Movimento 2030 - Assembleia Municipal de Ovar

Movimento 2030 - Assembleia Municipal de Ovar Página oficial do Grupo Municipal do Movimento 2030 na Assembleia Municipal de Ovar

25/04/2026

Discurso de Arnaldo Oliveira, Líder do Grupo Municipal do Movimento 2030, na sessão solene da Assembleia Municipal de Ovar, evocativa dos 52 anos do 25 de abril de 1974

Comemoramos hoje o quinquagésimo segundo aniversário do 25 de abril de 1974: uma data marcante e de enorme simbolismo para Portugal e para os portugueses. Mesmo os que não testemunharam há 52 anos este dia incontornável da nossa história, como é o meu caso, ainda hoje beneficiam dos seus efeitos. Apesar da sua inequívoca importância, os que não viveram os acontecimentos desse dia e dos meses que se seguiram podem ser levados a menorizar a sua relevância ou mesmo a estar sujeitos à deturpação ou ao enviesamento do seu signif**ado, o que é perigoso e não deveria acontecer.
Enalteça-se ou critique-se o que sucedeu entre 25 de abril de 1974 e 25 de novembro de 1975; abril é um marco fundamental na transição para a liberdade e a democracia.
Pessoalmente, reconheço a importância do 25 de novembro, mas considero que, na sua génese, esteve e continuará a estar o 25 de abril de 1974. Esse dia foi o culminar dos primeiros passos rumo à liberdade, embora ainda hoje tenhamos um caminho importante a percorrer. Ainda temos muito a fazer para construir uma sociedade verdadeiramente democrática. Liberdade e democracia não são a mesma coisa, mas ambas implicam direitos e deveres.
Temos razões para comemorar, para recordar e para enaltecer o que de bom foi feito, mas também para não esquecer os erros cometidos. Devemos aprender com a história e não reescrevê-la nem deturpá-la. As ameaças à democracia vêm hoje de mais lados, com maior intensidade e cada vez mais elaboradas. Os populismos e a demagogia germinam e constituem uma verdadeira ameaça à democracia. As ditaduras nunca chegam de tamancos; chegam de pantufas.
Por outro lado, assiste-se hoje, mais do que nunca, a tentativas de colar todo um partido ou projeto político, seja ele qual for, às atitudes incorretas e aos atos irresponsáveis ou criminosos de um subconjunto de militantes ou de eleitos, postura adotada por vários quadrantes da nossa sociedade como arma de arremesso.
Deixou-se de discutir ideias e projetos para o nosso futuro, para discutir pessoas e fait divers.
Tudo isto é agravado quando parte da comunicação social e certos agentes da justiça parecem ter agendas políticas próprias. Há quem esteja na política como se estivesse numa claque, transformando-a numa luta de egos e num reality show. No entanto, se analisarmos com atenção, verif**amos que nem os bons estão todos de um lado, nem os maus todos do outro.
Teremos uma democracia mais robusta quando a saúde, a educação, a segurança e a justiça funcionarem de facto. Aqui, há muito ainda por fazer.
O sucesso, a felicidade e o mérito reforçam a democracia. O ressentimento, o ressabiamento, a frustração e os complexos são uma ameaça à mesma.
A pluralidade e a diversidade de partidos são um aspeto que devemos valorizar e potenciar, mas estamos atualmente a assistir ao surgimento de novos partidos e movimentos, por vezes com motivações obscuras ou difíceis de compreender.
