Bancada Parlamentar MMC “ É Por Espinho “

Bancada Parlamentar MMC “ É Por Espinho “ Movimento de Cidadãos

Os espinhenses ficaram por ver os aviões…Perante o que foi anunciado pela autarquia, de que a cidade receberia a demonst...
19/06/2026

Os espinhenses ficaram por ver os aviões…

Perante o que foi anunciado pela autarquia, de que a cidade receberia a demonstração aérea da Air Invictus, causa surpresa a notícia entretanto divulgada pela comunicação social.

Muitos cidadãos deslocaram-se à zona marítima na expectativa de assistir à exibição anunciada e acabaram por ficar desiludidos. No local, apenas foram vistas aeronaves ligeiras já bem conhecidas dos espinhenses e associadas ao aeródromo local.

Perante esta situação, importa esclarecer:

Afinal, o que aconteceu?
O espetáculo anunciado chegou a realizar-se?
Qual foi o valor pago pelo Município para esta iniciativa?
Que contrapartidas foram efetivamente asseguradas?
Em nome da transparência e do respeito pelos munícipes, é fundamental que a Câmara Municipal preste os esclarecimentos necessários. Os espinhenses merecem saber o que foi efetivamente contratado, o que foi realizado e como foram aplicados os recursos públicos.

A confiança dos cidadãos constrói-se com informação clara, rigorosa e transparente.

Carta Aberta ao Presidente da Câmara Municipal de EspinhoMaria Manuel CruzGrupo Municipal «Maria Manuel Cruz É Por Espin...
16/06/2026

Carta Aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Espinho
Maria Manuel Cruz
Grupo Municipal «Maria Manuel Cruz É Por Espinho»
Câmara / Assembleia Municipal de Espinho

