A Ilha - Quinta do Sobral

A Ilha - Quinta do Sobral Natural porque não é artificial; histórico da família Vasconcelos.

Umas extravagâncias (ou quase) em tons de vermelho (ou quase).
29/01/2024

Umas extravagâncias (ou quase) em tons de vermelho (ou quase).

BOOOOOOOOOOM DIA CAROS AMIGOSHoje, o tempo continua de chuva e vento e já sabemos que Irene está com um novo ataque de m...
17/01/2024

BOOOOOOOOOOM DIA CAROS AMIGOS

Hoje, o tempo continua de chuva e vento e já sabemos que Irene está com um novo ataque de mau feitio e faz estragos auxiliada por um fole soprador nas mãos de Éolo logo ajudado por Bóreas frio e violento e Favonius, o criador de tempestades, atravessam o território enquanto no mar Neptuno e Poseidon, os responsáveis pela instabilidade do espaço líquido lançam-se contra as margens.
Perfila-se nova onda de depressões e lá vamos assistir ao baptismo alfabético destes fenómenos meteorológicos. que Júpiter e Zeus observam, considerando uma justa punição para os homens que não souberam respeitar a sua única casa que devia servir de abrigo e regalo e afinal é terra de perturbações naturais e de perigos.

Um jornalista foi agredido nas instalações da Universidade Católica quando exercia a sua actividade no âmbito de um debate político em que participava também o CHEGA e que havia sido convocada pelos estudantes.
Cada vez que um jornalista é atacado, no exercício da sua profissão é o direito à informação e a democracia que estão sob ataque.
A democracia pode ter muitos defeitos mas é, sem dúvida, o único sistema político que eu conheço como o mais equilibrado e capaz de dar voz a todos os que queiram participar. Uma garantia de uma participação sem atropelos cívicos. Populismo e autoritarismo não fazem parte da democracia.

O que se passa na Global Media é mais um exemplo do que não é admissível que aconteça tal a gravidade da estratégia adoptada para calar vozes independentes e domesticar a informação. DN e JN são títulos históricos e TSF a rádio que foi criada para manter a independência política na informação.

As guerras continuam a multiplicar-se abanando, cada vez mais, o edifício da paz e do progresso. Milhares de mortos e a destruição terrível associada ao drama dos feridos, dos refugiados. O perigo da globalização dos conflitos regionais. A incapacidade da ONU em fazer valer aquela que devia ser a sua autoridade no respeito pelos direitos humanos e a paz entre os povos.

Uma cadeira vazia no silêncio de um horizonte distante pode ser em sentido figurado aquilo que é um mundo cada vez mais cruel e sem os valores da solidariedade, igualdade e fraternidade deviam sustentar a humanidade.

Tenhamos um excelente dia.

LUGARES COM HISTÓRIAPALÁCIO DA BOLSA - MONUMENTO NACIONALSede da Associação Comercial do Porto, serve agora para os mais...
16/01/2024

LUGARES COM HISTÓRIA
PALÁCIO DA BOLSA - MONUMENTO NACIONAL
Sede da Associação Comercial do Porto, serve agora para os mais diversos eventos culturais, sociais e políticos da cidade o Palácio da Bolsa, ou Palácio da Associação Comercial do Porto, na cidade do Porto, começou a ser construído em Outubro de 1842, em virtude do encerramento da Casa da Bolsa do Comércio, o que obrigou temporariamente os comerciantes portuenses a discutirem os seus negócios na Rua dos Ingleses, em pleno ar livre.
Mistura de estilos arquitectónicos o edifício apresenta em todo o seu esplendor, traços do neoclássico oitocentista, arquitectura toscana, assim como o neopaladiano inglês.
O Salão Árabe detém o maior destaque de todas as salas do palácio devido, como o nome indica, a estuques do século XIX legendados a ouro com caracteres arábicos que preenchem as paredes e tecto da sala. É neste salão que tem lugar as homenagens a chefes-de-estado que visitam a cidade.
Na Sala dos Retratos encontra-se uma famosa mesa do entalhador Zeferino José Pinto que levou três anos a ser construída, revelando-se um "exemplar altamente qualif**ado em todas as exposições internacionais a que concorreu".
(fontes: wikipédia e site do MC)

