23/04/2026
Recordar o 25 de Abril de 1974
Hoje, dia 23 de abril, recebemos na nossa biblioteca os alunos do 8.º B e a sua professora de português, Dr.ª Graça Craveiro, que partilharam pequenas histórias familiares, relatos e vivências de um período marcado pela pobreza, pela falta de liberdade, pela opressão, pela censura, pelo medo, pela falta de trabalho, pelos salários baixos...
O tema que serviu de mote à conversa foi o Antes do 25 de Abril, onde as conversas se faziam baixinho, como se as paredes pudessem ouvir. Havia quem escondesse livros, jornais, quem guardasse opiniões no fundo da gaveta, quem aprendesse a viver com o medo como quem carrega um casaco demasiado apertado.
Nas escolas, nas ruas, nas casas, sentia‑se que a vida podia ser maior — mas ainda não era, que a guerra no Ultramar devia acabar.
E então chegou a madrugada de 25 de Abril.
Primeiro, um rumor. Depois, uma canção na rádio que parecia um sinal secreto. As pessoas começaram a sair à rua, umas com cautela, outras com esperança a transbordar. Os soldados avançavam, mas não para impor — para libertar. Destacámos dois militares deste MFA, Salgueiro Maia e Otelo Saraiva de Carvalho.
E no meio da surpresa, alguém estendeu um cravo.
Outro fez o mesmo.
E de repente, Lisboa encheu‑se de flores vermelhas, como se a própria cidade respirasse fundo depois de anos de silêncio. Recordámos Celeste Caeiro.
Nesse dia, a liberdade deixou de ser apenas uma palavra. Tornou‑se gesto, voz, abraço, futuro. E cada pessoa que viveu aquele momento guardou para sempre a memória de como um país inteiro acordou para a possibilidade de ser mais justo, mais aberto, mais seu. Lembrámos ainda os 50 anos da Constituição da República Portuguesa.