15/06/2026
LAGOS : CENTRO HISTÓRICO I QUANDO AS PROMESSAS FICAM À SUA ENTRADA
Porque numa uma democracia saudável, a oposição não existe para aplaudir quem governa, nem para rejeitar sistematicamente todas as propostas que são apresentadas. Existe para analisar, fiscalizar, apresentar alternativas e chamar a atenção para os problemas que continuam por resolver.
É precisamente por isso que continuamos a olhar com preocupação para a situação do Centro Histórico de Lagos.
Todos reconhecemos a sua importância. É um dos principais cartões de visita do concelho, um espaço de enorme valor patrimonial, cultural e turístico, onde vivem pessoas e que diariamente recebe centenas de visitantes.
Infelizmente, continuam a existir problemas que se arrastam há demasiado tempo.
A higiene urbana continua longe do nível que seria desejável para uma zona com estas características. A lavagem das ruas é frequentemente anunciada, mas há zonas pouco ou nada realizada.
Na gestão dos resíduos persistem dificuldades evidentes. Apesar dos sucessivos anúncios, a recolha porta-a-porta sem implementação efetiva, disciplina operacional e fiscalização pouco adequada.
O resultado está à vista, sacos acumulados na via pública, deposição desordenada e uma imagem que não dignifica o Centro Histórico, nem a cidade.
Ao mesmo tempo, o problema do ruído continua a gerar queixas de muitos residentes. Quando o próprio Município, nem sempre dá o exemplo que exige aos restantes utilizadores do espaço público.
Há cerca de vinte anos foram colocadas nas entradas do Centro Histórico placas informativas anunciando restrições de circulação e um regime especial. A intenção parecia clara, proteger e valorizar aquele espaço único da cidade.
Contudo, duas décadas depois, permanece a sensação de que muito do que foi anunciado ficou por concretizar. Continuam por existir medidas plenamente regulamentadas, operacionalizadas e fiscalizadas que deem verdadeiro significado àquelas placas.
Como o membro da Assembleia Municipal Nuno Rocha diz "Em Lagos, palavra dada não é palavra honrada?"
É uma questão que merece reflexão.
Sobretudo quando o Presidente da Câmara Municipal de Lagos exerce simultaneamente funções como Presidente da Direção da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico. Mais um motivo para Lagos ser um exemplo de referência na preservação, valorização e gestão dos centros históricos.
O que está em causa não é apenas uma placa, uma rua ou uma medida isolada. O que está em causa é uma visão para o Centro Histórico e a capacidade de transformar intenções em resultados concretos.
Lagos merece mais do que promessas à entrada da cidade.
Por,
PSD_LAGOS
*Foto retirada da publicação de Nuno Rocha