AO CAIR DO PANOHOJE É O DIA DE ZAMENHOFF!em honra do inventor do Esperanto, Ludvicw Zamenhoff, nascido em Varsóvia a 15 ...
15/12/2023

AO CAIR DO PANO

HOJE É O DIA DE ZAMENHOFF!
em honra do inventor do Esperanto, Ludvicw Zamenhoff, nascido em Varsóvia a 15 de Dezembro de 1859.
Língua auxiliar falada, em todo o mundo, estima-se que por cerca de 10 milhões de pessoas não fluentes e 2 milhões de falantes fluentes, surgiu em 1887 com a publicação da UNUA LIBRO, (O Primeiro Livro) cujo autor prefaciava o objectivo de quebrar as barreiras linguísticas e unir os diferentes povos por uma linguagem e escrita comuns. Utilizado em cartas, intercâmbios culturais, convenções, transmissões de rádio e de televisão e outros eventos onde se fala mais do que um idioma nunca atingiu os objectivos que propunha o seu criador.
Caricaturas à parte, é conhecida a frase: "I like beaucoup de bananas because n' a pas de caroços!" com que se parodia a universalidade de uma língua.

A MOEDA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO foi a 15 de dezembro de 1995 que a futura moeda única foi baptizada com o nome de EURO, atribuído ao deputado belga German Pirloit. Quatro anos depois seria introduzida nos mercados financeiros mundiais enquanto 'unidade de conta em substituição da antiga Unidade Monetária Europeia (ECU).
As moedas e notas físicas de EURO entraram em circulação no primeiro dia de Janeiro de 2002, em Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Bélgica, Holanda. Luxemburgo, Irlanda e Alemanha com o valor de paridade em relação ao dólar de 1,1672 dólares por cada euro.

QUANDO ABRIMOS OS OLHOS, são as janelas do corpo que se abrem, e tudo o que nos rodeia f**a reflectido dentro de nós. O mundo de cada um. Mas raramente o mundo de cada um é igual ao do próximo, embora ambos tenham o mesmo cenário à sua volta. F**a, então, a palavra para descrever o que os olhos vêem.
Mas, não basta ter ouvidos para ouvir o que é dito porque também aquilo que for dito como interpretação do que se está a ver pode ser entendido, pelo outro, de maneira diferente. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.

QUEM GOSTA, VOLTA / QUEM GOSTA MUITO, F**A.

Havu grandan tagon!

E SE FOSSEM TRÊS RAINHAS MAGAS?Melquiora levava uma colherzinha de prata para as primeiras papas, Baltazara, um ursinho ...
11/12/2023

E SE FOSSEM TRÊS RAINHAS MAGAS?

Melquiora levava uma colherzinha de prata para as primeiras papas, Baltazara, um ursinho de peluche bem macio e fofo e Gasparina, um pequeno sino para o berço com música suave.
E ainda ajudaram ao parto porque José estava manifestamente atrapalhado e meia dúzia de pastores nas redondezas, rapazolas longe de saberem alguma coisa da vida, a não ser um deles mais velho que era bombeiro e tinha experiência de assistir a partos de urgência, em camelos a caminho do hospital de Nazareth pois urgências pediátricas de Zeitah e de Yafi'a fechavam ao fim de semana.
Baltazara metia mãos à obra e incentivava Maria a fazer força sem desfalecimentos, Melquiora aquecia água numa malga na fogueira que entretanto José acendera enquanto Gasparina se ocupava em arranjar roupa bem limpa e lavada para embrulhar a criança.
Ao fim de quase uma hora de grandes trabalhos, Baltazara teve uma exclamação de alegria:
"Maria, mais força, agora!! Já vejo a cabeça!! Força!!!".
E, num último esforço de Maria:
"Viva! É uma menina!!!!!!!"
Todos os presentes se olharam interrogativos. 'Como é possível?!'
O bombeiro exclamou:
'Querem ver que me enganei na gruta!'.
Mas não. Quem se tinha enganado com a alegria do nascimento fora Baltazara que de imediato foi corrigida por Melquiora:
"Ó mana, sinceramente! Está cada vez mais míope, querida".
Só quando Gasparina, que viera aos gritos das manas, pegou na santíssima pilinha é que Baltazara caíu nela:
"De facto... pronto, ok, é menino... isso muda alguma coisa?"
Ninguém se deu ao trabalho de lhe responder. Foi então uma festa. Gente que passava juntou-se ainda que sem perceber ainda o motivo de tanta alegria.

