13/09/2022
A Estrada Real do Bussaco
Estrada real era a designação que se dava às vias mais importantes do Reino.
A ligacao de Coimbra a Viseu segundo o mapa do "Systema Geral das Communicações do Reyno" feita por uma via de 1ª ordem pela Mealhada em direção a Mortágua contornando a serra do Bussaco a Norte.
Porém, a serra do Bussaco, já desde tempos medievais podia ser atravessada por uma outra via, que ligava Coimbra a Viseu, por um traçado mais curto e direto que entroncava na via Mealhada-Viseu em local próximo de Mortágua.
Este via não consta do dito mapa de 1862, mas o seu traçado conhecido passaria por Coimbra -Botão - Palheiros - Santo António do Cântaro -Alcordal - serra da Bugia - Cercosa? - Marmeleira? -Freirigo - Benfeita - Cortegaça - Vale de Açores - Mortágua - (...) Viseu.
A travessia da serra não era fácil. Terá sido por isso que Domingos Feirol e sua mulher D. Belida instituiram em 1215, em Santo Antônio do Cântaro, uma albergaria, com obrigação de ter três camas permanentes e, nos meses de Julho, Agosto e Setembro, um cântaro cheio de água para os viandantes, que por ali cruzavam a estrada entre Coimbra e Viseu, saciarem a sua sede. Em 1226, a instituição da albergaria foi confirmada por D. Bartolomeu Domingues, filho do casal.
Desconhece-se durante quanto tempo terá sido cumprida essa promessa. Mas certo é que ainda hoje às populações locais se referem a essa estrada medieval localmente designada por estrada real.
Era uma estrada conhecida tanto assim que foi por essa via que o exército francês aquando das invasões napoleónicas terá tentado atravessar a serra, com destino a Coimbra e posteriormente Lisboa.
Foi a escolha dessa via sinuosa, com declives acentuadoa, e com piso pedregoso que permitiu que as forças anglo-lusas posicionadas estrategicamente impedissem a transposição da serra por este local causando grandes perdas às forças invasoras.
No proximo dia 27 de setembro comemora-se a esta gloriosa vitória que aconteceu na serra do Buçaco, em 1810.
A outrora "Estrada Real" foi uma preciosa ajuda na nossa luta pela soberania. Desta estrada pouca ou nada resta mas ficam as memórias que perduram no tempo.