Onde deveriam existir motivações para prestar um bom serviço à sociedade, com lideranças sérias, empenhadas e estratégias em prol do nosso futuro, por vezes vemos apenas ambições meramente pessoais e mesquinhas ou a necessidade de protagonismo ou de sobrevivência política. Os líderes perpetuam-se por vezes demasiado tempo, outras vezes caindo rapidamente por canibalização interna, e sem tempo suficiente para demonstrar o seu valor. A democracia também começa pelo pluralismo interno e pela diversidade de opiniões dentro de um partido. O seguidismo cego em torno de um líder é a receita para o fracasso individual e coletivo.
Há também uma crescente dificuldade em atrair novas pessoas para os partidos, de modo a que a renovação seja um processo natural e contínuo. Em certos casos, há inclusivamente uma desmobilização, o que signif**a que alguns partidos políticos estão a f**ar desprovidos, em qualidade e em quantidade, de quadros e de recursos humanos competentes. Mas não nos iludamos: os partidos e movimentos são essenciais.
São a primeira linha de participação política e cívica, de reflexão, de discussão e até de seleção dos mais capazes. Mas não devem ser escolas de doutrina e de formatação em torno de um líder que não o é, porque não tolera ser questionado. Se os partidos e movimentos não dispuserem de pessoas capazes e com espírito crítico em número suficiente, o leque de escolhas f**a limitado. É urgente começarmos a escolher os melhores, em vez dos menos maus.
Se consideramos que o sistema está podre, corrupto e caduco, a melhor forma é mudá-lo por dentro, porque, por fora, nada conseguiremos.
É muito nobre um cidadão integrar um partido político com o qual se identif**a e começar, por aí, um processo democrático, primeiro interno (e sem caciquismos) e depois externo, sujeitando-se a eleições.
Os partidos políticos não são estanques nem imutáveis; são aquilo que os seus militantes quiserem que sejam e, muito importante, são a forma de fazer uma triagem de quem tem postura, capacidade, vontade e vocação para a causa pública.
Demonizar os partidos de nada serve. O caminho passa por ampliar as suas bases e quadros com capacidade, espírito crítico, visão e estratégia.
Falemos agora da democracia e da realidade do nosso concelho. Tivemos as últimas eleições autárquicas há cerca de meio ano. O tempo de campanha eleitoral já passou. Esta é a altura de dar tempo ao atual Executivo Camarário para trabalhar, apresentar obra e resultados positivos para bem do nosso desenvolvimento social, económico, ambiental e cultural.
O nosso papel enquanto oposição responsável é muito importante. Devemos estar atentos, participativos, disponíveis e vigilantes, e nunca fazer o que se pode chamar de politiquice ou baixa política.
Se o Executivo atual cumprir bem o mandato, todos beneficiaremos. Em 2029, os eleitores terão novamente a oportunidade de julgar o trabalho realizado e ponderar as alternativas. Por isso, Senhor Presidente da Câmara, Senhoras e Senhores Vereadores, desejo-vos um excelente mandato, assim como a todos nós, membros desta assembleia municipal.
O vosso sucesso, Senhor Presidente, será o nosso sucesso. De nossa parte, teremos uma atitude atenta, responsável, proativa, colaborativa e exigente.
A responsabilidade pela democracia é de todos, do Executivo, mas também da oposição. Passa pela forma como respeitamos as pessoas no contacto presencial e nas redes sociais. Devemos expressar a nossa opinião, mas também saber ouvir. Devemos colher os louros do nosso trabalho, mas também assumir as nossas responsabilidades e culpas.
A democracia não é um projeto; é um desígnio, porque projetos têm duração limitada; desígnios são sonhos e objetivos que requerem empenho e dedicação constantes.
Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!
Viva a Democracia!
Viva o nosso território e as suas gentes!
Viva Portugal!

