22/11/2025
OLHAR POLÍTICO | A verdade nas campanhas eleitorais
Há uns tempos, um jovem quadro de um dos partidos que apoiam o actual governo afirmou convictamente que se dissesse a verdade na campanha eleitoral nunca teria sido eleito. No seu ponto de vista, as forças políticas que concorrem às eleições obtêm os melhores resultados se basearem o discurso político em promessas falsas, propostas que nunca fazem intenção de cumprir e em diagnósticos de situação que dizem o óbvio, a maior parte das vezes não ligando ao ridículo das suas afirmações.
Os factos acabaram por dar razão àquele dirigente. E a receita aplica-se em qualquer tipo de eleição, seja para a Assembleia da República ou para os órgãos autárquicos. Este tipo de dirigente não tem qualquer tipo de pudor em recorrer ao ataque pessoal e à caricaturização dos seus adversários políticos, tudo para conseguir o cobiçado voto. Também há quem, numa acção política mais alargada, utilize a táctica de, numa primeira fase, inventar inimigos, depois instalar o medo da população a esses pretensos inimigos e, numa terceira fase, apresentar soluções para o problema que eles próprios criaram. Tudo isto, copiando modelos já praticados noutros países e noutras épocas, com resultados calamitosos, como se sabe.
Mas a afirmação daquele dirigente, e o que ela contém, explica em grande parte a expressão eleitoral da CDU nos vários órgãos autárquicos a que concorreu. Temos, porém, a certeza, e todos os indicadores confirmam, que a representação eleitoral está, habitualmente, abaixo da representação social do P*P e da CDU.
Como se justifica isto? - Várias razões se conjugam. Referimos apenas: O P*P e os seus aliados na Coligação Democrática Unitária não vendem a alma ao diabo por um voto. As propostas da CDU não são construídas apenas para a campanha eleitoral. Por outro lado, os nossos programas eleitorais significam compromissos assumidos para com a população e os trabalhadores e, infelizmente, vivemos um tempo em que a demagogia e o populismo abrem caminhos de fácil circulação, ainda por cima com os apoios de alguns canais ditos de informação.
Claro que a CDU quer conquistar eleitorado. Mas esta vontade não ficará subordinada à perda de identidade dos valores éticos e políticos que caracterizam o P*P e os seus eleitos. 'Trabalho, Honestidade e Competência’, mais que uma frase de proclamação, é um dos princípios fundamentais de que não abdicamos. Mesmo que isso nos custe votos. Lembramos que, em política, os vencedores de hoje foram os derrotados de ontem. E amanhã podem sê-lo de novo. E vice-versa. Incluindo aqui aqueles que estão a passar por uma fase de deslumbramento, após a qual o seu instinto primário deverá vir ao de cima.
Concretamente em Lagoa, não temos dúvida em considerar que a democracia autárquica ficou mais pobre com estes resultados eleitorais. A ausência de forças políticas de esquerda na oposição municipal, designadamente da CDU, reduz o debate autárquico a uma mera contemplação das posições dominantes. Quando muito, os que lá estão podem reclamar do estilo, e pouco mais.
Estamos convictos que a população de Lagoa vai reparar na falta que faz a CDU nas autarquias. Mas mesmo sem essa representação, não desistiremos de lutar por melhores condições de vida, aproveitando todas as oportunidades que se nos deparem. A todos os que aceitaram participar nas listas de candidatura e a todos os que votaram na CDU deixamos o nosso testemunho de agradecimento.
* Texto escrito de acordo com as regras da antiga grafia
Comissão Coordenadora da CDU - Lagoa