24/07/2025
Agradecemos ao Diretor do Palácio Nacional de Mafra as palavras generosas e rigorosa contextualização histórica da pintura "Menino Jesus em descanso", recentemente intervencionada no Laboratório José de Figueiredo. A sua reflexão reforça a importância da descoberta da assinatura de Josefa de Óbidos, bem como o papel fundamental da conservação e restauro científico na produção de conhecimento. — Rui Camara Borges, Diretor do Laboratório José de Figueiredo.
"No Cadastro do Domínio Público, de 1950, esta pequena pintura do Menino Jesus deitado sobre o seu lado esquerdo encontra-se atribuída a Josefa de Óbidos e dada como proveniente das coleções próprias do Palácio de Mafra. Não é inusitada a presença de uma peça de época anterior à construção do Palácio (1730), como aliás acontece em todos os palácios reais portugueses, em que as coleções foram sendo agregadas ao gosto dos monarcas residentes, ou por vicissitudes históricas. Josefa de Óbidos é uma referência no panorama da historiografia de arte nacional e a sua pintura (composição, paleta, tipologia de suportes, estilo pictórico) é das mais reconhecíveis. Não seria necessário a assinatura de “Josepha” para atender a que estamos em presença de uma peça desta autora. Contudo, a descoberta da assinatura num frágil fragmento cromático, transforma esta peça num importante testemunho documental e coloca-a num rol muito limitado de peças assinadas. Mais do que uma “pequena” grande descoberta, a assinatura revelada por Vanessa Henriques Antunes, conservadora-restauradora do Laboratório José de Figueiredo, é um contributo para a história da arte, para o conhecimento e reconhecimento da obra de Josefa de Óbidos, e põe novamente em evidência a importância do restauro científico, com meios adequados e com critérios que nos permitem, hoje, recuperar uma informação quase invisível." — Sérgio Gorjão, Diretor do Palácio Nacional de Mafra.
(na imagem: reflectografia de infravermelhos, Luis Bravo Pereira, LJF-MMP/EPE)