03/03/2026

Vamos assumir o nosso papel e responsabilidade na defesa informada, séria e empenhada da nossa floresta?

Na sessão da Assembleia Municipal de Ovar do passado dia 28 de fevereiro foi conseguido algo que muitos pensavam ser impossível: a aprovação de uma moção sobre a defesa da nossa floresta, que nos coloca a nós, Deputados Municipais, como atores ativos e participativos neste processo.
Trata-se de uma moção conjunta do Movimento 2030 (M2030), do Partido Social Democrata (PSD) e dos Deputados Municipais Jorge Bandeira e Tiago Martins, aprovada com 21 votos favoráveis e 14 abstenções, "Pelo acompanhamento do Plano de Gestão Florestal do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar e do seu processo de avaliação e revisão, pela Comissão Especializada de Urbanismo, Habitação, Ambiente, Equipamento Social, Património e Mobilidade da Assembleia Municipal de Ovar" e que defende a suspensão imediata do plano de cortes no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar (2020–2038), por parte do ICNF, até à conclusão de um processo de avaliação e revisão técnica desse plano.
Esta moção, aprovada de forma clara e inequívoca, sem votos contra, não se limita a recomendar ou a exigir aos outros que ajam. Dá-nos legitimidade reforçada para solicitar documentos e relatórios, ouvir entidades e especialistas, emitir pareceres e defender, de forma assertiva e informada, a nossa floresta.
Nesta publicação são disponibilizados dois vídeos:
- o primeiro com a intervenção do líder do Grupo Municipal do M2030, Arnaldo Oliveira, a defender a aprovação da moção conjunta M2030/PSD/Jorge Bandeira/Tiago Martins como alternativa mais assertiva à moção apresentada pelo PS/AGIR/Hélder Pinho;
- o segundo com a gravação completa da apresentação, discussão e votação das duas moções (para bem da transparência e para quem estiver interessado e curioso em assistir aos 71 minutos destes pontos da Ordem do Dia; o primeiro vídeo tem início ao minuto 37 deste vídeo integral).
O texto integral da moção aprovada encontra-se a seguir nesta publicação.

MOÇÃO

Pelo acompanhamento do Plano de Gestão Florestal do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar e do seu processo de avaliação e revisão, pela Comissão Especializada de Urbanismo, Habitação, Ambiente, Equipamento Social, Património e Mobilidade da Assembleia Municipal de Ovar.
O Perímetro Florestal das Dunas de Ovar representa uma das mais importantes estruturas ecológicas do nosso território, desempenhando funções decisivas na proteção costeira, na preservação dos ecossistemas dunares e na valorização natural do município. A sua gestão exige visão estratégica, conhecimento técnico e uma articulação permanente entre entidades públicas, especialistas, autarcas e comunidade.
Num momento em que se encontra planeado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF, IP), doravante “ICNF”, através da sua Direção Regional na Região Centro, o processo de avaliação do Plano de Gestão Florestal do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, torna-se fundamental assegurar que a Assembleia Municipal acompanha este trabalho de forma responsável, informada e próxima, contribuindo para uma gestão florestal transparente, participada e alinhada com o interesse público local.
Assim sendo, e considerando que:
1. O Perímetro Florestal das Dunas de Ovar constitui um dos mais relevantes ativos ambientais do concelho, desempenhando funções essenciais de proteção do sistema dunar, mitigação da erosão costeira, regulação hídrica, conservação da biodiversidade e valorização ecológica e paisagística do território;
2. A sua gestão tem sido assegurada pelo ICNF, entidade que deve possuir capacidade técnica e experiência acumulada em matéria de política florestal, ordenamento e proteção de ecossistemas sensíveis;
3. É pública e notória a intenção da Direção Regional do ICNF de proceder à avaliação do Plano de Gestão Florestal do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, tendo em vista a sua possível revisão, processo que exige acompanhamento rigoroso, transparente e tecnicamente fundamentado;
4. A Assembleia Municipal de Ovar é o órgão representativo de todos os munícipes de Ovar e detém competências de fiscalização geral da atividade municipal e, em particular, competências especializadas no âmbito das Comissões Permanentes, designadamente a Comissão Especializada de Urbanismo, Habitação, Ambiente, Equipamento Social, Património e Mobilidade;
5. Esta Comissão possui legitimidade e capacidade para analisar e acompanhar matérias de impacto ambiental e territorial, produzindo pareceres que contribuam para o bom desenvolvimento das políticas públicas locais;
6. A conservação, preservação e regeneração do Perímetro Florestal requerem a aplicação contínua de técnicas novas e inovadas, ações de recuperação ecológica, controlo de espécies invasoras, reforço da resiliência do sistema dunar e melhoria dos corredores ecológicos;
7. O acompanhamento institucional deste processo reforça a transparência, promove uma gestão florestal responsável e garante que o interesse do município e das suas populações permanece no centro das opções políticas e técnicas.

