09/09/2024
🐺🌲𝚄𝚖 𝙼𝚞𝚗𝚍𝚘 𝙲𝚑𝚊𝚖𝚊𝚍𝚘 𝙶𝚎𝚛𝚎𝚜
| 𝗣𝗮𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗣𝗲𝗻𝗲𝗱𝗮-𝗚𝗲𝗿𝗲𝘀
Hoje deparamo-nos com estas magníficas palavras do Hernâni Carvalho, Comandante dos incríveis Bombeiros Voluntários de Salto, que são os enormes responsáveis pela cobertura de uma área que ascende a mais de 20% do nosso único Parque Nacional que nos comoveu não ap***s pela paixão mas pela partilha.
Texto de 𝙃𝙚𝙧𝙣𝙖𝙣𝙞 𝘾𝙖𝙧𝙫𝙖𝙡𝙝𝙤:
Montalegre tem uma importante e expressiva área de Parque Nacional da Peneda do Gerês, o único pedaço deste território com estatuto de Parque Nacional, uma reserva da biosfera ímpar onde a fauna e flora se revelam a cada esquina daquele chão sagrado. Para os amantes da natureza, este Parque é um ícone inconfundível dadas as características singulares e, atrevo-me, uma modelação de paisagem única.
Ao longo dos anos, as questões da preservação e da visitação conflituam, o que se percebe, agudizadas ainda com os conflitos com os nativos que, ante as dificuldades, se vêm limitados em muitas atividades socioeconómicas que lhes permitiriam viver e fixar-se no seu território, que não escapa à desertificação do interior e litoralização do país. Nem sempre as administrações, os reguladores e legisladores foram sensíveis a esta realidade, por exemplo nas limitações à pecuária, que os locais têm e merecem para desenvolver as suas vidas, mas, é tempo, de se afirmar com convicção que o Parque não existe sem as pessoas que lá vivem, que moldam a paisagem, que o diferenciam pela dimensão cultural e que dão vida a este território.
Este novo modelo de cogestão, que daria uma voz reforçada aos locais através dos eleitos locais, teima em não dar frutos palpáveis e parece-me adormecido dados que os poucos passos que se conhecem, importantes, mas que estão longe de resolver os problemas das pessoas e do Parque.
Certo é que, o turismo, descobriu no Parque um destino de referência que não é ap***s dos visitantes nacionais. Não nos preparamos para esta visitação massiva, que continua desenquadrada e que nos invade ciclicamente. Não se preparam os administradores daquele território, para a necessidade de criar um modelo de visitação e uma rede de vigilância que enquadre as pessoas e regule, nos sítios que devem ser protegidos pelo valor ambiental, a carga e os deficientes planos de visita. Falta este ordenamento, faltam agentes capazes de o implementar e, em suma, falta estado e estratégia para este Diamante bruto chamado Gerês.
Este bastião da preservação da biodiversidade, deve afirmar-se como um motor económico para uma região do interior, esquecida em Lisboa, com potencial para ser uma referência Mundial no turismo e uma verdadeira lufada de ar fresco para um interior que desespera por respostas para fixar as suas gentes.
Entenda-se que, um local que é muito visitado e onde passam milhares de pessoas, aumenta o risco de ocorrência de incidentes e acidentes. É uma moda triste, criticar as ocorrências de quedas, de pessoas perdidas e outros eventos que se vão noticiando muitas vezes sem informação e só porque é no Gerês. Se o socorro em Portugal é gratuito, não vejo porque seja diferente no Gerês, e não vejo em outros locais tantas críticas nem vontades para que este socorro seja pago considerando a negligência dos socorridos. Muitas vezes, fora do Parque, recebemos nota de atitudes que mobilizam meios de socorro tão ou mais grosseiras e negligentes do que no Gerês e não se levantam vozes para imputar custos a acidentados, socorridos e vítimas de incidentes.
Se o Gerês é massivamente frequentado por pessoas, é um local onde vão acontecer incidentes e, há muito defendo, que precisa de reforço de meios de socorro, de um plano prévio de intervenção para alguns dos locais de maior risco, de um Dispositivo Especial de Resposta (como tem por exemplo a Serra da Estrela) e de verdadeiras medidas de resposta, não pontuais e avulsas como se têm feito, porque o socorro no Gerês merece a dignidade e atenção de todo território e a única diferenciação que merece, há anos, deve ser positiva e de resposta ao Risco mais que identificado pelas características do território.
Se proteger a biodiversidade é uma atribuição do Estado, também o é proteger os locais, os visitantes e promover uma sã convivência entre todos onde se potencia a economia local. Se queremos preservar o Gerês, temos de respeitar a Biodiversidade mas também quem lá mora e que faz daquele um pedaço de terra único no mundo. E se queremos desenvolver este território, tem de ser com plano de ação estratégico que regule a visitação e reforçar o socorro porque nada se preserva, nem se visita, se não for seguro e resiliente. É este Gerês que falta cumprir.
Texto de 𝙃𝙚𝙧𝙣𝙖𝙣𝙞 𝘾𝙖𝙧𝙫𝙖𝙡𝙝𝙤
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in Planalto Barrosão edição de setembro de 2024
Finalizamos com um enorme agradecimento ao Hernâni Carvalho pelas sábias palavras que chegarão a imensos portos.