02/07/2026
O país encontra‑se sob uma onda de calor extremo, com o concelho do Porto em aviso laranja e vermelho até sábado, segundo informação do IPMA. As temperaturas previstas representam risco signif**ativo para a saúde pública, exigindo atenção imediata, tendo em conta o impacto que fenómenos climáticos extremos têm na vida das pessoas, nos serviços municipais e na segurança urbana.
A situação atual confirma aquilo que a evidência científ**a e os instrumentos municipais já identif**am: o calor extremo é hoje o risco climático que mais mata na Europa, e as autarquias são a linha da frente da resposta.
Na Europa, só desde a semana passada, esta vaga de calor já fez mais de 1300 vítimas mortais. A Organização Mundial de Saúde fez um apelo para que sejam aplicados planos de prevenção nos países afetados.
No Porto, a presente onda de calor coloca em risco: ● trabalhadores municipais e contratados em funções exteriores (limpeza urbana, manutenção de jardins, obras públicas, recolha de resíduos, manutenção de águas); ● pessoas em situação de sem‑abrigo;
● famílias que vivem em habitações sem condições térmicas adequadas; ● idosos isolados e pessoas com doenças crónicas; ● crianças e jovens em equipamentos educativos e de tempos livres; ● utilizadores de transportes públicos e espaços públicos expostos.
A presente onda de calor ocorre num contexto em que a cidade tem enfrentado episódios de risco acrescido. Recordamos que, nos últimos anos, o Porto registou incêndios urbanos de difícil combate, como o incêndio no armazém da Auto Sueco, que obrigou à evacuação de edifícios contíguos, e o incêndio num restaurante que levou ao encerramento de várias ruas na Baixa.
O Município do Porto dispõe de instrumentos como a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas, o Plano Municipal de Ação Climática e o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil do Porto, mas estes documentos exigem atualização e operacionalização reforçada.
Importa ainda sublinhar que, em várias cidades europeias, já existem sistemas municipais de alerta climático, redes de refúgios de calor, protocolos de proteção de trabalhadores expostos, planos de vigilância ativa de populações vulneráveis e campanhas permanentes de literacia climática. Estes mecanismos demonstram que é possível reduzir riscos quando existe coordenação, antecipação e informação pública clara.
O Bloco dirigiu algumas perguntas a Pedro Duarte que requerem resposta urgente:
1.Que medidas imediatas estão a ser implementadas para proteger trabalhadores municipais e contratados que desempenham funções exteriores durante o período de aviso vermelho?
2. Que articulação existe entre o Município, as Juntas de Freguesia, a Proteção Civil, as entidades de saúde e as organizações sociais para garantir locais de abrigo, hidratação e acompanhamento de pessoas vulneráveis?
3.Que mecanismos de comunicação pública de expressão local estão a ser utilizados para informar a população sobre riscos, cuidados e recursos disponíveis durante a presente onda de calor?
4. Que plano de contingência municipal está preparado para episódios de calor extremo, tendo em conta a frequência crescente destes fenómenos e a necessidade de adaptação climática?
5.Que atualização está prevista para os instrumentos municipais relevantes (EMAAC, PMAC, PMEPC), de forma a integrar respostas específ**as para ondas de calor, incluindo alertas, refúgios climáticos, protocolos de proteção laboral e vigilância ativa de populações vulneráveis?