Nestes termos, os Grupos Municipais do Movimento 2030 e do Partido Social Democrata, bem como os Deputados Municipais Jorge Bandeira e Tiago Martins propõem que a Assembleia Municipal de Ovar, reunida em sessão ordinária no dia 28 de fevereiro de 2026, delibere:
1. Recomendar que a avaliação e a execução do Plano de Gestão Florestal do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, bem como as suas alterações ou revisões que venham a ocorrer, sejam acompanhadas e fiscalizadas, de forma contínua e permanente, pela Comissão Especializada de Urbanismo, Habitação, Ambiente, Equipamento Social, Património e Mobilidade da Assembleia Municipal de Ovar;
2. Determinar que esta Comissão proceda à análise técnica e política dos documentos, fases e decisões relevantes, emitindo pareceres sempre que necessário ou solicitado, e articulando o seu trabalho com o Executivo Municipal e com o ICNF;
3. Solicitar ao ICNF que disponibilize à Assembleia Municipal toda a informação pertinente relativa à avaliação e eventual revisão do PGFPFDO, garantindo um fluxo transparente, contínuo e atualizado de dados;
4. Reafirmar o compromisso da Assembleia Municipal e do Município de Ovar com a defesa ativa, sustentável e tecnicamente fundamentada do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, enquanto património natural indispensável à identidade e ao futuro do concelho.
5. Defender a suspensão imediata do plano de cortes no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar (2020–2038), por parte do ICNF, até à conclusão de um processo de avaliação e revisão técnica do Plano de Gestão Florestal.
6. Dar conhecimento da presente deliberação ao Presidente da Câmara Municipal de Ovar, ao ICNF e ao Ministério da Agricultura e Mar, solicitando a divulgação pública dos relatórios de execução do Plano de Gestão Florestal.

Ovar, 28 de fevereiro de 2026
Assembleia Municipal de Ovar
Grupo Municipal do Movimento 2030
Grupo Municipal do Partido Social Democrata
Deputado Municipal Jorge Manuel Reis Lopes Bandeira pelo Partido CHEGA
Deputado Municipal Independente Tiago José Ramos Martins

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Ovar, Eng. Pedro Braga da Cruz,Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal ...
02/08/2025

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Ovar, Eng. Pedro Braga da Cruz,
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Dr. Domingos Silva,

Eu, Arnaldo Oliveira, membro da Assembleia Municipal de Ovar e líder do Grupo Municipal do Movimento 2030, constatei que as gravações das transmissões online das reuniões da Assembleia Municipal de 30/abril/2025, 2/maio/2025 e 27/junho/2025 deixaram de estar disponíveis na página de Facebook da Câmara Municipal em https://www.facebook.com/cm.ovar.

Tal facto não se compreende nem se pode aceitar, porque já estiveram disponíveis durante e logo após as respetivas reuniões, o que me leva a pensar que podem ter sido deliberadamente apagadas, ou restringido o acesso público às mesmas.

A transmissão online e disponibilização das gravações da Assembleia Municipal são um ato da mais elementar transparência, que tem sido prática nos últimos anos, pelo que é incompreensível e inaceitável a alegada eliminação ou ocultação que agora ocorreu. Todos os munícipes têm o direito de consultar online e em qualquer momento as gravações das sessões da Assembleia Municipal.

Acrecento que a Assembleia Municipal, sendo um órgão independente da Câmara Municipal, deveria ter uma página própria nas redes sociais, e não estar dependente da gestão da Câmara Municipal, também para evitar situações como as que agora estou a reportar.

