07/09/2026
LAGOS I SEGURANÇA COM MAIS POLÍCIA, SIM. MAS NÃO SÓ POLÍCIA.
As imagens e os relatos que têm vindo a público sobre o centro de Lagos são preocupantes e não podem ser normalizados.
Concordamos com o vereador Nuno Marques na sua publicação sobre a necessidade de mais presença policial, fiscalização, videovigilância e uma atuação municipal firme. Mas, também sabemos que esta problemática não é de hoje, nem ontem, por isso entendemos que devemos ir mais longe na análise, porque isto não é apenas um problema de polícia.
Em 2012, o atual presidente da CPS PSD Lagos e deputado municipal do PSD na altura, já alertava para o agravamento de situações de exclusão social em Lagos. Em 2017 voltou ao tema. Passaram quase quinze anos e vários documentos municipais continuam a identif**ar problemas relacionados com pessoas em situação de sem-abrigo, dependências, saúde mental, vulnerabilidade económica, habitação e exclusão social.
A Câmara Municipal tem Diagnóstico Social, Plano de Desenvolvimento Social, Rede Social, CLAS, NPISA, Radar Social, SAAS e recursos técnicos para intervir nestas matérias.
Só o Mapa de Pessoal de 2026 prevê 30 postos de Técnico Superior na área de Gestão Social e Desenvolvimento Comunitário e mais 10 de Psicologia, dos quais 32 estão ocupados. E as competências atribuídas aos primeiros incluem precisamente identif**ar problemáticas sociais e comunitárias, planear a intervenção e promover a integração de pessoas em situação de risco e exclusão.
Por isso, a questão não é saber se existem diagnósticos, planos ou técnicos, PORQUE EXISTEM. A questão é saber se estamos transformando esse conhecimento e esses recursos em prevenção e intervenção efetiva no território, e a isso, o poder político tem que efetivamente definir um rumo, que vai muito além do assistencialismo que vem sendo praticado.
Como dizem os marítimos de Lagos, "estamos a navegar à vista".
Não podemos pedir à PSP ou à Polícia Municipal que resolvam, sozinhas, problemas que também são de saúde, habitação, dependências, exclusão social, reinserção e outros.
NÃO SE PRENDE A EXCLUSÃO SOCIAL.
NÃO SE RESOLVE A MARGINALIDADE APENAS DESLOCANDO-A DE UMA PRAÇA PARA OUTRA.
Mais polícia, sim. Mais fiscalização, sim. Mas também mais prevenção, intervenção social de proximidade, saúde mental, resposta às dependências, acompanhamento individualizado, habitação e reinserção.
PORQUE GOVERNAR NÃO É APENAS REAGIR QUANDO O PROBLEMA CHEGA À RUA.
É ANTECIPAR, PREVENIR E INTERVIR ANTES QUE ELE CHEGUE À RUA.
E é aqui que, depois de tantos anos de diagnósticos que a atual gestão socialista, não entende e nem consegue responder:
O QUE ESTÁ A SER FEITO EFETIVAMENTE PARA PREVENIR AQUILO QUE TODOS SABEMOS QUE ESTÁ A ACONTECER DIA APÓS DIA, ANO APÓS ANO?
Que fique claro que estas referências não pretendem substituir a intervenção policial nem desvalorizar as questões de segurança. Pretendem, antes, demonstrar que o próprio Município dispõe há vários anos de diagnósticos, instrumentos de planeamento, estruturas e recursos técnicos que reconhecem a natureza multidimensional destes problemas, sendo legítimo questionar a eficácia da sua concretização no território.
Porque para o PSD,
Lagos precisa de segurança. Mas precisa também de uma política social capaz de transformar diagnóstico em ação.
Por,
PSD LAGOS
*Foto gerada por IA