A freguesia de Ferreira tem um período fundamental na história central do concelho, aquela em que os emigrantes povoadores, vindos do norte asturiano e também da zona do Mondego, fugidos a Almançor, encontraram aqui terras férteis e livres para refazer o seu habitat. Ferreira é vagamente citada quando, em meados do século X, Mumadona faz doação ao mosteiro de Guimarães de terras "inferreira", onde
teria também uma "eclesia vicabulo sancto petro". Parte de Ferreira foi incorporada na mitra episcopal do Porto, para renda de cónegos (1195). Manuel concedeu carta constitutiva de oral a Ferreira em 1514. Mas em 1258, e pelas inquirições, Ferreira é dita terra de militares (este termo "militares", significa alguém da classe dos cavaleiros). O mosteiro foi por certo extinto e, como pertença de cónegos, passou a Colegiada. O couto de Ferreira é sempre identificado como isento de mordomo e autoridade régia nas documentações de inquirição. Compreendia não só a freguesia de S. Pedro com o seu mosteiro, mas uma vasta área por toda a chã de Ferreira. Martinho de Frazão fazia a excepção, ao pertencer ao julgado de Refojos, enquanto quase todo o actual concelho de Paços de Ferreira pertencia ao julgado de Aguiar de Sousa. Na vasta zona de influência, o mosteiro foi certamente responsável por algumas inovações tecnológicas e pelo incremento da produção agrícola. Difundiu instrumentos novos de ferro e o moinho hidráulico. Isto permitia desbravar cada vez mais terras e aproveitar com maior rendibilidade a mão-de-obra. Nas terras englobadas, aumentou seguramente a produção agícola e o comércio dos produtos para a grande cidade do Porto. Ora é justamente num periodo de desafogo económico que se inicia a construção do templo actual. A construção foi rápida, é homogénea e aprentemente, nada se poupou em técnicas, ,ateriais e grandes mestres de renome. A estrutura arquitectónica é simples mas de grande unidade plástica. Tem uma só nave de quatro tramos, enquadrados por colunas e botaréus de reforço às paredes laterais. A capela-mor, muito simples pelo exterior, é interiormente organizada em pequenos arcos, nichos e capitéis, que entre si se conjugam em perfeita harmonia. Pelo exterior, o templo é rodeado por arcaturas em contínuo, bem cadenciadas e combinadas com os lóbulos do portal. O próprio nártex, se bem que posterior, também ele respeita e combina com o conjunto. Para a sua construção constribuiram três escolas de artistas, os de Zamora, que teriam inspirado o pórtico, os nichos e arcaturas da capela-mor, bem como o sitema de cornijas; os mestres de Coimbra, que devem ter trazido a arte dos seus capitéis vegetalistas e inspirado as arcaturas cegas das paredes laterais da capela-mor; os artistas locais, que também participaram com os seus belos trabalhos de cantaria nas portas laterais, que organizaram segundo modelos comuns na região. Ao lado do Mosteiro de Ferreira existia a ermida de S. Miguel, hoje desaparecida. No antigo Casal de S. Miguel, além de "paom meado de centeio e milho, tinham de pagar por dia de S. Miguel de Setembro, dentro do Mosteiro, duas gualinhas e hum capaoum". Da ermida de Sant'iago leoms em "História para um Guerreiro" que "A sua construção (1585) deu-lhe um bom arranjo renascentista na frontaria. A silharia é preciosa. Na parte exterior, há um friso com trÊs bicas que vertem para um pequeno balneário com escadaria."
É uma referência aos peregrinos de Sant'iago. "Tem festa e romaria a 25 de Julho, onde acorrem gentes das freguesias de Beire, Ferreira, Louredo e Sabroso". Tem ainda a festa, próxmio do dia 8 de Setembro, a Senhora da Luz, Festa do Menino e Dia de Reis. Quanto a locais de interesse temos o Monte de S. Tiago, Monte de S. Domingos, casa e portão dos pachecos e conjuntos rurais em Moinhos de Baixo e Quintela.