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal,
Li com atenção a entrevista que concedeu à Defesa de Espinho, publicada a 11 de junho. Não ignorarei o que foi dito. Isso não seria útil nem para Espinho, nem para os espinhenses que merecem que as coisas sejam ditas como são.
Sobre o estado em que encontrou a Câmara
Afirma que encontrou uma autarquia "completamente desestruturada", sem projetos, sem respostas. É uma narrativa conveniente. É também uma narrativa falsa.
Em outubro de 2025, o executivo cessante entregou-lhe um Relatório de Transição com dezenas de processos em curso, candidaturas aprovadas ou submetidas, empreitadas contratualizadas, procedimentos em fase avançada. Estava lá tudo: o Norte 2030 para a renovação da rede de abastecimento de água (4,9 milhões de euros candidatados), a expansão da recolha porta-a-porta em Silvalde e Paramos (1,5 milhões), os projetos PRR na saúde, habitação, coesão social e educação, as obras nos bairros de Paramos. Documentos existentes, verificáveis, públicos.
Dizer que não havia projetos é desrespeitar quem os fez. E esse "quem" inclui técnicos municipais que atravessaram um dos períodos mais difíceis da história recente desta autarquia — a Operação Vórtex — e continuaram a trabalhar. Muitos chegaram a recorrer a baixa médica não por displicência, mas pela pressão de uma situação sem precedentes. Que o Senhor Presidente tenha reconhecido que, com a mudança de executivo, essas pessoas começaram a regressar ao serviço diz, aliás, mais do que pretendeu dizer.
Sobre os números que cita
Afirma que "em 2025 foram gastos um milhão e meio de euros em festas e festejos". Desafio o Senhor Presidente a indicar a rubrica orçamental de onde retira esse valor.
A Prestação de Contas de 2025, aprovada pela sua própria Câmara e remetida à Assembleia Municipal em março de 2026, não contém tal rubrica. O que os documentos oficiais registam é que a despesa total em "Serviços culturais, recreativos e religiosos", na classificação funcional das Grandes Opções do Plano, foi de 1.210.085 euros — e inclui museus, biblioteca, CINANIMA, FEST, Mar Marionetas, atividades com escolas, programação sénior, o Planetário. Não é uma festa. É a oferta cultural de uma cidade.
A animação de eventos — Dia da Cidade, Festas da Ajuda, Natal, Passagem de Ano, iniciativas de Páscoa e Verão — é financiada em parte pelo imposto especial de jogo, através do Plano de Obras do Turismo de Portugal, num total executado de 966.924 euros em "Promoção de atividades e do destino". Este é o valor real, documentado, verificável. Não "um milhão e meio em festas".
Afirmar um número sem base documental, em entrevista publicada, não é gestão transparente. É narrativa.
Sobre o dinheiro devolvido ao Turismo de Portugal
Aqui concordamos, parcialmente. É verdade que houve devolução de verbas ao Turismo de Portugal em 2023 e em 2024. Isso ficou registado na própria Prestação de Contas de 2025 — que o Senhor Presidente assinou. O contexto em que isso aconteceu — o impacto da Operação Vórtex no funcionamento dos serviços, com chefes de divisão constituídos arguidos — é um facto que a entrevista ignora por completo. Não mencionar esse contexto quando se atribui responsabilidades é escolha política, não análise rigorosa.
O que não pode deixar de ser dito é isto: o saldo de gerência que o executivo anterior lhe deixou foi de 14.340.218,22 euros. Catorze milhões trezentos e quarenta mil euros. Confirmado pelos auditores externos da BDO e constante da Prestação de Contas 2025. Quando afirma que "numa Câmara há sempre dinheiro para o que é necessário", está certo. E tem esse dinheiro precisamente porque o executivo anterior não o gastou — manteve a saúde financeira do município mesmo nas circunstâncias mais adversas que esta autarquia alguma vez atravessou.
Sobre os projetos "que não existiam"
Diz que a Piscina Solário Atlântico e o Balneário Marinho "não tinham projetos". O Relatório de Transição que recebeu em outubro descreve uma candidatura de 1.106.016 euros ao PAOITI para a reabilitação desses equipamentos, com projeto de execução em curso. Diz que a Escola Domingos Capela não estava prevista como urgente. A Prestação de Contas 2025 descreve a candidatura ao Norte 2030 para essa escola, no valor de 5.858.866 euros, como "submetida, a aguardar parecer". Diz que as USF não tinham projetos. O Relatório de Transição documenta estudos prévios validados pela presidente cessante em setembro de 2025, com prazos de entrega de projeto de execução em curso. Diz que a Nave Desportiva "não estava fechada". O projeto de execução estava concluído e revisto quando tomou posse.
Os documentos existem. As datas estão lá. Qualquer cidadão os pode consultar.
O que está em causa
Não escrevo esta carta para disputar crédito político. Os projetos pertencem a Espinho. Escrevo porque a reescrita sistemática da história administrativa desta autarquia, feita em entrevista e com factos distorcidos, não é aceitável — e porque os espinhenses têm direito a avaliar com informação correta.
Executar o que está aprovado e financiado é uma obrigação de gestão, não uma façanha. Reconhecer o que foi feito antes não diminui quem vem a seguir. Diminui, isso sim, a credibilidade de quem governa quando os factos são verificáveis e a versão não corresponde aos documentos.
Desejo genuinamente que Espinho avance. As obras que estão em curso — muitas delas iniciadas ou candidatadas pelo executivo anterior — devem ser concluídas. Os espinhenses assim o merecem e assim o exigem.
Com respeito institucional,
Maria Manuel Cruz
Grupo Municipal «Maria Manuel Cruz É Por Espinho»
Câmara Municipal de Espinho
Assembleia Municipal de Espinho
Espinho, junho de 2026

A retirada da publicação da página do município levanta naturalmente dúvidas e exige esclarecimentos públicos.Quando se ...
29/05/2026

A retirada da publicação da página do município levanta naturalmente dúvidas e exige esclarecimentos públicos.
Quando se anunciam poupanças de cerca de 36 mil euros face ao período homólogo de 2025, é importante explicar de forma clara e transparente como foram alcançadas.

