07/06/2026
Sobre a polémica da toponímia em Monchique...
Perante a polémica gerada em torno da toponímia na vila de Monchique, considero importante esclarecer alguns factos.
De acordo com o Regulamento Municipal de Toponímia, a atribuição e alteração dos nomes das ruas é uma competência da Câmara Municipal de Monchique.
Importa considerar que talvez os nomes Rua Ribeira Grande de Santo Antão e Rua Montejaque não foram escolhidos ao acaso. Estas designações refletem as geminações estabelecidas pelo Município de Monchique com estes dois municípios.
A geminação com Ribeira Grande de Santo Antão, em Cabo Verde, foi formalizada em 1996, pelo então presidente Carlos Tuta (PS). A geminação com Montejaque, em Espanha, foi celebrada em 2015, pelo presidente Rui André (PSD).
Estas ligações assentam em afinidades históricas, culturais e geográficas. Ribeira Grande de Santo Antão e Monchique são territórios de montanha e partilham também algumas tradições, entre elas a produção de aguardente.
No caso de Montejaque, a geminação teve como fundamento a ligação entre dois territórios reconhecidos pelas suas
montanhas sagradas, reforçando uma identidade comum profundamente ligada à serra, à natureza e às suas populações.
A toponímia não serve apenas para identificar ruas. Serve também para preservar memórias, assinalar relações de amizade e valorizar a história e a identidade de um concelho.
O debate é legítimo e faz parte da democracia. Mas deve ser feito com base em factos, com respeito pelas competências de cada órgão autárquico e sem alimentar polémicas desnecessárias.
Monchique tem razões para se orgulhar das relações de cooperação e amizade que construiu ao longo dos anos, dentro e fora de Portugal.
Eleutéria Luz Viegas
Deputada Municipal do PSD na Assembleia Municipal de Monchique