À despedida, as três manas desejaram muitas felicidades para o casal e para o menino acabado de nascer, despediram-se de todos e lá foram numa animada conversa a três:
"Tu reparaste como estava aquela casa? Que desarrumação... ainda por cima, deixam os animais andarem pelos quartos..." Melquiora criticava ao que Baltazara, numa voz penalizada: "O José coitado parece que está desempregado. Andam a viver do subsídio....e com a idade dele já não arranja trabalho do pé para a mão..." e juntava Gasparina: "E a cozinha quando fui aquecer água?! Que horror!" e voltava Baltazara: "E ela??? Também não admira. Não se cuida nada. Aquele cabelo muito sujo, as olheiras e não se depila nem nada. Ao menos um batonzinho..."
E Gasparina, por fim, na pergunta sacramental: "Vocês acharam o menino parecido com o José?"
Baltazara sempre a mais informada das três disse num segredo:
"Diz-se para aí que foi obra de um tal Espírito Santo..."
Melquiora e Gasparina levaram as mãos aà boca aberta do espanto e em uníssono exclamaram:
"OH! DO BANQUEIRO?"

27/08/2022

AMOR É QUANDO MORAMOS UM NO OUTRO


Fechei os olhos para não te ver
cerrei os lábios para não dizer o teu nome
e dos meus olhos fechados saltaram lágrimas
que não enxuguei
e dos meus lábios cerrados nasceram sussurros
que não pronunciei
Amor é quando moramos um no outro.

27/08/2022

CONSELHOS PÓS MODERNOS


Dizem:
Todos os dias se deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E uma laranja pela vitamina C. E beber uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve se beber pelo menos dois litros de água.
E uriná-los para dar trabalho aos rins.
Todos os dias deve tomar uma Aspirina 100, pois previne enfarte.
Uma taça de vinho tinto também dizem que previne não sei o quê.
Se for de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, faz bem aos rins.
E uriná-lo, já agora.
O benefício adicional é que se se tomar tudo isto ao mesmo tempo e se tiver um derrame, nem se vai perceber.
Todos os dias se deve comer fibra.
Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um “pull over”.
Deve fazer entre quatro a seis refeições leves diariamente. E nunca esquecer de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de quatro a cinco horas...
E não esquecer de lavar os dentes depois de comer.
Ou seja, tem que se lavar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto se tiver dentes. Quando os dentes acabarem, massajam-se as gengivas, lava-se a língua e bochecha-se!
Dormir oito horas e trabalhar outras oito por dia, mais as quatro comendo são vinte. Sobram quatro, desde que não haja muito trânsito nas idas para o trabalho e no regresso a casa
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Todos os dias devemos caminhar pelo menos meia hora.
Deve cuidar-se das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz sugerir que se deve cuidar delas quando se estiver no meio do transito. Nesse momento elas também devem estar e por isso motivos para conversa não devem faltar.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o s**o! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou a falar do s**o tântrico.
É preciso sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, loiça
e se tiver um bichinho de estimação.
Já são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho com a boca aberta, assim toma-se banho e lava-se os dentes.
Agora tenho que ir ao quarto de banho..
E já que vou, levo os três jornais da praxe. da maneira como andam as notícias nem preciso de papel higiénico...