Se essas poupanças resultam do facto de algumas chefias terem permanecido sem nomeação — o que pode levantar questões sobre a existência, ou não, de pessoas com habilitação para os cargos — ou da redução do pagamento de horas extraordinárias, então isso deve ser assumido e explicado aos espinhenses com rigor e verdade.

A transparência na gestão pública não pode existir apenas quando os números são favoráveis. É fundamental contextualizar os dados, esclarecer as opções tomadas e assumir as consequências dessas decisões no funcionamento dos serviços municipais.

Os espinhenses merecem informação completa, transparente e coerente, não publicações que surgem e desaparecem sem qualquer explicação.

25/05/2026

Gostei de ouvir o atual presidente da Câmara criticar decisões do antigo executivo do PSD, apontando a falta de continuidade da possível saída de emergência na zona norte de Espinho, na zona do Rio Largo, como exemplo de má planificação de projetos. Segundo ele, só na cabeça de alguns poderia existir ali uma saída de emergência.

Curioso é perceber que, afinal, aquilo que antes era apresentado como uma solução estratégica para a cidade é agora tratado como um erro sem lógica. F**a a pergunta: afinal, quem tinha razão? E quantos projetos foram anunciados sem verdadeira visão, estudo ou coerência urbanística?

Quando os próprios protagonistas desmentem opções do passado, torna-se evidente que Espinho precisa menos de propaganda e mais de planeamento sério, consistente e pensado a longo prazo.”

COMUNICADOA atribuição da distinção “Qualidade de Ouro” à Praia da Baía, pela Quercus, vem confirmar aquilo que os espin...
22/05/2026

COMUNICADO

A atribuição da distinção “Qualidade de Ouro” à Praia da Baía, pela Quercus, vem confirmar aquilo que os espinhenses e todos os que frequentam a nossa costa bem conhecem: a excelente qualidade da água balnear da nossa praia.

Este galardão é atribuído com base nas análises feitas em 2025.

Este reconhecimento público é motivo de satisfação e demonstra que a Praia da Baía reúne elevados padrões ambientais e de qualidade da água, fatores fundamentais para a segurança e confiança dos banhistas.

Contudo, perante esta distinção, importa igualmente esclarecer a população sobre os motivos que levaram à não atribuição da Bandeira Azul à mesma praia, uma vez que tal situação suscita dúvidas legítimas junto da comunidade.

Nesse sentido, considera-se fundamental que sejam tornados públicos os fundamentos e critérios concretos que estiveram na base dessa decisão, bem como o respetivo relatório técnico ou documentação de avaliação que suportou a não atribuição da Bandeira Azul à Praia da Baía.

A transparência neste processo é essencial para que todos possam compreender quais os aspetos identificados, permitindo igualmente avaliar as medidas necessárias para garantir que a Praia da Baía continue a afirmar-se como uma referência de qualidade ambiental e balnear.

MENOS FINOS E  MENOS TAPAS – MAIS PRESERVAÇÃO E MAIS HABITAÇÃO Os deputados municipais do movimento MMC – é por Espinho!...
13/05/2026

