13/04/2026
𝗨𝗠 𝗥𝗘𝗧𝗥𝗢𝗖𝗘𝗦𝗦𝗢 𝗖𝗨𝗟𝗧𝗨𝗥𝗔𝗟 𝗡𝗔 𝗔𝗭𝗜𝗡𝗛𝗔𝗚𝗔: 𝗢 𝗗𝗘𝗦𝗣𝗘𝗝𝗢 𝗗𝗢 𝗣𝗜𝗣𝗔!
A recente decisão da Câmara Municipal da Golegã (CMG) de denunciar o Acordo de Parceria com a Associação "Isto não é um ca****bo", forçando a saída do P**A (Programa da Imagem e da Palavra de Azinhaga) da sua sede na antiga Escola Primária da Azinhaga, é mais do que um ato administrativo — é um sinal alarmante de falta de visão e de desinvestimento na cultura descentralizada.
𝗨𝗺𝗮 𝗗𝗲𝗰𝗶𝘀ã𝗼 𝗦𝗲𝗺 𝗗𝗶á𝗹𝗼𝗴𝗼
É incompreensível que uma autarquia decida expulsar um projeto que, ao longo de cinco anos, manteve uma atividade regular e gratuita para a população. Mais grave ainda é o facto de esta denúncia ter sido feita sem qualquer contacto prévio para estudar alternativas ou soluções conjuntas. Este silêncio institucional demonstra uma profunda desconsideração pelos agentes culturais que, de forma voluntária e profissional, elevaram o nome da Azinhaga através da arte e do pensamento.
𝗢 𝗩𝗮𝗹𝗼𝗿 𝗗𝗲𝘀𝗽𝗿𝗲𝘇𝗮𝗱𝗼
Ao fechar as portas desta sede, o Município ignora um legado de:
Dinâmicas de Proximidade: 54 atividades realizadas, desde oficinas para crianças a exposições de renome internacional.
Investimento Próprio: A Associação suportou a expensas próprias melhorias no edifício, como pintura e manutenção, que agora são devolvidas ao Município sem qualquer usufruto cultural.
Impacto Económico e Turístico: O P**A não era apenas "arte pela arte"; trazia visitantes de todo o país , promovia produtos regionais e alojamentos locais e integrava roteiros de turismo literário. 𝗧𝘂𝗱𝗼, 𝘃𝗼𝗹𝘁𝗲-𝘀𝗲 𝗮 𝗿𝗲𝗳𝗲𝗿𝗶𝗿, 𝗴𝗿𝗮𝘁𝘂𝗶𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗲 𝘀𝗲𝗺 𝗲𝗻𝗰𝗮𝗿𝗴𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗮𝘂𝘁𝗮𝗿𝗾𝘂𝗶𝗮!
𝗔 𝗖𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 "𝗣𝗮𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗣𝗼𝗯𝗿𝗲"
Num território que viu nascer figuras como José Saramago, esperar-se-ia que a autarquia fosse a primeira guardiã de projetos que estimulam o sentido crítico e a literacia. Em vez disso, ao retirar o espaço físico a um programa que disponibilizava uma Biblioteca de Arte com 400 volumes à comunidade, a CMG envia uma mensagem clara: a cultura é dispensável.
Enquanto o Município falhou até em cumprir a sua parte do acordo — nunca disponibilizando um espaço digno para as residências artísticas prometidas — a Associação manteve o seu rigor e excelência. A saída do P**A da Escola Primária a 29 de abril de 2026 não é uma derrota da Associação, mas sim uma perda irreparável para os munícipes, que ficam mais pobres no acesso ao conhecimento e à criatividade a programas culturais que apenas encontramos nos grandes centros urbanos.
𝗘𝗺 𝗔𝗯𝗿𝗶𝗹, 𝗟𝗶𝗯𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲 à 𝗠𝗲𝗱𝗶𝗱𝗮
Esta decisão coloca também, no âmbito da discussão pública, outro assunto: a força de uma nova CENSURA e de um lápis azul e laranja, que já não víamos desde o 25 de abril de 1974. A participação cívica dos cidadãos é transversal a todas as forças políticas representadas no concelho, seja nas associações ou instituições que nos representam, devendo como tal ser valorizada.
O Partido Socialista, confrontado com a opinião de muitos azinhaguenses, fez questão de refletir na última reunião de câmara o sentimento geral da comunidade de que a decisão tomada pelo executivo teve um princípio pressecutório. E se dúvidas houvesse, ficaram devidamente desfeitas pela resposta dada pela autarquia.
Imperdoável é argumentar que este “despejo” se deve à necessidade de acolher outras associações. Imperdoável mesmo, é permitir que uma associação organize um plano de atividades para 2026 e, sem qualquer diálogo, retirar-lhe o espaço onde ia desenvolver esse trabalho, prejudicando toda uma comunidade.
Esperamos pois que esta atitude não se venha a estender a outras associações e que, muito menos, sirva para intimidar quem se atreva a questionar as políticas ou atitudes do atual executivo.
𝗣𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗣𝗦, 𝗮 𝗰𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗻ã𝗼 é 𝘂𝗺 𝗴𝗮𝘀𝘁𝗼; é 𝘂𝗺 𝗶𝗻𝘃𝗲𝘀𝘁𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗻𝗼 𝗳𝘂𝘁𝘂𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲. 𝗜𝗻𝗳𝗲𝗹𝗶𝘇𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲, 𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰í𝗽𝗶𝗼 𝗱𝗮 𝗚𝗼𝗹𝗲𝗴ã 𝗽𝗮𝗿𝗲𝗰𝗲 𝘁𝗲𝗿 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗵𝗶𝗱𝗼 𝗼 𝗰𝗮𝗺𝗶𝗻𝗵𝗼 𝗱𝗼 𝗲𝗺𝗽𝗼𝗯𝗿𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗲 𝗱𝗮 𝗼𝗯𝗲𝗱𝗶ê𝗻𝗰𝗶𝗮.
(foto retirada das redes sociais do P**A)