10/10/2025
Caros conterrâneos,
É já neste domingo, 12 de Outubro, que vamos ser chamados a escolher um novo executivo para a Junta de Freguesia.
Da minha parte, e de todos os elementos que compõem a minha lista, posso afirmar que fizemos uma campanha esclarecedora sobre tudo aquilo a que nos propomos. Uma campanha séria, sem nunca termos pressionado ninguém a votar em nós – todos os votos são da consciência livre de cada um – e além do mais uma campanha alegre, pois, apesar da seriedade com que nos temos dedicado a esta jornada, acreditamos que não há seriedade em coisa alguma se alegria não houver.
No entanto, e à medida que nos aproximamos destes últimos dias antes do acto eleitoral, deparamo-nos com situações que tendem a ser recorrentes desde períodos de pré-eleições anteriores, e que entendo que não posso deixar de comentar, pois “quem não sente não é filho de boa gente”. Não era intenção minha fazer esta intervenção, mas há alturas em que não podemos ficar calados.
Há quatro anos, durante o período coincidente com este mesmo em que nos encontramos, igualmente a poucos dias das eleições, pudemos ver colocado um painel da autoria da actual entidade autárquica, eleita pelo Partido Socialista, a alguns metros da velha e problemática curva de Soeiro. Neste painel podia ler-se, então, que estava assinado o acordo para a construção da nova via que deverá desviar o trânsito do aperto da via actual. Entretanto, passaram quatro anos e, não havendo qualquer desenvolvimento da obra, como não houvera até ali às vésperas das eleições de 2021, por várias vezes questionei nas assembleias de freguesia – assim como outros questionaram – em que ponto se ia encontrando o processo, que entendemos que seja complexo, e as respostas iam dando precisamente conta da complexidade burocrática e que era este o motivo do atraso. Fomos compreensivos e somos, e até aqui tudo bem.
Entretanto o tempo passou, o mandato da nossa actual Presidente está a chegar ao termo, as eleições são dentro de três dias, e eis que, de repente a uma quinta-feira e a três dias, tal como há quatro anos acontecera, mais dia ou menos dia na conta, é anunciado por si um novo desenvolvimento do projecto – desta vez o anúncio da aprovação do projecto de execução, uma das etapas mais avançadas deste tipo de processos. Como é óbvio, e tal como para qualquer outro habitante da nossa terra que muito quer ver esta obra executada, esta repetição de anúncios de que a obra progride, a escassos dias de irmos às urnas, é de uma coincidência tão evidente que só muito estranhamente poderia ser obra do acaso – e naturalmente, e com certa indignação, não podemos deixar de ver o sucedido antes como uma boa obra de oportunismo, mais do que outra obra qualquer. Muito dificilmente não se consegue ver nisto outra coisa que não um jogada de aproveitamento eleitoral, mais uma, que faz de um assunto que muito queremos ter resolvido a servir de peão para angariação de benefícios eleitorais.
Por mais que possa ser verdade que esteja aprovado o projecto de execução da obra de Soeiro, se fosse eu, José Carlos Salgado Almeida, o Presidente da Junta, jamais faria este anúncio tão repentino em cima de tal hora tão conveniente, pois não me sentiria bem com a minha consciência por poder assim, de algum modo, vir a manipular, a influenciar os eleitores ou até mesmo fazer-me passar por oportunista. Quando muito, anunciaria na segunda-feira seguinte ao domingo das eleições, ou até mesmo só quando a obra viesse a estar efectivamente concretizada – e é isto o que faz todo o sentido. Encaminhadas todas as obras vão estando, nem que seja só nas ideias e nas propostas, mas obras encaminhadas não são ainda obras feitas.
Não tenho as minhas dúvidas de que a nossa Presidente da Junta tem sido empenhada – aliás, várias obras feitas deixa à vista e bem, toda a freguesia agradece – e muito menos duvido das suas competências, sobretudo burocráticas. Creio até que não há ninguém que delas duvide. Daí que não se entenda a necessidade da jogada manipuladora, e repetida, que resolveu fazer nesta quinta-feira, e é mesmo isto: não havia necessidade.