MENOS FINOS E MENOS TAPAS – MAIS PRESERVAÇÃO E MAIS HABITAÇÃO

Os deputados municipais do movimento MMC – é por Espinho! manifestam a sua apreensão e perplexidade ante a aprovação da recomendação “ requalificar tirar os carros da Rua dois – um passeio marítimo devolvido às pessoas”. A mesma pretende, por um lado, suprimir o trânsito automóvel na rua dois; por outro, transformar toda a frente marítima da freguesia de Espinho numa zona dedicada a esplanadas e (no jargão da recomendação) a “Street Food”; e plantar palmeiras na praia. O anunciado racional da proposta será dinamizar a área como zona de lazer, alavancando a economia local; e repristinar os “anos dourados” da cidade ( no dizer da proposta, quando existiam palmeiras).
Já nos pronunciamos em sede própria sobre um orçamento expansionista, dependente em grande parte de receitas eventuais, e onde o afã de mostrar “obra feita” é indesmentível, conquanto não se saiba concretamente que obra; já nos pronunciamos igualmente sobre o desrazoável, exponencial e irreversível incremento do quadro de pessoal afeto ao município. Em consonância, deixaremos também aqui patente a nossa preocupação com o que a recomendação implica, e no que poderá resultar.
​A recomendação olvida que na rua dois vive uma população ainda numerosa, desfavorecida, de parcos recursos e frequentemente com problemas de mobilidade. É incompatível com o princípio da dignidade humana que se tornem invisíveis ou sacrificáveis, apenas para se tornar o respetivo entorno numa espécie de recreio para quem lá não vive.
​A recomendação olvida que os instrumentos de ordenamento do território , mormente com o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) de Caminha-Espinho dificilmente permitirão uma intervenção visando algo de semelhante.
​A recomendação ignora olimpicamente os efeitos das alterações climáticas – nomeadamente, a subida do nível dos oceanos – acreditando que, talvez por milagre ou por Poseidon gostar de beber um fino à beira-mar, as esplanadas e demais tralha ansiada será poupada.
​A recomendação olvida que , antes de inovar, há que manter e recuperar – nomeadamente, recuperar o edificado municipal; a rede viária; o sistema de saneamento; o sistema de abastecimento e distribuição de água.
​A recomendação ignora que , antes de la movida, há a vida. Num concelho onde a falta de habitação é notória; onde os equipamentos de habitação social existentes reclamam urgente intervenção, dizer que o que é preciso é uma rua onde se ande a pé, prenhe de estabelecimentos de comes e bebes e onde se possa abanar o pezinho é dizer – para lá da realidade e o bom senso – que se deve priorizar o folguedo de alguns , em detrimento do direito que todos deverão ter a um teto debaixo do qual se durma.

​A recomendação olvida que Espinho não é Phuket e, como tal, não é suposto nascerem palmeiras na praia – ou as mesmas serem ali plantadas.
​A recomendação despreza as restantes freguesias do concelho, e vê-as como simples adorno, destinado a compor do ramalhete da municipalidade. Obras junto ao mar? Sim, são necessárias sobretudo em Paramos e em Silvalde, onde a erosão marítima se tornou grave e põe em risco o edificado mais próximo da praia. E, no entanto, a recomendação prefere um malecón atlântico com muito salero e animação, um ou outro bar dançante, onde se possam tirar selfies ao por do sol. Não há pão? Pois comam brioche.
​A recomendação, ao limitar a intervenção à freguesia de Espinho e ao pretender cortar o trânsito na rua dois, mas mantendo-a transitável a partir da extrema de Espinho com Silvalde, potencia a guetização do bairro piscatório e acentua a sua estigmatização – como aquele território comanche onde, entrando-se, acaba o direito às tapas e às esplanadas.
​A recomendação não é necessária. Querem esplanadas? Querem Street Food? São facilmente configuráveis instalações temporárias, com estruturas amovíveis, por uns quatro meses por ano, na zona entre o Cabana e a Piscina Solário Atlântico. Só que essas – ao contrário do defendido na recomendação – reclamam pouca empreitada. Citando Pessoa, navegar é preciso. Já tanto empreitar- não.

“Demagogia feita à maneira é como queijo numa ratoeira “A requalificação da Escola Integrada Sá Couto foi apresentada co...
09/05/2026

“Demagogia feita à maneira é como queijo numa ratoeira “

A requalificação da Escola Integrada Sá Couto foi apresentada como uma grande obra para a educação no concelho, mas a realidade encontrada pelo executivo em outubro de 2021, quando assumiu funções, estava longe da propaganda anunciada.