27/08/2022

A VIDA É MAIS CURTA QUE PEQUENA


A minha doença tem-me proporcionado momentos de meditação e algumas ideias que, não sendo de maneira nenhuma novas na minha maneira de ver o mundo, aparecem-me nesta circunstância mais precária, de uma importância clara e irrefutável.
Porque, na verdade, a vida é mais curta do que pequena.
Por isso é preciso saber esticá-la mais do que engrandecê-la.
Resistir. Ganhar tempo ao tempo. Coragem para seguir em frente.
Existe quem se preocupe só com dinheiro, carreira, património e deixa o mais importante de lado. E o que é importante?
Por exemplo?
Por exemplo: A amizade, a fraternidade, a solidariedade, a lealdade, a integridade, a liberdade.
Ter dinheiro pode ser importante? Sim!. Sem ele, temos problemas. Mas, em si, só o dinheiro nada resolve.
De quanto precisamos na realidade para nos sentirmos seguros e felizes? Depende da ambição de cada um. Não existe nenhuma medida. Mas a ambição desmedida, a ganância, a vertigem do poder que o dinheiro concede, nunca traz bons sinais.
Emprego é muito importante e carreira também.
Mas ter um emprego, por si só, pode não ser o caminho para a felicidade se não se gostar do que se faz. E, se não se gostar do que se faz também não se faz nunca carreira, em nada.
Património pode ser muito bom pois dá-nos aquele sentimento de posse, de ter. Se não soubermos geri-lo pode tornar-se pesadelo.
Se só pensarmos nele enquanto fonte de poder e abastança, pode tornar-se arrogância.
Mas, se pensarmos em repartir amizade, fraternidade, humildade, solidariedade. Se formos leais, íntegros e livres, isso não tem preço.
Repartir esperança e coragem é repartir vida!
Uma escada é um utensílio para ajudar a chegar a um lugar mais alto. Ninguém quer uma escada para f**ar no mesmo sítio a olhar para cima. Subirmos, degrau a degrau, em segurança só pode ser o único caminho. Coragem e bom senso, não por um pé em falso, sentir bem cada degrau. E, no topo, a missão pode f**ar cumprida ou não, pois na escada da vida nunca se sabe quantos degraus vamos ter ainda que subir.
Mas subir, subir sempre, degrau a degrau, é o mais importante.
E, sobretudo, nunca esmorecer na subida!
F**ar parado num degrau ou voltar a descer é desistir.. isso é o pior que nos pode acontecer…
Por isso, resistir, ganhar tempo ao tempo, ter coragem para seguir em frente ajuda-nos a ultrapassar os momentos menos bons da vida e, sobretudo, nessa nossa força de vontade estamos a repartir esperança a quem nos rodeia. E isso, também é muito importante

MONSARAZ De longe, pela estrada do Corval é aquela bossa saliente no ventre quase liso da planura alentejana, em volta, ...
27/08/2022

MONSARAZ


De longe, pela estrada do Corval é aquela bossa saliente no ventre quase liso da planura alentejana, em volta, como se a terra tivesse engravidado.

Nos dias claros, a luz intensa rasga a transparência do céu, acima do verde da encosta, desnuda uma fileira de paredes brancas entremeadas com a muralha baixa de onde saem as duas torres sineiras da igreja matriz de Nossa Senhora da Lagoa praticamente a meio do cenário, entre a torre da porta de armas que dá acesso ao casco central e as muralhas mais altas, no extremo oposto, com torreão a resvalar pela encosta que termina, agora, no imenso lago e a arena onde em tempos a fidalguia, senhoria de montes e de mares de trigo, mostrava a bravura nas lides dos touros bravos.

Nas noites limpas, a iluminação que dá ao conjunto ares de estranha nave a pairar entre uma enorme lua de néon e o vácuo negro em redor, mantém a majestosa visão de algo que nos atrai como se gigantesca mão invisível a segurasse na sua palma.

Dizem que não se deve voltar ao lugar onde se foi feliz. Não acredito que haja algum problema com isso. Foi impossível resistir ao chamamento e, lá estivemos mais uma vez, ao fim de tarde, a jantar no mesmo restaurante com a varanda virada ao poente a desabar pela encosta, o Sol vermelho na linha do horizonte e tu para mim

- lembras-te? –

e a tua mão atravessou a mesa para se enconchar na minha, eu olhei-te nos olhos e lembrei-me. Estavam a sorrir como da outra vez em que começara uma noite de amor.

BOM DIA MUNDOHoje o dia está mais do que cinzento! Está triste e esta chuva vertical que parece não abrandar nunca. Dois...
11/04/2022