Nós, Grupo Municipal do Movimento 2030, temos durante o atual mandato autárquico mantido uma página própria da Assembleia Municipal em https://www.facebook.com/amovar2030, mas cujos vídeos dependem dos disponibilizados pela Câmara Municipal em https://www.facebook.com/cm.ovar. A atualização dos conteúdos que procurámos fazer recentemente esbarrou no alegado apagamento ou ocultação das gravações por parte da Câmara Municipal.

É precisamente devido à necessidade de transparência e independência que, durante a campanha eleitoral de 2021, defendemos a criação de uma página institucional específ**a da Assembleia Municipal nas redes sociais, mas tal não foi implementada, o que lamentamos, mas continuamos a defender.

Concluo, afirmando que já tive o cuidado de criar uma cópia de segurança da gravação da sessão do passado dia 28/julho/2025, mas venho por este meio solicitar a reposição das gravações das reuniões dos dias 30/abril/2025, 2/maio/2025 e 27/junho/2025, onde foram discutidos temas tão importantes para o concelho de Ovar, como as contas do Município do último ano, a nossa floresta, o regulamento da habitação social e o direito de superfície do Parque de Campismo do Furadouro, entre outros assuntos.

Certo que será reposto o acesso aos respetivos conteúdos, agradeço a atenção dispensada.

Com os melhores cumprimentos
Arnaldo Oliveira

Ordem de trabalhos da Sessão Ordinária: 30/abr/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar
29/04/2025

Ordem de trabalhos da Sessão Ordinária: 30/abr/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar

Convocatória para Sessão Ordinária: 30/abr/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar
29/04/2025

Convocatória para Sessão Ordinária: 30/abr/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar

25/04/2025

Discurso do Líder do Grupo Municipal do Movimento 2030, na sessão solene da Assembleia Municipal de Ovar, comemorativa dos 51 anos do 25 de abril

