15/09/2026
📖 𝐐𝐮𝐢𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐡𝐚𝐬, 𝐝𝐨𝐬 𝐋𝐢𝐥𝐚𝐬𝐞𝐬 𝐞 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 - 𝐂𝐢𝐧𝐜𝐨 𝐒𝐞́𝐜𝐮𝐥𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐇𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚
O que se esconde sob a estrutura urbana do Lumiar contemporâneo? A investigação que apresentamos propõe uma análise fundamentada sobre a evolução histórica e territorial desta zona de Lisboa.
𝐎 𝐋𝐮𝐦𝐢𝐚𝐫 𝐞𝐫𝐚 𝐨 𝐭𝐞𝐫𝐦𝐨 𝐝𝐚 𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 e desempenhou desde a Idade Média um papel vital no abastecimento da capital, favorecido pela fertilidade dos seus solos agrícolas e pela riqueza dos seus recursos hídricos. 𝐀𝐨 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐬𝐞́𝐜𝐮𝐥𝐨𝐬, 𝐚 𝐦𝐚𝐭𝐫𝐢𝐳 𝐩𝐫𝐞𝐝𝐨𝐦𝐢𝐧𝐚𝐧𝐭𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐠𝐫𝐢́𝐜𝐨𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐥𝐨𝐜𝐚𝐥 𝐝𝐞𝐮 𝐥𝐮𝐠𝐚𝐫 𝐚̀ 𝐟𝐢𝐱𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐢𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐜𝐫𝐞𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐜𝐚𝐫𝐢𝐳 𝐚𝐫𝐢𝐬𝐭𝐨𝐜𝐫𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐞 𝐛𝐮𝐫𝐠𝐮𝐞̂𝐬. Esta transição da funcional “casa de lavoura” para o perfil de “vila palaciana” refletiu profundas dinâmicas sociais e económicas, cujas marcas estruturantes sobreviveram mesmo perante as intensas mutações urbanísticas ocorridas a partir de meados do século XX.
No centro dessa transformação destaca-se o conjunto da 𝐐𝐮𝐢𝐧𝐭𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐡𝐚𝐬 𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐋𝐢𝐥𝐚𝐬𝐞𝐬. Com origens que recuam a 1520 e à figura de 𝐀𝐟𝐨𝐧𝐬𝐨 𝐓𝐨𝐫𝐫𝐞𝐬 (nesta fase designada Quinta das Conchas), a propriedade conheceu uma reformulação marcante no final do século XIX sob a posse de 𝐅𝐫𝐚𝐧𝐜𝐢𝐬𝐜𝐨 𝐌𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫𝐨 𝐁𝐞𝐥𝐚𝐫𝐝. O seu desenho romântico, visível no palacete, nas alamedas e no lago com ilhas alegóricas, reflete uma ligação direta à exploração cacaueira em São Tomé e Príncipe, articulando a escala local com o contexto ultramarino. É também nessa área que viria a integrar-se, numa parcela da Quinta das Conchas desanexada em 1920, a instalação dos estúdios cinematográficos da 𝐓𝐨́𝐛𝐢𝐬 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮𝐞𝐬𝐚, inicialmente denominada por Tobis Klangfilm em 1932.
De igual relevância é a 𝐐𝐮𝐢𝐧𝐭𝐚 𝐝𝐚𝐬 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬, ou também conhecida por 𝐐𝐮𝐢𝐧𝐭𝐚 𝐝𝐨𝐬 𝐔𝐥𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬. A sua história cruza-se com a figura de 𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐝𝐚 𝐂𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚, que partilhava com Francisco Mantero Belard o mesmo perfil de homem de negócios ligado às roças de cacau em São Tomé e Príncipe. Sob o ponto de vista patrimonial, a propriedade afirma-se como um distinto testemunho da arquitetura de influência joanina e rococó, destacava-se pela capela privativa, pelos painéis de azulejaria e pela cenografia de tanques e grutas de embrechados.
✨𝐂𝐨𝐧𝐯𝐢𝐝𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚𝐫 𝐚 𝐚𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐚𝐫 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐜𝐢𝐜𝐥𝐨, 𝐧𝐮𝐦 𝐩𝐞𝐫𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐦𝐞𝐦𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐨 𝐋𝐮𝐦𝐢𝐚𝐫, procurando reconhecer os vestígios de um legado histórico e cultural que o tempo foi deixando inscrito na paisagem, em particular na Quinta das Conchas e dos Lilases e na Quinta das Pedreiras.
Texto: Pedro Santos
Bibliografia aconselhada👇
FERREIRA, Rosa Maria Trindade César; LEMOS, Fernando Afonso de Andrade e - Nova Monografia do Lumiar, Lisboa, Junta de Freguesia do Lumiar, junho, 2009. GEO: LX LUM/FER
FERREIRA, Rosa Trindade - Quinta dos Lilases: Contributos para a sua história, Lisboa, Academia Portuguesa da História, 2006.
GEO: LX:728.8/FER
Ainda mais sobre o Lumiar👇
REGO, Maria João de Figueiroa - Colectividades de Lisboa - Freguesia do Lumiar, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa - Gabinete de Estudos Olisiponenses, 2015. GEO: LX LUM/REG
Junta de Freguesia do Lumiar