Herdámos uma intervenção incompleta, feita à pressa e sem responder a necessidades básicas da comunidade escolar. A obra não contemplava a requalificação do pavilhão desportivo nem dos balneários, espaços essenciais para centenas de alunos e professores. Importa recordar que estes balneários nunca tinham sido alvo de qualquer requalificação desde a inauguração da primeira escola, permanecendo décadas sem as condições adequadas.

Foi apenas em finais de 2022 que os alunos da educação pré-escolar e do primeiro ciclo foram transferidos para este espaço, tornando ainda mais evidentes as falhas graves existentes. A requalificação realizada não previa sequer a instalação de internet em condições, algo incompreensível numa escola do século XXI. Para além disso, verificavam-se sérios problemas no escoamento das águas pluviais, com infiltrações e inundações nas salas do primeiro ciclo sempre que chovia com maior intensidade.

Este executivo à data teve de avançar com diversas obras de correção e adaptação, porque muitas das intervenções realizadas não respeitavam regras básicas de segurança. Mais grave ainda, algumas soluções avançaram sem parecer da ANEPC, situação que nunca poderia ser ignorada quando está em causa a segurança de crianças, professores e funcionários.

Esta requalificação encontra-se também envolvida num processo judicial, com a construtora ABB a exigir uma indemnização de vários milhões de euros. Um cenário que demonstra bem a falta de planeamento, rigor e responsabilidade com que este processo foi conduzido.

Apesar de todas as dificuldades herdadas trabalhamos para garantir uma escola mais segura, funcional e digna para toda a comunidade educativa, corrigindo erros do passado e colocando sempre os interesses dos alunos e das famílias em primeiro lugar.
O passar as culpas de um executivo para outro executivo não resolve os problemas dos municipes e apenas transmite falta de capacidade em resolver os verdadeiros problemas.
Mais importante do que procurar responsáveis é garantir respostas e soluções. A comunidade educativa espera uma escola segura, funcional e preparada para o futuro. É nesse compromisso que deve estar centrado o trabalho de todos: resolver os problemas existentes, melhorar as condições de ensino e assegurar dignidade para alunos, professores e famílias.
Fotografia do jornal Defesa de Espinho

Intervenção: 25 de Abril — A Verdade da Memória e a Ética do FuturoExma. Senhora Presidente da Assembleia Municipal,Exmo...
25/04/2026

Intervenção: 25 de Abril — A Verdade da Memória e a Ética do Futuro
Exma. Senhora Presidente da Assembleia Municipal,
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Espinho,
Dignos Eleitos, Concidadãos,

Celebramos hoje o 25 de Abril. Mas este ano, a nossa celebração ganha uma densidade histórica excecional. Estamos no ano em que assinalamos o cinquentenário de dois pilares fundamentais da nossa democracia.
Assinala-se assim, e também, os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, a 2 de abril de 1976, o pacto fundador que selou o compromisso inabalável de Portugal com a liberdade, com a dignidade da pessoa humana e com o Estado de Direito. Foi esta Constituição que deu o enquadramento legal para que, meses depois, em 12 de dezembro de 1976, realizássemos as primeiras eleições autárquicas livres. É este duplo aniversário que hoje honramos nesta Assembleia.