Exmos. Senhores
- Presidente da Assembleia Municipal de Ovar
- Presidente da Câmara Municipal de Ovar
Senhoras e Senhores Vereadores
Exmos.:
- Membros da Mesa e Deputados Municipais
- Presidentes das Juntas de Freguesia e Assembleias de Freguesia
- Demais Autarcas, Ex-autarcas e Representantes dos Partidos Políticos
Exmos. Representantes:
- Das autoridades civis, militares e religiosas
- Dos agrupamentos de escolas, unidades de saúde, instituições e coletividades
Exmos.:
- Empresários e Empreendedores do concelho
- Cidadãos do concelho de Ovar (presentes e a assistir através das redes sociais)
- Orgãos de comunicação social
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Comemorámos no ano passado os 50 anos do 25 de abril: um marco muito importante na nossa história e um dos pilares fundamentais da nossa democracia. Mais um ano passou sobre esses 50 anos. Como evoluímos desde então? Do ponto de vista democrático, social, económico, ambiental e cultural estaremos melhor ou pior do que há um ano atrás?
Antes de respondermos a esta questão, acredito que, com a exceção da vertente ambiental, que não é de somenos importância, estamos seguramente melhor do que há 52 anos. Digo que acredito, pois já nasci após o 25 de abril de 1974, em democracia, e confio nos testemunhos e nos factos históricos.
Se hoje podemos expressarmo-nos, na maior parte das vezes, livremente, devêmo-lo a todos os que nesse dia tiveram a visão, a coragem e a sabedoria para conseguir uma transição bem sucedida, notável e exemplar de uma ditadura implacável, para a génese de um regime democrático. Nós, Portugueses, somos enormes, e a nossa revolução dos cravos, juntamente com todos os atos posteriores que levaram à consolidação da nossa democracia, podem muito bem ser inspiradores para outros povos e nações que lutam pelos mesmos objetivos democráticos.
Apesar deste sucesso, queremos mais e melhor democracia. Mas os sinais nos últimos tempos são preocupantes, nos vários níveis de governação e quadrantes da nossa sociedade:
- Os indícios e as suspeitas de corrupção têm-se avolumado;
- O populismo e a criação de mitos e mentiras têm proliferado, sabe-se lá com que motivações e com que fontes de financiamento;
- O discurso do ódio, as fraturas sociais e os remédios aparentemente simples, mas na prática inef**azes, têm ganho seguidores;
- A nível global tem-se assistido à imposição de limitações à liberdade, ditaduras, regimes autocráticos e democracias musculadas.
Não estamos seguramente melhor do que há um ano atrás.
A nível nacional temos assistido a um conjunto de casos, episódios e encenações que em nada contribuem para o nosso desenvolvimento, e que não existiriam se o exercício de cargos públicos fosse encarado como um serviço, e não como uma forma de enriquecimento ilícito pessoal ou de grupos específicos. Ainda recentemente em conversa com um potencial candidato ouvi: “eu tenho muito mais a dar à freguesia, do que a freguesia me pode dar”, ao que eu respondi: “mas é precisamente isso que é suposto acontecer!”.
Mas, infelizmente, é cada vez maior a permeabilidade entre a governação, o mau serviço público, os jogos do poder, as vantagens económicas indevidas, o enriquecimento ilícito, os interesses obscuros, o financiamento ilegal dos partidos e os limites à liberdade, à democracia e à transparência.
E de quem é a culpa? Tanto é de quem está no poder e não possui a conduta adequada e a imprescindível ética, como de quem está na oposição e não tem uma atitude séria e responsável, pretendendo muitas vezes apenas a criação ou empolamento de casos e a tomada do poder pelo poder.
Certos setores da justiça também parecem agir em função de agendas partidárias e calendários eleitorais.
Por vezes ouvem-se ou leem-se afirmações do tipo: as pessoas e os eleitores têm aquilo que querem ou que merecem. Eu já tive mais inclinação para subscrever esta afirmação do que a que tenho neste momento. A maior parte das pessoas tem demasiadas preocupações pela frente, prioridades de sobrevivência e problemas para resolver, a nível pessoal, familiar e profissional. Não possui sequer a disponibilidade de tempo, nem mental para uma participação cívica mais ativa.
Além disso, muitas pessoas estão amedrontadas ou resignadas com os perigos que veem à sua volta e com a situação geopolítica. Mas no contexto atual, ou somos mais exigentes e participativos ou, como sociedade passiva, seremos um terreno fértil para os oportunistas e populistas.
Eu acredito que a maior parte das pessoas são genuinamente boas, mas como numa caixa de fruta, por vezes uma maçã podre, estraga todas as outras.
Voltando à qualidade da nossa democracia e aos perigos que ela enfrenta, considero que a mesma é atacada:
- Quando o nível da discussão política bate no fundo, com falta de verdade, elevação e respeito, o que tantas vezes acontece;
- Quando se efetuam denúncias anónimas sem qualquer fundamento;
- Quando se discutem pessoas, em vez de ideias;
- Quando não criamos condições para que o elevador social funcione;
