03/10/2025
Esta semana, muitos de nós fomos rápidos a apontar o dedo. Um grupo de ciganos envolveu-se numa cena de violência, espancando um indivíduo em plena rua. Imediatamente, surgiram críticas, acusações e, como sempre, generalizações. A comunidade cigana voltou a ser colocada no banco dos réus da opinião pública, como se a culpa de uns se estendesse automaticamente a todos.
Mas poucos procuraram entender o que realmente se passou. Ninguém quis saber que o homem agredido tinha espancado duas mulheres momentos antes. Não, isso não justifica a violência, nenhuma violência se justifica. E este texto não é uma defesa de quem agride, de quem se vinga ou de quem vive à margem da lei. Mas é, sim, um apelo à reflexão: por que razão somos tão rápidos a julgar o que vemos sem procurar saber o que está por trás?
Enquanto nos distraímos com estes episódios de rua trágicos, sim, mas muitas vezes mal compreendidos ignoramos o que realmente nos devia chocar como sociedade. Esta semana, o verdadeiro caso grave não teve lugar nas ruas, mas nos corredores do poder: Ministério Público versus Ivo Rosa.
Aqui, não se trata de murros ou pontapés, mas de algo potencialmente mais destrutivo: o descrédito na justiça. Quando um juiz está envolvido em polémicas sérias e o órgão que devia garantir o cumprimento da lei parece estar em guerra interna, estamos perante um problema de fundo. Um problema que mina a confiança de todos num sistema que devia ser imparcial, firme e transparente.
Portanto, antes de gastar toda a nossa indignação com os casos que nos aparecem em vídeos mal gravados e partilhas virais, talvez devêssemos olhar com mais atenção para os bastidores do poder. Porque o que se decide ali tem impacto em todos nós.
Usem os neurónios. Reflitam. E, acima de tudo, procurem a verdade antes de julgar e condenar.
Almerindo Lima.