No entanto, a liberdade de celebrar traz consigo a responsabilidade de recordar com rigor. Hoje, mais do que nunca, é imperativo defender a verdade histórica.
Atravessamos um tempo perigoso em que se tenta confundir "contexto histórico" com "narrativa política". Mas a verdade histórica não é um menu à la carte onde podemos escolher os factos que melhor servem as agendas do presente. O contexto real de 1974 em Espinho era o de um país amordaçado. Enquanto o "turismo de elite" brilhava no Casino, no Bairro da Marinha ou nas nossas freguesias de Anta, Guetim, Silvalde e Paramos, o povo vivia sem saneamento, sem água e sob a sombra da PIDE.
Eu não nasci em Liberdade. O 25 de abril aconteceu eu tinha já dez anos de idade. Mas lembro-me de alguns factos que não podem ser esquecidos. Lembro-me que em Espinho, salvo uma pequena parte da população protegida pelo seu sobrenome, todos eram pobres. O fiado era comum, lembro-me de ir à mercearia e estar em cima do balcão um livro preto, grande, onde se anotava diariamente tudo o que não era pago no ato da venda. Eu tinha a felicidade de comer carne, peixe e fruta, mas para muitos esses alimentos era um luxo incomportável. Como todos se devem lembrar, em Portugal matava-se um porco uma vez por ano, carne que alimentava uma família inteira durante esse ano, ou até mesmo se dividia uma sardinha por quatro pessoas.
As crianças que conseguiam sobreviver aos partos sofriam de raquitismo, tuberculose, subnutrição, poliomielite, não tinham qualquer assistência médica, à exceção dos médicos benfeitores que eram pagos com uma galinha. A saúde oral era completamente desconhecida, por isso era muito comum ver-se jovens já sem dentes devido às cáries e à má alimentação. Havia sim uma grande probabilidade de morrer na infância. Não se pensava sequer em escolaridade obrigatória, pelo que às crianças, restava-lhes o trabalho pesado. Poucos iam à escola e muitos iam descalços. Nas escolas primárias, predominava a “reguada” onde se apoiavam os professores e as regentes escolares, para ensinarem as primeiras letras aos seus numerosos alunos, sem cuidados de higiene e com fome.
Quando jovens, os rapazes tinham todos que ir para a tropa, para a guerra colonial, e mutos não regressavam. Para dezenas de milhares de jovens portugueses, os melhores anos da sua vida foram vividos no mato, entre armas, medo e saudade.
Predominava o trabalho agrícola manual, com baixos salários e pouca mecanização. O trabalho era duro e a pobreza era generalizada, com muitos a viver em barracas ou casas precárias, sem água canalizada ou eletricidade.
Era uma época em que os homens trabalhavam e embebedavam-se. Nas horas vagas, davam pancada na mulher e nos filhos. As mulheres, por seu turno, eram donas de casa e trabalhavam nos campos. Eram sistematicamente violadas e agredidas, dentro e fora do casamento, não estivéssemos nós na era dos filhos de pais incógnitos. As mulheres não podiam ir para a Universidade, não podiam ter uma carreira, não podiam sequer sair do país sem a autorização do marido, a quem haviam sido entregues pelos pais. As mulheres não podiam votar. Não podiam ser juízas, diplomatas, militares ou polícias. As que conseguiam chegar a professoras, só podiam casar com autorização do Ministro da Educação. As que conseguiam ir à escola estavam separadas dos rapazes. Não havia turmas mistas. Os namoros eram vigiados, ou às escondidas, espiados pela sociedade controladora. A função da mulher era ser mãe, esposa, submissa e dona de casa. Não se permitia que a ordem social fosse questionada, qualquer movimento de feminismo era imediatamente silenciado.
O Estado Novo de Salazar, para se consolidar no poder, criou um eficaz aparelho repressivo. Através dele, todos os órgãos da comunicação, espectáculos, teatros, livros eram submetidos à censura prévia, para serem escrutinados pelos rigorosos e arbitrários censores que os podiam apreender. Os censores é que decidiam o que é que as pessoas podiam ver, ouvir e pensar. Nada escapava ao seu controlo. A censura era a instituição mais poderosa e mais eficaz da ditadura. Uma gigantesca máquina de propaganda.
O Estado Novo apoiava-se na temível e sinistra PIDE, polícia do Estado, para vigiar os inimigos do regime ditatorial, encerrando-os em cadeias após lhes fazerem a vida negra, com cruéis castigos corporais e psíquicos.
