08/05/2026
O PSD de Matosinhos, através dos seus autarcas, alertou atempadamente para a gravidade destes problemas e para a necessidade de adoção de medidas concretas. Nesse sentido, propôs um Plano Estratégico de Prevenção da Poluição na Orla Costeira, que incluía, entre outras medidas, a instalação de infraestruturas de contenção, a criação de ETARs compactas, o reforço da fiscalização e combate às descargas ilegais, bem como a implementação de sistemas de monitorização e comunicação da qualidade da água em tempo real.
Importa, por isso, questionar o que foi efetivamente feito pelos sucessivos executivos socialistas ao longo de décadas de governação no concelho, nomeadamente no que respeita à fiscalização das construções e às ligações às redes de saneamento. A existência de milhares de ligações ilegais de águas residuais a coletores pluviais não pode ser dissociada de falhas estruturais de supervisão.
Mais preocupante ainda é constatar que, no âmbito dos levantamentos realizados, foram identificadas situações envolvendo edifícios públicos, como juntas de freguesia e instalações sanitárias, com ligações ilegais diretamente ao Rio Leça, o que evidencia uma falha sistémica e transversal.
Apesar do agravamento dos problemas ambientais no concelho, assistiu-se, paradoxalmente, à atribuição de prémios internacionais de boas práticas municipais, nomeadamente no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o que levanta sérias dúvidas quanto à coerência entre o reconhecimento institucional e a realidade vivida no terreno.