06/02/2026
O VOTO COMO ESCUDO, A AÇÃO COMO ESPADA
INTRODUÇÃO: A ESTRATÉGIA
Perante a encruzilhada histórica desta 2.ª volta, o Movimento Ação Revolucionária (MAR) não vacila. A nossa análise não se curva perante o imediatismo nem se rende ao medo; ela serve para armar a classe trabalhadora com a verdade. Este comunicado é o roteiro para quem recusa escolher entre carrascos, mas compreende que, na guerra, o terreno onde lutamos determina a nossa vitória. A nossa missão final é a extinção completa do Estado e do Capital, mas a nossa tática hoje é a autodefesa ativa contra o fascismo.
I. A FARSA ELEITORAL E O REPÚDIO AO ESTADO BURGUÊS
O MAR recusa normalizar o circo eleitoral burguês. A abstenção na 1.ª volta (47.74%) não foi indiferença; foi um ato de repúdio claro de um povo cansado de ser tratado como figurante num coliseu romano montado pela comunicação social colaboracionista.
● A Mentira do “Presidente de Todos”: Numa sociedade dividida entre exploradores e explorados, esta afirmação é um insulto. Quem defende o Capital jamais defenderá o Trabalho; os interesses são irreconciliáveis.
● A Engrenagem Partidária: Todos os candidatos são peças de uma máquina desenhada para manter o status quo. A evocação de carrascos como Passos Coelho — o rosto da Troika que o povo combateu nas ruas — prova que a elite quer restaurar o regime de exploração máxima. Não negociamos com a burguesia nem aceitamos paliativos.
● O Circo Mediático: Enquanto o povo é distraído com futebol e polémicas estéreis, o imperialismo atravessa uma crise sistémica que arrasta o país para o abismo, sob a subserviência de uma direita que se ajoelha perante interesses estrangeiros e o governo de Montenegro.
II. O FASCISMO: O PLANO DE CONTINGÊNCIA DO CAPITAL
O candidato da extrema-direita não é apenas um político burguês; é o rosto do fascismo, o plano de contingência armado que o Capital aciona quando a democracia liberal já não consegue conter a revolta.
● O Fim da Dissidência e a Ameaça Presidencialista: A ideia de uma "Nova República", defendida por ele, não é um slogan vazio; é um projeto de poder absoluto. O que o candidato fascista propõe é a transição para um regime presidencialista autocrático, concentrando o poder executivo numa única figura e esvaziando o parlamento. Isto implica uma revisão constitucional radical destinada a varrer os direitos sociais, o direito à greve e a proteção das minorias.
● Revisão Constitucional e Legitimação da Repressão: Não temos ilusões sobre a natureza de classe da atual Constituição, ela é, na sua essência, um documento burguês. Contudo, ela contém ainda os vestígios de uma força progressista, conquistada com o sangue e suor da classe operária em 1976, que garante direitos fundamentais de saúde, educação e liberdade. Reconhecemos que, revisão após revisão, estas garantias têm sido enfraquecidas, abrindo brechas na nossa defesa. No entanto, permitir que o fascismo rasgue o que resta desta trincheira legal seria um erro imperdoável. O fascismo significa o fim da organização operária e a perseguição aberta a mulheres, imigrantes, pessoas LGBTQIA+, etc.
● Onde se Trava a Barbárie: O fascismo não se derrota com o voto, mas nas ruas, nas fábricas e nos campos. Votar noutro capitalista não resolve a raiz do problema — a existência do Estado —, mas impede que a nossa luta seja empurrada para uma clandestinidade letal.
III. O VOTO CRÍTICO COMO TÁTICA DE GUERRA DEFENSIVA
Não temos ilusões: o candidato dito “socialista” é um gestor do capitalismo. O seu apoio ao vergonhoso Pacote Laboral, que entrega os trabalhadores aos pés do patronato, prova que ele é parte da exploração. Contudo, para o MAR, o voto neste domingo não é um ato de fé, é uma tática de guerra defensiva:
● Travar o Fascismo: Votamos para impedir que o Estado caia nas mãos de quem nos quer ilegalizar, perseguir e exterminar. Sob a democracia burguesa, a luta é árdua; sob o fascismo, a luta é clandestina e letal.
● Preservar o Campo de Batalha: Precisamos de espaço para construir a autogestão e a democracia direta. O voto é o escudo que protege a nossa capacidade de organização.
● Recusa do Reformismo: Não votamos com fraqueza, mas com frieza estratégica. O reformismo não é um caminho; é uma tática de sobrevivência do capital que devemos esmagar.
CONCLUSÃO: A REVOLUÇÃO É TOTAL E ININTERRUPTA
Neste domingo, dia 8, apelamos ao voto crítico em prol da democracia e em defesa da Constituição Portuguesa. Não delegamos o nosso poder nem aceitamos o sistema; usamos o voto como escudo, para que a nossa ofensiva continue.
A nossa Revolução não conhece pausas. A luta não parou; ela prossegue agora, no domingo e em todos os dias que virão. Na segunda-feira, dia 9, continuaremos nas ruas, nas fábricas e nas escolas, combatendo o Pacote Laboral e o governo.
Usamos o voto como escudo, para depois usarmos a Ação Direta como espada rumo à aniquilação total do Estado e do Capital.
A Revolução é Agora! O Amanhã Será Nosso!