BOM DIA MUNDO
Hoje o dia está mais do que cinzento! Está triste e esta chuva vertical que parece não abrandar nunca. Dois dias seguidos nisto. Vá lá, vá lá! Já têm sido mais... resta a promessa (de quem?) que o fim de semana de Páscoa terá Sol e mais calor. Aguardemos!
Mas, hoje, também é o dia de nos despedirmos do Nuno. O meu primo por afinidade que morava aqui na Quinta na casa que ficou dos pais, um pouco mais acima da nossa Ilha. Tinha 64 anos!
Começámos mais ou menos ao mesmo tempo, há uns oito meses, com as dores nas costas. As dele eram cervicais. As minhas são na região dorsal e lombar. Exames para aqui. Exames para ali.
Chegou o diagnóstico ainda antes do meu.
Cancro no pulmão. metastisado pela medula, na cabeça...
O Nuno não era dos primos mais conversadores nem o que eu conhecesse melhor. Muito fechado com a sua vida e as suas coisas. Lembro-me quando estava casado que dedilhava viola e, contava umas anedotas. Depois a vida levou-nos por caminhos diferentes. Víamo-nos menos. Quase nada. Vivia quase solitariamente.
Mas, desde que viemos, a Dalita e eu para aqui, para a Ilha, começou a aparecer mais. Gostava de falar com a Dalita sobre as "artes agrícolas"! Comigo, falávamos sobre tudo. Até sobre a agricultura, recordando os anos de adolescentes em que o meu tio, engenheiro agrónomo, estava por cá com a "Experiência Agrícola" e como primeiro comandante dos bombeiros. falava-me dele com entusiasmo. Homem de iniciativas. E, muito conhecedor.
O Nuno assombrava-me com a memória dele. Sabia as marcas e as matrículas dos carros. De uma data de carros da família. Até dos carros que o meu pai tinha e que eu trazia quando vinha cá com a família. Nem eu sei tanto dos meus carros como ele. Mas, não gostava de ler, por isso dizia que gostava de falar comigo pois eu dizia as coisas de uma maneira que ele até pensava "gostaria de ler o que dizes". Ofereci-lhe o livro das minhas crónicas. Acho que chegou a ler umas quantas.
Sentávamo-nos ao Sol do fim das tardes, debaixo do telheiro, e ali ficávamos, às vezes só os dois, outras com o Alexandre (um outro primo que anda sempre por aqui nas "agriculturas artesanais" e mais um ou outro familiar ou conhecido que aparecia uns momentos a desejar "boas tardes". O nosso passado adolescente ocupava-nos muito tempo. Acho que é próprio de quem anda pelos setenta e tais e para ele, mais novo ainda uns dez anos, conversas que estimulavam uma vivência de tempos mais alegres e despreocupados. Outras vezes era sobre outra coisa qualquer. "Vamos lá desfolhar o tempo..." dizia eu e ele ria-se. "Lá estás tu a inventar palavras!"
Depois chegaram os diagnósticos. Primeiro o dele. Depois o meu! Ele já em tratamentos. Eu ainda pelos exames e pelo hospital. Telefonava ele para saber como eu estava; telefonava eu para saber como se estava ele a safar. Os tratamentos prosseguiam. Radioterapia. Ia agora começar com imunoterapia. Estava esperançoso. "Só estas pernas sem força nenhuma...." Como eu o percebo! É isso que também me atrapalha tanto. "O resto! Eu não quero é ter dores. Eu cá com dores não presto para nada!" Nem eu, meu caro Nuno. nem eu!
Depois fartava-se de me fazer perguntas. Coisas que eu não sabia como responder-lhe: "Eh, pá! Eu só sei o que os médicos me dizem: sobre o que eu tenho... de resto..." mas ele insistia. "AH, tu sabes! És um gajo informado! Tu sabes bastante desta malvada doença" Eu sorria. Não por imodéstia mas para disfarçar a minha ignorância sobre o problema que me punha. Ele, claro não via o meu sorriso. Talvez o pressentisse. "Vou perguntar, vou ver se leio.... desculpava-me, para adiar a resposta que não tinha".
Uma tarde de sexta feira, há duas semanas atrás, veio de Coimbra mas durante a noite teve uma urgência hospitalar. Falta de ar... mesmo muita dificuldade em respirar. Não queria ir para o hospital. Não era preciso. Mas lá se convenceu. A crise estava séria! Diagnóstico fatal: apanhou Covid-19! Debilitado. defesas em baixo e sem vacina tomada. Quando devia ter tomado, teve medo na altura, por causa do coração. Entrou na quarta feira passada., em coma. Morreu, ontem de manhã no hospital de Salreu. Hoje vamos despedir-nos!
Até sempre Nuno, leva um abraço!

Endereço

Pessegueiro Do Vouga

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