austríaco enviou uma carta formal ao Governo da Sérvia, lembrando o seu compromisso de respeitar a decisão das grandes potências sobre a Bósnia e Herzegovina e de manter boas relações com a Áustria-Hungria. A carta também exigia providências para evitar a divulgação de propaganda alusiva à destruição violenta da Áustria-Hungria, a destituição dos responsáveis que pertenciam às forças armadas sérvias, a prisão de todos os envolvidos na trama de assassinato que se encontrassem em território sérvio e o bloqueio do envio clandestino de armas e explosivos da Sérvia para a Áustria-Hungria.
Esta carta ficou conhecida como o Ultimato de Julho, uma vez que o Governo Austro-Húngaro ameaçou chamar de volta a Viena seu embaixador em Belgrado caso a Sérvia não aceitasse todas as exigências no prazo de 48 horas. Após receber um telegrama de apoio da Rússia, a Sérvia mobilizou o seu exército e respondeu ao ultimato, aceitando incondicionalmente os itens n.º 8 - que exigia o fim do contrabando de armas e a punição dos oficiais de fronteira que tinham colaborado com os assassinos - e n.º 10…que exigia um relatório sobre a execução das medidas impostas conforme elas fossem concluídas. De forma astuta, a Sérvia aceitou parcialmente ou rejeitou polidamente os elementos do preâmbulo e os itens 1 a 7 e 9. A Áustria-Hungria reagiu rompendo relações diplomáticas com a Sérvia.
No dia seguinte, reservistas sérvios transportados por navios fretados pelo Danúbio cruzaram a fronteira austro-húngara do Rio em Temes-Kubin, sendo advertidos por soldados com tiros para o ar. O relatório deste incidente foi inicialmente esboçado e relatado ao Imperador Francisco José I como "um Conflito Considerável". Diante disso, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia a 28 de Julho de 1914 e mobilizou a porção do seu exército que iria enfrentar o (já mobilizado) exército sérvio. Nos termos do Tratado Secreto de 1892, o Império Russo e França também foram obrigados a mobilizar os seus exércitos. Em breve, todas as grandes potências, com exceção do Reino da Itália e da Grã-Bretanha (que, no entanto tinha um acordo secreto de defender a França em caso de um ataque alemão), tinham escolhido os seus aliados e partido para o conflito que passou à história como a Primeira Guerra Mundial.
Este conflito mundial, rapidamente ultrapassou as fronteiras da Europa, abrangendo todo o mundo onde os beligerantes possuíam colónias.
O Armistício entre as forças em guerra é assinado a 11 de Novembro de 1918, após terem morrido 10 milhões de civis, 9 milhões de soldados e terem ficado feridos outros 21 milhões, muitos deles mulheres e crianças indefesas que ap***s ambicionavam viver o seu dia-a-dia em paz.
Leonor Especial