10/06/2026
O Sr José era um homem com boa aparência, alto, nos seus oitenta e muitos anos.
Quando eu chegava, para estar com a minha mãe, fazia a "ronda" pela maioria das pessoas mais velhas que ali viviam com ela.
O Sr José perguntava-me: "Onde é que eu durmo!" Eu falava-lhe do seu quarto, onde tinha a roupa, a cama...ele insistia - "E quem paga isso tudo!" O meu coração sentiu um aperto, serenamente falava-lhe dos filhos que ele pensava que o tinham abandonado. Não, não o iria contrariar, mesmo quando ele perguntava: "Quando chegamos à Loureira?". "É já na próxima paragem!" respondia eu. Sim, entrava no seu "delírio", porque era essa a realidade que ele vivia. Claro, os trabalhadores não tinham tempo para estas conversas lentas e...estranhas(!)
Mais tarde, já a Associação Social CertaMente era uma realidade, vi uma reportagem na televisão sobre um "aldeamento" em França, onde viviam pessoas com Alzheimer. Não esqueci dois dos seus princípios: " Aqui o esquecimento pode viver" e "o quotidiano tem que se adaptar à pessoa". Em todos os modelos e conceitos de estruturas residenciais, IPSS ou não, públicas ou privadas, o foco tem de ser a PESSOA!
Por favor, pague-se melhor, muito melhor, a quem cuida. Só trabalha em "lares" quem não encontra outra coisa, com honrosas exceções.
Os recursos humanos fazem a diferença (também).