08/05/2025
Comemorações do 111º aniversário do Concelho de Alcanena.
Intervenção de Sónia Bento, representante do Partido Socialista.
"Celebramos hoje 111 anos do concelho de Alcanena. Uma data que nos orgulha a todos, independentemente das cores políticas, porque é a história da nossa terra, das nossas famílias, do nosso trabalho e da nossa identidade coletiva que aqui evocamos.
Em pleno coração do Ribatejo, nascia a 8 de maio de 1914, através da Lei n.º 156, um novo concelho: Alcanena. Mais do que uma simples reorganização administrativa, este momento foi o culminar de um sonho antigo, alimentado pelo fervor republicano e por um profundo sentimento de identidade local.
Durante anos, as gentes de Alcanena, Minde, Bugalhos, Monsanto, Louriceira e Malhou viveram sob a tutela de concelhos vizinhos — Torres Novas e Santarém. Mas o pulsar das fábricas, o cheiro dos curtumes que se misturava com o ar serrano e o labor incansável dos seus habitantes criaram raízes fortes, capazes de sustentar um novo começo.
Foi ao som dos ideais da jovem República que se ouviu o clamor popular: “Para o País a República, para Alcanena o Concelho.” E assim, com coragem e determinação, as povoações uniram forças para conquistar a autonomia sonhada. A indústria de curtumes, que já então era motor de desenvolvimento e orgulho regional, serviu de prova viva da capacidade e resiliência da terra.
Com a fundação do concelho, nascia também uma nova esperança — a de um futuro traçado pelas próprias mãos dos alcanenenses, com voz ativa nas decisões que moldariam o seu destino.
Hoje, Alcanena orgulha-se da sua história. Dez freguesias — sim, 10 —, aglomeradas em uniões de freguesia, compõem este território rico em tradições, paisagens e gente de fibra. Um concelho que é, ainda hoje, símbolo de luta, identidade e progresso.
Desde 8 de maio de 1914, Alcanena tem sido sinónimo de evolução e de resiliência. Crescemos assentes na força da indústria dos curtumes, a par da indústria têxtil, na dedicação das nossas gentes e no amor que cada um de nós tem pelas suas terras. Temos um território rico, com património ambiental de excelência, como o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, e temos sobretudo um povo com vontade de fazer mais e melhor.
Mas é tempo de acrescentar novos pilares: a sustentabilidade, a inovação e, acima de tudo, a proximidade e empatia com as pessoas.
O Partido Socialista, hoje na oposição, honra este dia com o sentido de responsabilidade que sempre o caracterizou. Estivemos, estamos e estaremos sempre ao lado da população. Sabemos ouvir, sabemos propor e sabemos construir alternativas credíveis. Somos uma oposição séria, atenta e determinada a lutar por um concelho mais justo, mais equilibrado e mais próximo das pessoas.
Como somos uma oposição responsável, atenta, construtiva — e sobretudo próxima das pessoas. Não estamos apenas aqui para apontar problemas. Estamos aqui para ouvir, para sentir, para agir. Para transformar.
Estivemos no poder em momentos desafiantes, como durante a pandemia, em que as prioridades foram proteger vidas, apoiar instituições e manter a coesão social, mesmo que isso implicasse adiar projetos estruturantes.
Importa recordar que:
• O Plano de Pormenor do Parque Empresarial de Alcanena, hoje finalmente em vigor, começou a ser desenvolvido em 2018, sob a liderança do Partido Socialista, após 18 anos de espera pelo novo PDM, que foi revisto em maio de 2021. Esta revisão baseia-se em quatro grandes objetivos estratégicos para o desenvolvimento do concelho:
1. Fixar e atrair população com desenvolvimento sustentável; //
2. Reforçar os centros urbanos, evitando ocupação dispersa; //
3. Apoiar a economia local com parques empresariais; //
4. Valorizar os recursos naturais e culturais, com aposta no turismo e na gastronomia local. //
• O projeto AQUANENA, estruturante para o concelho, foi preparado pelo executivo socialista e implementado posteriormente.
• Os apoios à habitação, hoje destacados pelo atual executivo, começaram no nosso mandato, com a Estratégia Local de Habitação apresentada em agosto de 2020. Este documento identificou as necessidades habitacionais do concelho e permitiu garantir um investimento de 6,7 milhões de euros, incluindo 3,2 milhões a fundo perdido, no âmbito do programa 1.º Direito. Na altura, Alcanena foi dos poucos concelhos com este planeamento concluído. Apesar de, em 2022, o atual executivo ter anunciado uma mudança para reabilitação total, na prática acabaram por retomar a estratégia inicial que nós deixámos preparada.
O que o atual executivo tem vindo a concretizar tem raízes em decisões e estratégias traçadas pelo Partido Socialista. E, quando assim é, cá estamos para apoiar, porque o bem da população está acima de qualquer disputa política.
Veja-se, por exemplo, a questão da linha de muito alta tensão, que tem gerado uma preocupação generalizada na população. Independentemente das cores partidárias, é urgente agir — e agir com planeamento, responsabilidade e compromisso.
