05/07/2026
A votação da coligação NC/PPM na última Assembleia Municipal deixou uma imagem preocupante que, essa sim, fala mal da Guarda.
Perante uma situação grave que exigia um sinal claro de responsabilidade, a maioria optou pelo silêncio, pela obediência cega e pelo seguidismo acrítico.
Sim, foi um ato de cobardia política. Quando está em causa a exigência de responsabilidades perante a prática de crimes que a Justiça já condenou até à última instância, não estamos no campo da divergência de opiniões. É mesmo de coragem que se fala. E foi essa coragem que faltou aos eleitos da coligação NC/PPM e aos seus acólitos de ocasião. Foi cobardia política não permitirem, sequer, que a votação se realizasse por escrutínio secreto.
Coragem teve-a a Eng.ª Gisela Valente, ao expor publicamente, por todas as vias ao seu alcance, uma situação que nos envergonha enquanto comunidade.
Postura que contrasta com a intervenção do líder do grupo municipal da coligação NC/PPM, que passou ao lado da questão e nem sequer encontrou espaço para uma palavra de censura perante o sucedido a uma trabalhadora municipal. Em vez disso, refugiou-se num conjunto de argumentos confusos e numa teoria atabalhoada, numa clara fuga para a frente.
Tudo isto leva-nos, mais uma vez, a questionar a tão proclamada independência do antigo movimento PG e agora coligação NC/PPM. Onde está essa independência se, nos momentos decisivos, o comportamento é igual ou pior do que aquele que tantas vezes criticam nos partidos que renegaram?
Cada um responderá pelas suas opções. A JSD da Guarda está perfeitamente à vontade nesta matéria, porque sempre colocou e continuará a colocar a defesa de princípios e dos interesses dos guardenses acima de qualquer lógica partidária, custe a quem custar.
Já os "independentes", com raras exceções, mostraram mais uma vez que estão na Assembleia Municipal não para fiscalizar, mas para obedecer. Pior do que qualquer dependência económica é a subordinação moral que esta votação deixou à vista de todos.