05/03/2026
OLHAR POLÍTICO | Governo - Satisfaz Menos
Portugal foi atingido por uma sucessão de tempestades, que foram anunciadas com precisão científica e que puseram à prova a capacidade de gestão do Governo, que tardou a dar resposta e a perceber a importância e dimensão da catástrofe. Assistimos a uma inabilidade em gerir esta calamidade, por parte da Ministra da Administração Interna, do Ministro da Defesa Nacional, do Ministro da Economia e Coesão Territorial, do Ministro das Infraestruturas e Habitação e sobretudo do Primeiro Ministro.
Salvou-se, no meio de tanta incompetência, a postura da Ministra do Ambiente e Energia, que mostrou, através de uma comunicação esclarecedora, que tinha uma diferença fundamental dos demais: empatia. Verifica-se assim, que dizer a coisa certa, no momento exato, e ter uma mensagem clara, que conforta e esclarece, é o mínimo exigível a um membro do Governo com responsabilidade política. No entanto, não houve somente um problema de expressão. Houve todo um falhanço de planeamento e gestão da crise, que deixou uma sensação de abandono nas populações. Houve um distanciamento e um desprezo na linguagem usada…não esqueçamos a famosa frase do Primeiro Ministro “aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”.
Houve até lugar à divulgação de um vídeo de clara propaganda, que serviu apenas para o Ministro da Presidência se autopromover. Não fora a extraordinária solidariedade do povo e a falta de meios teria sido ainda mais notória, ficando claro que não se pôde contar com o Estado. Sabemos também que isto em nada ajuda a democracia, na medida em que a população, à semelhança das suas casas, sente-se inundada, mas desta vez de descontentamento e desesperança e isso só favorece a extrema direita.
Porém, o pior está para vir, do ponto de vista da direção política. Há todo um país para reconstruir. Estradas e caminhos danificados, casas, empresas e equipamentos, que foram totalmente destruídos, desabamentos que levaram ao fecho de estradas, cortes de energia, água e comunicações, são as principais consequências materiais do temporal. A rede elétrica deve ser repensada, porque existem pessoas que, ao dia de hoje, estão ainda sem energia, tendo a E-Redes responsabilidades a apurar.
Luís Montenegro tem de corrigir todo este emaranhado de sucessivos desastres que vem adicionando à sua governação, quer na Saúde, que disse resolver em 60 dias, quer na Habitação, quando considera moderada uma renda de 2300€, quer na proposta de um Pacote Laboral que é violentíssimo para os trabalhadores e, de uma vez por todas, largar o discurso arrogante e de uma tremenda sobranceria, que tem sido o seu apanágio nestes dois anos.
O governo não passou no teste. Teve um Não Satisfaz e, de acordo com a ex-Ministra da Administração Interna, tem mesmo de fazer uma aprendizagem coletiva e perceber o que falhou, de forma a inverter o rumo da sua política.
✍Irene Abreu
Elemento da Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Lagoa