É importante recordar que, no processo do Título Único Ambiental emitido pela APA, o município optou por não se pronunciar na fase inicial, apenas intervindo em sede de discussão pública. Quando foi necessário intervir com seriedade, o Partido Socialista esteve presente — como prova todo o trabalho e os esclarecimentos prestados pelo Engenheiro Silvestre Pereira, infelizmente sem qualquer reconhecimento por parte do atual executivo.
O mesmo se aplica ao problema ambiental, que é uma causa comum, sentida por todos. É uma questão do passado e do presente, mas que não pode, em circunstância alguma, ser empurrada para o futuro. Temos o dever de proteger o ambiente e garantir um concelho sustentável para as gerações que aí vêm.
Estes desafios pedem mais do que soluções técnicas: exigem escuta, empatia e compromisso com a sustentabilidade.
Contudo, não podemos ignorar sinais preocupantes. Questionamo-nos:
• Estarão as novas habitações a ser pensadas verdadeiramente para os munícipes de Alcanena, ou estão a seguir uma lógica generalista que esquece quem cá vive e constrói todos os dias o concelho?
• Será que as respostas sociais são suficientes e eficazes para apoiar os mais vulneráveis — os idosos, as pessoas com deficiência, as famílias com maiores dificuldades?
• Será que as promessas de apoio a todas as IPSS há 4 anos foram cumpridas?
• Na cultura, justifica-se romper com tudo o que foi feito antes, ou há valor em continuar projetos com provas dadas?
• E as associações, que são pilar da vida local — será que estão a ser devidamente apoiadas?
Quando o Partido Socialista assumiu funções em 2009, encontrou um município com uma dívida de 20 milhões de euros, dos quais 5 milhões a curto prazo. Esta situação condicionou fortemente a capacidade de investimento durante vários anos.
O atual executivo, pelo contrário, recebeu uma câmara com as contas equilibradas, planeamento definido e margem de endividamento. Ainda assim, ouvimos hoje declarações surpreendentes, que alegam não ter havido qualquer pasta de transição — o que, além de estranho, revela uma tentativa de desvalorizar todo o trabalho feito anteriormente.
Pior ainda é ouvir, com certa altivez, que "em quatro anos se fez mais do que em doze". Quem conhece a realidade do exercício político sabe que planear, executar e inaugurar são fases distintas — e que muitos dos projetos agora apresentados resultam de trabalho planeado e lançado por executivos anteriores. A nova Zona Industrial, as habitações em curso ou o projeto Aire e Candeeiros, que envolve sete municípios, são disso exemplo. Alcanena não é, nem pode ser, tratada como um projeto isolado.
Quatro anos depois, impõem-se algumas perguntas, baseadas nas promessas feitas em campanha:
• Oficinas Municipais: diziam estar no limite da dignidade humana. Estão hoje melhores?
• Antigo lagar do Malhou: foi prometido como espaço dedicado ao nosso “ouro líquido”. O que foi feito?
• Cuidados de saúde: prometeram restaurar serviços perdidos, como as extensões de saúde. Existirá hoje algum serviço recuperado?
• Minderico: falaram em valorizar esta expressão cultural única através de programas pedagógicos. Que projetos foram implementados?
• Resíduos verdes: prometeram um serviço eficaz de recolha e valorização. Onde está esse serviço?
• Investimento nas freguesias: quanto foi investido, de facto, em cada uma? Cerca de 40.000€ por freguesia em quatro anos? Será que é suficiente?
• Liberdade de expressão e opinião: estaremos hoje mais livres? Mais ouvidos?
Estes são os temas que verdadeiramente importam. Governar é muito mais do que inaugurar obras iniciadas por outros. Governar é assumir compromissos, honrá-los e respeitar a inteligência dos cidadãos.
Estas são questões que deixamos para reflexão. Porque celebrar é também pensar o futuro.
Num ano em que se aproximam novas eleições autárquicas, este momento de celebração não pode ser apenas uma cerimónia institucional. Tem de ser também um apelo à reflexão cívica. Que concelho queremos? Que futuro desejamos para Alcanena? Que liderança estará mais próxima das pessoas e dos seus anseios?
O Partido Socialista acredita que é tempo de mudar. Que é tempo de romper com a estagnação, com as promessas adiadas, com a falta de diálogo. É tempo de coragem para fazer.
Todos são importantes, independentemente do tamanho da localidade, da associação ou da condição económica. O que realmente conta é a forma como tratamos a comunidade — porque há atitudes que o tempo já não consegue corrigir.
Mas hoje, mais do que críticas, trazemos também esperança. Porque acreditamos profundamente no potencial do nosso concelho. Acreditamos nas pessoas. E acreditamos que, com responsabilidade, competência e trabalho sério, é possível fazer mais e melhor por Alcanena.
Celebramos 111 anos com orgulho no passado, mas sobretudo com compromisso com o futuro.
Que este aniversário seja um momento de união, de reflexão e de renovação do nosso pacto com a democracia local, com a participação cívica, com o desenvolvimento sustentável e com a justiça social para todos — sem exceção.
Para finalizar, deixamos uma mensagem clara:
Alcanena tem passado. Mas merece mais no presente. E precisa de um futuro construído com coragem, com competência e com verdade.
Viva Alcanena! Viva a Democracia! Viva o Poder Local ao serviço de todos!
Muito obrigada!"