11/06/2026
𝐑𝐞𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐝𝐨𝐬
Este mês, do nosso fundo de Reservados, destacamos a primeira edição de "Talvez origem ", de 1976, de Manuel Dias da Fonseca.
Nascido em Matosinhos, a 5 de dezembro de 1923, Manuel Dias da Fonseca foi uma figura singular: melómano apaixonado, dedicou a sua vida à música — não só ao seu estudo e fruição, mas também à sua divulgação, num país onde, durante décadas, a cultura musical permaneceu afastada do grande público. Intelectual de vastíssimo alcance, cruzou saberes e interesses com uma naturalidade rara. A música foi sempre o seu centro, mas o seu pensamento estendeu-se às artes, à filosofia, às ciências, à literatura, à política, à história e ao cinema, traço bem visível na sua obra.
Autor de três livros de poesia: “A solidão povoada” (1953), “A noite, um rio, um dia” (1956) e “Talvez origem” (1976), deixou um legado que permanece pouco conhecido. Em 2012, a editora Modo de Ler reuniu estes títulos em "Obra poética" e publicou, em volume autónomo, uma longa entrevista realizada por Manuela Espírito Santo (ambos disponíveis para consulta no nosso Fundo Local).
Nessa entrevista o retrato do homem e do criador ganha corpo logo nas primeiras linhas: “Melómano, sempre. A musa irregular da poesia, a espaços, tornaria a solidão mais povoada. Pôs na geografia cultural europeia a periférica cidade de Matosinhos, onde nasceu em 1923. Andou pelo mundo. Pierre Boulez recebeu-o de pijama, em Paris, trocou rosas e bebeu chá com Yourcenar na provinciana Braga dos anos sessenta…)".
Recomendamos a sua leitura.