11/06/2026
📜✨ São Julião, freguesia com história... ✨📜
"MANUEL SANTOS – UM FIGUEIRENSE ILUSTRE
“Manuel Santos registou como poucos a beleza da Figueira da Foz. Os seus clichés ilustraram uma época de ouro desta cidade de veraneio. A forma particular como captou o encanto e particularidade dos recantos Figueirenses, tornaram-no promotor por excelência da imagem e propaganda turística da cidade e do concelho.”
Manuel Santos nasceu no dia 5 de junho de 1893, na residência dos seus pais, Manuel José dos Santos e Joaquina Barroso, na Rua dos Cravos, descendente da família dos “ourives voluntários do Mindelo”.
Pertencia a uma família de joalheiros, com vida estável em termos económicos e sociais, apesar das perseguições políticas por apoiar o Liberalismo.
A ourivesaria da família fora fundada em 1820, na Praça 8 de Maio, a “Joalharia Santos”, que durante um século passou de geração para geração.
Manuel Santos partiu para o Brasil em 1918, com 25 anos, após a morte do seu pai, onde fez fortuna como caixeiro viajante.
Quando regressou do Brasil em 1929, com 36 anos de idade, passou a residir na Rua Nova, tendo casado no dia 8 de dezembro deste ano com Maria Luísa Guimarães, de 34 anos, filha do advogado Dr. Francisco Lopes Guimarães.
Divorciou-se em 1935, sem descendentes, e passou a ter uma vida menos confortável, passando a residir no nº 81 da Rua dos Ferreiros.
Manuel Santos não possuía laboratório, sendo as suas fotografias reveladas na Foto Liz, na Praça General Freire de Andrade.
Manuel Santos participou em inúmeros concursos de fotografia e organizou muitos outros. Para além dos concursos, Manuel Santos fez fotografia publicitária e esteve envolvido na organização das festas de S. João e do primeiro Salão de Estética da Figueira da Foz.
O Arquivo Fotográfico Municipal da Figueira da Foz (AFMFF) possui todo o trabalho fotográfico de Manuel Santos, cerca de 4.000 negativos, em vidro e película, e centenas de provas em papel.
Manuel Santos marcou a vida fotográfica da Figueira, pela sua criatividade e bairrismo, representando as suas fotos um legado patrimonial de grande importância histórica e estética.
Mais tarde, com o aparecimento de um novo fotógrafo, Afonso Cruz, Manuel Santos teve de se sujeitar às consequências das novas tecnologias e a sua produção artística começou a diminuir, uma vez que este novo fotógrafo possuía materiais melhores e, como pertencia à aviação, começou a produzir fotografias de panorâmicas aéreas.
Para além da fotografia, Manuel Santos filmou as belezas da sua cidade, tendo sido dos primeiros figueirenses a fazê-lo.
Um dos primeiros filmes que realizou, com muito sucesso, foi “Figueira da Foz, rainha das praias portuguesas”, tendo também filmado concursos hípicos, touradas, gincanas de automóveis, provas de natação, vela e remo.
(A Figueira da Foz tinha tradição no cinema, pois em 15 de agosto de 1896 foi projetada uma película, através do animatógrafo Rousby, no Teatro Circo Saraiva de Carvalho, com sala esgotada até ao dia 23 seguinte, tornando-se a terceira cidade portuguesa, depois de Lisboa e Porto, a g***r desta excitante experiência, poucos meses depois de ter surgido o cinema, em Paris, a 28 de dezembro de 1895, com a famosa sessão dos irmãos Lumière no Salon Indien du Grand Café).
Manuel Santos realizou cerca de 50 curtas metragens sobre a Figueira da Foz nas décadas de 20 e 30, incluindo um filme sobre as regatas internacionais da Figueira da Foz, em 1936, e um trailer de um filme de Oliveira Santos intitulado “Dois corações …Um destino”, o qual não foi concluído por falta de apoios.
Para além de fotógrafo e cinéfilo, Manuel Santos trabalhou no Museu Municipal, no Turismo e na Obra da Figueira.
Faleceu a 16 de abril de 1975, com 81 anos, na Rua dos Ferreiros, nº 81, e o seu espólio foi doado ao Museu Dr. Santos Rocha e à Cinemateca Nacional."
Crónica de Fernando Curado