05/05/2026
PARRAGIL, ONDE A TERRA SE ALARGA E A MEMÓRIA PERMANECE ( continuação)
As obras realizadas na Estrada 270, ao alargarem o caminho, abriram também horizontes. Entre os sítios das Casas dos Pires e da Cerca Velha, o espaço cresceu e com ele, a vida. Onde antes havia silêncio e campo, começaram a erguer-se casas, sinais de um lugar que se reinventa.
O antigo lagar cedeu lugar a um edifício novo, onde nasceram um bar e um restaurante, Alagar, nome que guarda a memória do que ali existiu, como quem não quer deixar o passado desaparecer por completo.
Na zona de acesso às Almeijoafras, o edifício de Joaquim Rodrigues Alho acolheu novas habitações e até uma imobiliária, sinal de mudança e dinamismo. Aos poucos, novas moradias foram surgindo, trazendo famílias, vozes e rotinas, ampliando não só o espaço, mas o próprio sentido de comunidade.
O Centro Paroquial de Paderne trouxe nova vida ao lugar, tornando-se ponto de encontro e partilha. Ali se cruzam histórias de muitos cidadãos que, ao longo do tempo, deixaram marca na cultura e no associativismo da terra.
Literatura
Numa localidade de poucos habitantes, surpreende a riqueza literária que dela brota. Arménio Aleluia, autor de mais de uma dezena de obras, entre elas “Onde Cantam os Rouxinóis” e “Música em Três Séculos.”
A seu lado, António Henrique da Silva escreveu mais de meia centena de livros, onde entrelaça poesia, memórias e reflexões linguísticas, dando voz a uma vida plena de experiências.
A professora Antonieta de Jesus Rosendo deixou também o seu contributo com “A Escola Não Pára no Tempo”, “ Carroças Algarvias” e os seus cadernos de memórias, “Revisão Portátil.”
Luís Fernando Santos Silva Alho foi coautor de “A Cultura e o Desporto, uma Longa Caminhada,” em parceria com Arménio Aleluia.
Já Amélia Júdice Santos, com “Recordar é Viver” e mais tarde “Retalhos de uma Vida,” eternizou vivências, algumas delas escritas já no Parragil, onde residiu com a filha.
Música
Sendo Paderne berço da mais antiga filarmónica do Algarve, não surpreende que o Parragil tenha dado músicos à sua banda. Entre eles, Fernando Coelho bem como Maria Emília Rodrigues, Nuno Morgado, Arménio Aleluia, Mário Duarte Henriques e o sapateiro Joaquim Dias.
No acordeão, destacou-se Fernando Balbino, vindo de Vale de Telheiro, que fez do Parragil casa e viu nascer ali os seus filhos, Francisco e Manuel dos Ramos Balbino. Ambos seguiram o mesmo caminho artístico, levando a música além-fronteiras, até Angola e França. Francisco seria conhecido como “Chico do Cerro”.
Também António Henriques deixou a sua marca como fadista e coralista do Orfeão da banda de Paderne. E Quitéria Neves Dias dedicou parte da sua vida ao fado, registando-o no disco Mundo Sofrido.
Num plano internacional, destaca-se João Lima Duque, pianista de carreira sólida, que leva o nome da terra até à Alemanha.
Rádio Barrocal
Se já em 1963 existia uma Rádio em Paderne, não foi surpresa que, em 1986, nascesse a Rádio Barrocal. Dirigida por Arménio Aleluia, contou com o apoio de vários colaboradores, entre eles Teresa Guerra, locutora com carreira em Angola, que escolheu o Parragil para viver.
Outras vozes deram vida à rádio: Maria Emília Rodrigues, Paula Coelho, Dulce Morgado, Arsénio Martins e Júlia Martins, estes ligados ao Centro Comunitário de Paderne.
Turismo
Embora ainda discreto, o turismo começa a marcar presença,ao surgir um projeto que abre portas a visitantes.
A Quinta Brito Lima destaca-se como complexo turístico: um espaço que conjuga a traça solarenga da antiga residência com um amplo pavilhão, onde se realizam eventos, encontros e celebrações que juntam centenas de pessoas.
Desporto
O futebol é a modalidade mais popular, com nomes como Francisco Guerreiro, Miguel Coelho e Fernando Santos Silva a representarem o Padernense.
No ténis de mesa, destacaram-se Arménio Aleluia, Miguel Coelho e Diogo Monteiro, com Antonieta Rosendo a marcar presença no feminino.
Na pesca desportiva, António Mariano Gonçalves levou o nome da terra mais longe, representando a Faceal.
Cerca Velha
Cerca Velha é também o nome de um projeto que nasceu da visão de Teresa João Palma. Através da televisão, e com o apoio do marido Rui dos Santos e da filha Madalena, tem dado a conhecer a riqueza da cozinha algarvia.
Os seus programas, já apresentados na SIC, são mais do que receitas, são memórias vivas, sabores que contam histórias, e um tributo às raízes de uma terra que continua a crescer sem esquecer quem é.
Arménio Aleluia Martins