Nisto, e no encalço desta indignação que não é só minha, outras vozes se levantaram perante a manhosa atitude. Uma delas, que é não a única tal como a minha também não, tocou particularmente a sensibilidade da nossa Presidente da Junta decerto por ser parte da equipa que me acompanha, ao que a Presidente não tardou a dar resposta. Tendo todo o respeito por si, não posso também deixar de dizer algumas coisas quanto a isto.
Antes de mais, alguém que está à frente da gestão de uma autarquia deve saber ouvir os seus cidadãos, e isto tanto inclui ouvir os louvores, que bem quis a Presidente receber com o anúncio feito em cima da hora, mas também e sobretudo as críticas, os reparos, a preocupações dos cidadãos sejam eles quem forem. Sejam candidatos, tanto da sua lista como de outra, sejam apenas eleitores que se interessam pelos destinos da sua terra. Como qualquer habitante, cada qual é um indivíduo com as suas maneiras próprias de reagir ao que não acham bem. Há quem reaja tranquilamente, há quem reaja só para si, há quem seja mais efusivo - inclusive sarcástico e irónico. Reduzir uma reacção de um indivíduo a uma atitude de baixo nível porque faz uma crítica, com razão, à gestão e à gestora da freguesia – isto sim, é de um baixo nível para um Presidente de Junta, e leva-nos a crer que, para si, todo aquele que aponte algum reparo é de um nível inferior e que é ilegítimo que se façam reparos aos gestores e às gestões autárquicas.
Também, um Presidente de Junta que saiba ouvir, especialmente aquilo que menos gosta, não se deve escudar numa posição de “vítima” por estar a ser “atacado”, nem o crítico deve ser visto como um mau da fita. Simplesmente a crítica, seja qual for o tom dela, mais ruidoso ou mais ameno, é parte imprescindível da sociedade e é a partir dela que se desencadeiam melhorias.
Quanto à afirmação da Presidente de que todo o integrante de um executivo autárquico tenha que ser entendido em processos burocráticos, como qualquer cidadão comum, não tem que o ser. Os elementos de uma Junta podem e devem ter competências diversas e complementares.
Já dos processos burocráticos da obra de Soeiro em si, também a CDU no passado passou por eles e pela sua complexidade, tendo iniciado o caso num mandato entre 1993 e 1997. Foi aí uma das iniciativas da CDU e fora já viabilizada mais tarde, no mandato final, entre 1997 e 2001, tendo a “Brisa” assumido o compromisso de demolir uma velha habitação existente na curva do Carvalhal e a Câmara Municipal a abrir a nova estrada. Já perto do fim desse último mandato da CDU, em fase de estudo e encaminhado o processo de uma solução para a via, ficou além disto praticamente resolvido o problema com o proprietário do terreno por que havia de passar a via, ou seja, ficou a situação praticamente no mesmo ponto em que se revelou há quatro anos, em 2021, num painel do PS a poucos dias das eleições.
Não sabemos ao certo o que se passou entre 2001 e 2021, o que sabemos é que, 20 anos antes, a CDU não colocou um painel como a Junta PS veio a fazer 20 anos depois, nas vésperas eleitorais, anunciando o que estava há já 20 anos praticamente solucionado. Quanto ao que sucede desta vez, quatro anos mais tarde, em 2025, estamos já conversados. Há que estar na política com ética e, de resto, esperemos todos que a obra de Soeiro finalmente se concretize.
Para terminar, espero que no próximo domingo acordemos todos bem-dispostos, até porque se prevê um bom dia de sol! Haja vontade de ir votar alegremente, sem pressões na hora de assinalar o voto, menos ainda ao colocá-lo na urna, e que tudo corra pelo melhor.
Estou convicto de que sim, votem bem e um abraço,
José Salgado Almeida
Um amigo sempre presente 🌱