14/06/2026
MM | MUSEU DE MARINHA
Marinha Portuguesa: uma viagem pelos seus opositores
Amir Hussain Al-Kurdi
Na História de Portugal destacam-se várias personagens opositoras aos intentos lusitanos. Desta forma o Museu de Marinha destaca a primeira de cinco publicações alusivas a essas personagens.
Amir Husain Al‑Kurdi, intitulado na historiografia de Mirocém, foi uma figura central da resistência mameluca à expansão portuguesa no Oceano Índico no início do século XVI. Governador de Jidá e oficial de confiança do sultão Al‑Ashraf Qansuh al‑Ghawri, executou a primeira grande operação em 1508, na Batalha de Chaul.
A frota mameluca, patrocinada pela Républica de Veneza, e reforçada por embarcações do Sultanato do Guzarate, atacou a esquadra portuguesa comandada por Lourenço de Almeida. O combate resultou numa vitória da coligação mameluca‑guzarate e na morte do capitão português.
A resposta portuguesa culminou na Batalha de Diu, travada a 3 de fevereiro de 1509. Mirocém comandava, mais uma vez, a coligação mameluca que incluía navios guzarates e contingentes do Samorim de Calecute. Pese embora a superioridade numérica foram derrotados pela armada portuguesa dotada de uma artilharia potente e um contingente mais eficaz e disciplinado.
No fundo a trajetória de Mirocém sintetiza o choque entre o mundo comercial islâmico, consolidado ao longo de séculos e sustentado numa regionalização, e a projeção europeia, apoiada em tecnologia naval avançada e estratégias de guerra marítima de longo alcance.
Apesar de derrotado Mirocém foi um inimigo tenaz que encarnou, no Índico, a resistência mais organizada, determinada e competente contra a estratégia portuguesa de dominar as rotas das especiarias.
(a foto ilustra um arqueiro abexim que integrava o contingente a soldo de Malik Ayaz e foi retirada da obra de José Virgílio Amaro Pissarra intitulada Chaul e Diu – 1508 e 1509 – O Domínio do Índico, Tribuna da História, 2004, Lisboa).