19/05/2026
🗣️Sr. Presidente,
Srs. Deputados,
Subo a esta tribuna para erguer a voz por uma região que, por demasiado tempo, foi tratada como remoto "jardim de veraneio", mas que hoje emerge, por direito e por imperativo de justiça, como prioridade nacional.
O Algarve cansou-se de esperar. Cansou-se de ser traído nos seus sonhos e destratado por quem o encarava como uma escusada nota de rodapé.
A palavra promessa morreu no Algarve, assassinada por anos de negligência.
Numa frase: Os algarvios sentem que o Algarve é para todos, menos para eles! E têm razão!
Mas hoje, Sr.as e Srs. Deputados, não venho brindá-los com palavreado. Não desejo vender ilusões, venho relatar factos, estranhamente uma prática que para muitos caiu em desuso.
Trago decisões irreversíveis que estão a curar as fraturas expostas que estropiam o corpo e o espírito dos algarvios.
O desafio é acabar com o tempo que se fez desprezo e transformar carências históricas em soluções estruturais.
Temos em curso o maior programa de investimento público que o Algarve jamais conheceu.
Na Saúde, o que era um "um dia" tornou-se um "agora".
•O Novo Hospital: Não é mais uma miragem. O concurso está autorizado, o júri nomeado, o financiamento garantido e o acordo com os municípios firmado.
•Cuidados Primários: Duas novas Unidades de saúde familiar em funcionamento e 5 Unidades de Saúde Familiar tipo C em concurso para estancar a hemorragia das 100 mil pessoas sem médico de família — o trágico legado de quem ficou a dever e nem liquidou a primeira prestação.
•Oncologia: Com o PET aprovado para 2027, Os doentes oncológicos do Algarve não serão mais artigos de exportação na rota de Sevilha.
Sr.as e Srs. Deputados,
não fixaremos médicos nem professores ou polícias se o Algarve for um mercado proibido para quem trabalha. A habitação é hoje a nossa maior barreira, os preços são asfixiantes, por via do turismo ou da imigração.
Por isso, há medidas no terreno: medidas fiscais, investimento público sem precedentes.
E sejamos claros, sem tabus: a imigração tem de ser regulada e digna.
O Algarve precisa de braços, mas não aceita a exploração. Não aceitamos o sobrepovoamento habitacional que alimenta bolsas de exclusão — bolsas que uns ignoram por conveniência e outros estigmatizam para seu infame proveito político.
Queremos integração, não guetos.
Finalmente, a água. Sem água, o Algarve não é destino, é deserto.
O Governo está a executar 470 milhões de euros — a maior apólice de seguro contra a seca da nossa história.
•A dessalinizadora de Albufeira já mexe terra;
•O Pomarão vai a concurso ;
•Financiamos a 100% os municípios para acabar com o desperdício de redes obsoletas.
O Algarve já não é o "parente pobre" que se silencia no fim da mesa. É a região que exige o que é seu por direito. E que tem um Governo que age para concretizar esse direito.
Não aceitaremos campos secos, nem jovens sem teto, nem doentes em ambulância pelas estradas do país vizinho.
O Algarve é a nossa fronteira da prosperidade. Estamos aqui para construir um país, de norte a sul, mais justo, mais equilibrado, onde ser algarvio seja mais motivo de orgulho e menos prova de resistência.
Estamos a cumprir: Algarve, prioridade nacional.
Muito obrigado.
Cristóvão Norte