Em Espinho, como em todo o país, o povo agarrava-se à fé, à Igreja, onde iam todos os dias, e, ocasionalmente, assistiam a um jogo de futebol num café.
Eu não tenho saudades deste tempo.
Tentar branquear a ditadura é um insulto à memória de quem sofreu para que hoje pudéssemos aqui estar a debater livremente.
Comemorar Abril, citando Almeida Santos, “É reviver a alegria do reencontro de Portugal com a Liberdade! “
A democracia não foi herdada por acaso. Ela foi construída por quem deu a cara quando o futuro era incerto. É um facto histórico que nos acalenta e não pode ser esquecido.
Recordar o poder local em Espinho é honrar figuras como Artur Pereira Bártolo, o primeiro Presidente da Câmara eleito pelo voto livre dos espinhenses. Foi ele, ao abrigo da Constituição de 1976, quem teve a tarefa de transformar a carência em serviço público. Foram estes obreiros que compreenderam que a cidade precisava de escolas, de higiene pública e, acima de tudo, de uma voz própria.
Mas a democracia não é um estado permanente. A Constituição de que celebramos 50 anos não é apenas um papel; é um escudo contra o livre arbítrio. Por isso, devemos estar vigilantes perante os sinais de retrocesso que hoje surgem disfarçados de modernidade administrativa.
Olhamos com profunda preocupação para as recentes alterações legislativas ao financiamento dos partidos e para o relaxar das restrições legais nos concursos públicos. Sob a capa de uma “putativa eficiência acrescida”, corre-se o risco de escancarar as portas à corrupção que Abril prometeu erradicar.
A gestão pública não pode ser um "cheque em branco". Entre a rapidez de um processo e a transparência de um concurso, a democracia — e a nossa Constituição — exigem sempre a transparência. Quando se fragilizam os mecanismos de fiscalização em nome da "eficácia", a gestão pública deixa de servir o cidadão para servir interesses particulares. A eficiência sem escrutínio é o primeiro passo para o autoritarismo.
Ao celebrarmos 50 anos de Constituição e de Poder Local, recordamos que a democracia só é plena se for participativa e íntegra. O município é a fronteira mais próxima da cidadania. Aqui, em Espinho, temos a responsabilidade de ser o exemplo máximo dessa integridade.
Defender Abril hoje não é apenas usar um cravo. É garantir que o espírito da Constituição de 1976 — o espírito da justiça e da transparência — prevaleça sobre a sedução das narrativas simplistas ou dos modelos de gestão opacos.
Que a força deste cinquentenário nos dê o ânimo para dizer: à liberdade e à transparência, tudo e nem um passo atrás.
Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Espinho, Senhor Presidente da Camara de Espinho, Senhores Deputados. O 25 de Abril permitiu que o Povo retomasse a confiança; o 25 de Abril trouxe o respeito pelos direitos, liberdades e garantias do homem e do cidadão Português. O 25 de Abril instituiu a democracia em Portugal.
O mínimo que podemos fazer é honrar, celebrar, e nunca esquecer. Que se acalmem aqueles que ainda tentam mais uma vez acorrentar Portugal.

Viva a Constituição da República! Viva o 25 de Abril! Viva Espinho!

O Partido Socialista continua desorientado e, como referiu um deputado Municipal do PSD, revela uma preocupante amnésia ...
20/04/2026

O Partido Socialista continua desorientado e, como referiu um deputado Municipal do PSD, revela uma preocupante amnésia política.

É lamentável que persista em negar responsabilidades relativamente às contas de 2024, e em relação ao relatório de contas de 2025 apresenta uma posição contraditória: votar contra as contas referentes ao período de janeiro a outubro e, de forma incoerente, aprovar os meses de novembro e dezembro de 2025.

Esta postura só pode resultar de uma cegueira política que impede de reconhecer o essencial — o que está em apreciação são contas, documentos técnicos e financeiros, e não meras declarações ou posicionamentos políticos.

Quando uma concelhia, do partido socialista, se encontra desgovernado internamente, essa falta de rumo acaba por refletir-se em todos os seus elementos, que deixam de conseguir apresentar uma posição consistente, coerente e responsável.

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