- Quando permitimos que o espírito de claque, no seu pior sentido, entre no combate político e contamine a prestação do serviço público, a gestão dos nossos recursos e a construção do nosso futuro.
Religião, futebol e política são muito diferentes na forma como devem ser encarados, mas aparentemente nem todos pensam assim.
Religião é uma questão de fé e de crença. No futebol podemos agir com o coração, mas já devemos exigir verdade desportiva. Na política temos de ser completamente racionais. Infelizmente para alguns a forma de agir é a mesma nos três casos.
Assistimos cada vez mais a discursos carregados de desrespeito, mentiras, violência verbal e por vezes até de ódio. A consequência disto é o afastamento das pessoas sérias e competentes que facilmente conseguem sentir-se mais recompensadas e valorizadas noutros contextos profissionais e de participação comunitária.
Mas o futuro está nas nossas mãos. Uma das vantagens da democracia, é os eleitores frequentemente serem chamados a escolher os seus representantes e governantes: na maior parte das vezes em intervalos de tempo regulares, outras vezes por motivos que preferiam que não tivessem acontecido.
No final de setembro ou princípio de outubro deste ano, os eleitores vão ser chamados a escolher os próximos órgãos autárquicos.
No nosso concelho será o fim de um ciclo de 12 anos para um Executivo Camarário que se manteve praticamente inalterado, tirando a saída do Presidente Salvador Malheiro, a pouco mais de um ano do final do mandato.
Também para a uma parte signif**ativa das nossas Juntas de Freguesia, poderá ser um ponto de viragem. Num contexto de desagregação da União de Freguesias, aspeto este fundamental, principalmente para Arada, S. João de Ovar e S. Vicente de Pereira, onde se espera que seja um ano de grandes mudanças.
Chegado a este momento será fundamental questionarmo-nos sobre:
- O que foi feito nos últimos 12 anos?
- Do ponto de vista social, económico, ambiental, patrimonial e cultural, estamos melhor ou pior do que em 2013?
- Como nos posicionamos relativamente aos nossos vizinhos ou concorrentes diretos? Enriquecemos e ganhamos importância ou, se em vez disso, perdemos terreno?
Nas próximas eleições autárquicas os munícipes terão novamente a oportunidade de escolher o projeto político em que se reveem, quer ao nível da freguesia, quer ao nível do concelho. Mas sejamos exigentes e críticos, questionando os respetivos partidos ou movimentos proponentes sobre as prioridades e execuibilidade das ideias e dos projetos apresentados, e onde nos levará a estratégia proposta.
Esta é uma fase em que vamos ser confrontados com muitas promessas, nem todas execuíveis, nem prioritárias. Sejamos portanto criteriosos e realistas!
Para concluir, por todos os sinais preocupantes à nossa volta, considero que este ano estamos mais longe dos ideais e propósitos de abril, e temos ainda um caminho a percorrer no sentido de uma sociedade verdadeiramente democrática, próspera e moderna. Mas teremos agora no intervalo de menos de um ano, três atos eleitorais (as legislativas, as autárquicas e as presidenciais) nos quais poderemos, se assim o entendermos, mudar quem está à frente dos nossos destinos como sociedade, como concelho e como país! Mobilizemo-nos!
Citando o Papa Francisco, que infelizmente se despediu deste mundo esta semana e que tanta falta nos vai fazer: “Não tenham medo!”
Viva o 25 de Abril! Viva a Liberdade! Viva a Democracia!
Viva o concelho de Ovar! Viva Portugal!

02/04/2025

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal do dia 28 de março
Intervenção do Líder do Grupo Municipal do Movimento 2030, Arnaldo Oliveira, sobre a desafetação de áreas florestais no Concelho de Ovar. Este processo deveria ter sido tratado de outra forma pela Câmara Municipal de Ovar. Situações tão distintas não deveriam ter sido incluídas numa única proposta, sujeita a uma única votação.
Regularização de desafetações pendentes, desenvolvimento económico, criação/expansão de zonas de atividades económicas/industriais, proteção do ambiente e utilização adequada do dinheiro dos contribuintes/munícipes era perfeitamente conciliável, o que não aconteceu neste caso.

Ordem de trabalhos da Sessão Extraordinária: 28/mar/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar
27/03/2025

Ordem de trabalhos da Sessão Extraordinária: 28/mar/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar

Convocatória para Sessão Extraordinária: 28/mar/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar
27/03/2025

Convocatória para Sessão Extraordinária: 28/mar/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar

Ordem de trabalhos da Sessão Ordinária: 7/fev/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar
06/02/2025

Ordem de trabalhos da Sessão Ordinária: 7/fev/2025 às 21:30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ovar

Endereço

Praça Da República
Ovar
3880-141

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