05/09/2026
Pedro Laureano Mendonça da Silveira nasceu a 5 de setembro de 1922, na Fajã Grande, ilha das Flores, Açores. Cresceu num ambiente rural marcado pela paisagem atlântica, que viria a influenciar profundamente a sua sensibilidade literária. Frequentou o Seminário de Angra do Heroísmo e concluiu os estudos liceais em Ponta Delgada, onde se integrou nos círculos intelectuais dedicados à identidade cultural açoriana.
Em 1945, participou no grupo ligado ao jornal A Ilha, espaço decisivo para a afirmação de uma nova geração de escritores açorianos. Em 1951, fixou-se em Lisboa e, poucos anos mais tarde, ingressou na Biblioteca Nacional de Portugal, instituição à qual dedicou grande parte da sua vida profissional.
Como poeta, estreou-se com A Ilha e o Mundo (1952/1953), obra que o inscreve na renovação poética do pós-guerra. Seguiram-se títulos como Sinais de Oeste (1962), Corografias (1985) e Poemas Ausentes (1999), que revelam uma escrita cada vez mais depurada, marcada pela observação rigorosa do quotidiano, pela memória e pela paisagem atlântica. Pedro da Silveira foi também tradutor de francês, italiano, castelhano, catalão, galego e chinês, reunindo parte desse trabalho em Mesa de Amigos (1986). A sua atividade crítica e ensaística, desenvolvida em publicações como Seara Nova e Mundo Literário, contribuiu para o debate cultural do seu tempo. Organizou ainda duas antologias de poesia açoriana, que consolidaram o reconhecimento da literatura do arquipélago no panorama nacional.
Entre 1981 e 1992, dirigiu os Serviços de Investigação e Atividades Culturais da Biblioteca Nacional. Em 1990, foi distinguido com o grau de Comendador da Ordem do Mérito. Parte significativa do seu espólio (E39) encontra-se hoje no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea.
Faleceu em Lisboa, a 13 de abril de 2003, deixando um legado que continua a ser estudado e valorizado na literatura portuguesa contemporânea.