17/08/2026
Os problemas ambientais do Rio Leça não são de hoje. Nas últimas décadas, verificaram-se sucessivos crimes ambientais, sem que tenham sido apuradas responsabilidades ou proferidas condenações criminais, mas também de um grave risco para a saúde pública, com sérios impactos nas populações, especialmente nas crianças, nos idosos e nas pessoas com sistemas imunitários fragilizados.
Reconhece-se o trabalho efetuado, nomeadamente a limpeza de resíduos e detritos do leito do rio, o trabalho de quatro guarda-rios para dezenas de quilómetros, a criação de uma bacia de renaturalização e inundação e os projetos previstos, designadamente o Plano Específico de Gestão das Águas do Leça.
Mas a Associação de Municípios Corredor do Rio Leça é demasiado importante para ser gerida longe do escrutínio dos cidadãos e dos seus representantes.
Defendemos, por isso, uma alteração do seu modelo de governação, reforçando a componente técnica e profissional da gestão e reduzindo a intervenção política na execução quotidiana dos projetos.
Propomos ainda a criação de um Portal da Transparência do Rio Leça, onde qualquer cidadão possa consultar os orçamentos, as contas, os contratos, os fundos europeus, as transferências dos municípios, os projetos, os estudos, as atas, os indicadores ambientais e os níveis de execução física e financeira.
O Rio Leça pertence aos seus territórios e às suas populações. A sua gestão deve refletir esse princípio.
O sucesso do Corredor do Rio Leça não se mede apenas pelo que se faz nas margens.
Mede-se, sobretudo, pela qualidade da água que corre no rio e chega ao mar.