01/06/2026
ASMIR recorda
1 de junho de 1913
O Tratado de Aliança Grego-Sérvio é assinado, abrindo caminho para a Segunda Guerra dos Balcãs.
Questão dos Balcãs
O problema dos Balcãs é antigo e tem componentes muito diversas, envolvendo fatores geográficos, étnicos, políticos, religiosos e outros.
No século XIX, uma atrás da outra, as nações da península balcânica desenvolveram fortes movimentos nacionalistas, forçando a Turquia, até aí a potência dominante na zona, a conceder-lhes autonomia.
Depois da guerra russo-turca (1877-1878), o Tratado de Berlim contemplava a existência de um principado autónomo da Bulgária.
Na segunda metade do século, emerge um novo poder que vem perturbar o equilíbrio de forças na região: a Sérvia.
As suas pretensões expansionistas provocarão a intervenção de diversas potências. A interferência da Áustria foi notória nos problemas balcânicos. Os ministros austríacos fomentaram a discórdia interna entre os países eslavos (Bulgária e Sérvia) bem como entre a Grécia e a Roménia.
Uma outra guerra quase eclodiu em 1908 quando os austríacos anexaram a Bósnia-Herzegovina, provocando o ressentimento sérvio.
A chamada "Revolução dos Jovens Turcos" (1908-1909) e a guerra turco-italiana (1911-1912) deram uma oportunidade aos estados balcânicos de se vingarem da Turquia, sua antiga suserana.
Em março de 1912, a Sérvia concluiu um tratado com a Bulgária.
Em maio, foi a vez de a Grécia estabelecer uma convenção militar com este mesmo país. A tensão aumentou na península durante o verão; a Sérvia enviou uma nota à Turquia exigindo a autonomia da Macedónia.
Em setembro inicia-se a mobilização geral praticamente em todos os Estados.
No dia 8 de outubro o Montenegro declara guerra ao Império Otomano, e os aliados balcânicos, ao seu lado, fazem o mesmo no dia 18.
A Primeira Guerra Balcânica teve duas fases.
No dia 3 de dezembro foi assinado um primeiro armistício; as negociações de paz prosseguiram em Londres, sem sucesso, e um golpe militar nacionalista na Turquia fez reatar as hostilidades, que prosseguiram até abril de 1913.
Pelos termos do Tratado de Londres (30 de maio de 1913), os turcos cederam a ilha de Creta à Grécia e desistem dos territórios localizados entre o porto de Midye (Turquia) no mar Negro e Enez, uma cidade turca na costa do mar Egeu. Este tratado marcou o fim do Império Otomano na Europa, reduzindo-o agora a uma pequena posição mesmo junto de Constantinopla.
Para a Turquia, a derrota nas Guerras dos Balcãs revelou-se traumática. Perdeu 80% das suas terras europeias e 16% da sua população total, cerca de 4 milhões de pessoas; 400.000 refugiados amontoaram-se na Anatólia. Constantinopla estava agora perigosamente exposta a ataques e havia verdadeiro temor pela integridade do núcleo central otomano, a Anatólia, onde cerca de um quinto da população não era muçulmana.
O Império Otomano tinha jogado de acordo com as regras da comunidade internacional e a única coisa que ganhara com isso era que lhe fosse dito agora pelas grandes potências que tinha de capitular perante as exigências dos nacionalistas balcânicos. Tornar a pôr a Turquia num lugar sobranceiro no mapa europeu iria requerer um aliado novo e mais confiável; ora, esse aliado só poderia ser a Alemanha.
A questão da Albânia e das ilhas do mar Egeu seria resolvida por uma comissão internacional.
O Tratado de Londres, contudo, criou fricções entre os antigos aliados da Aliança Balcânica, especialmente entre a Bulgária e a Sérvia.
Por exemplo, porque não atendia as pretensões dos sérvios quanto à integração no seu Estado de terras da Macedónia que estavam em poder da Bulgária. O ressentimento sérvio devia-se ao facto de, assim, perder uma faixa de território ao longo do mar Adriático.
Uma aliança, concluída entre a Sérvia e a Grécia contra a Bulgária, a 1 de junho de 1913, levou à chamada Segunda Guerra Balcânica, que começou a 29 desse mês (com um ataque desautorizado feito por um general búlgaro contra posições da Sérvia e sempre negado pelo governo da Bulgária, que fez com que as hostilidades fossem formalmente declaradas a 8 de julho).
De seguida, todos os Estados balcânicos entram em campo, numa coligação contra a Bulgária. Esta, impossibilitada de resistir, pediu o armistício, que foi assinado em Bucareste, a 10 de agosto.
Segundo este, a Bulgária perdia uma parte considerável do seu território, incluindo cerca de 8 mil km2 arrendados à Roménia; grande parte da Macedónia passou para a Sérvia e Grécia; acordos de última hora fizeram-na perder parte do território para a Turquia.
A Albânia transformou-se num principado muçulmano independente.
As guerras balcânicas influenciaram profundamente o curso da História da Europa.
O desmantelamento do Império Otomano e da Bulgária criou tensões perigosas no Sudeste Europeu.
O surgimento de uma forte e ambiciosa Sérvia preocupou a região e preocupou os Estados com pretensões políticas nessa zona, como a Rússia e outras potências europeias que, de maneira mais ou menos direta, mais ou menos voluntária, acabaram por se ver largamente envolvidas no desenrolar da situação; acima de tudo, estes tratados de paz provocaram um sentimento antissérvio e de receio no vizinho território austro-húngaro; a diplomacia internacional entrou em campo e engendrou um complicado sistema de alianças internacionais que, a médio prazo, viriam a colocar em risco quer a segurança local quer a segurança internacional.
O assassinato do arquiduque da Áustria, Francisco Fernando, em Sarajevo (1914) foi o pretexto para o Império Austro-Húngaro invadir a Sérvia e precipitar a eclosão da Primeira Guerra Mundial.
Fontes: História Universal; Enciclopédia; Outras.