02/03/2022
Direito de resposta
A opção de uma subdiretora pela ficção
No editorial do Diário de Notícias desta terça-feira, a subdiretora Joana Petiz critica a posição do Bloco de Esquerda face à guerra na Ucrânia. Essas considerações baseiam-se em três mentiras.
1. Escreve Joana Petiz que “o Bloco e o P*P rejeitaram participar em protestos contra a invasão russa”. O Bloco apelou publicamente à participação na manifestação em frente à embaixada da Federação Russa, na qual Catarina Martins esteve presente para afirmar que “é importante que em todo o mundo os povos se levantem a dizer não à guerra, a dizer que a invasão russa à Ucrânia tem de parar e que é inaceitável”. Estas declarações foram citadas por diversos órgãos de comunicação social. Não era sequer necessário que a subdiretora do Diário de Notícias tivesse questionado o Bloco sobre a sua posição, bastava que lesse os jornais.
2. Escreve também Joana Petiz que a recusa de participar nesta manifestação se baseia na “aparente desculpabilização do impulso russo”. O Bloco condenou desde o primeiro momento a intervenção de Vladimir Putin. Num comunicado público e enviado ao Diário de Notícias a 23 de Fevereiro, a Comissão Política do Bloco de Esquerda referia que “Portugal deve condenar a aventura militar de Putin” e que “o governo português deve, no quadro da União Europeia, insistir na via diplomática para definir termos de cessar fogo no Donbass e para a convivência na região”. No dia seguinte, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda afirmou no Parlamento que “o Bloco de Esquerda condena, sem reserva, o ataque que está em curso e a ocupação do território de um país soberano”. Não há equívoco que justifique a referência da subdiretora do Diário de Notícias: o Bloco de Esquerda condenou em todos os momentos a invasão imperialista russa.
3. Por fim, escreve Joana Petiz que esta terça-feira “o Bloco de Esquerda absteve-se” na votação em que o Parlamento Europeu condenou a invasão russa da Ucrânia. Ao contrário do que escreve, os dois eurodeputados do Bloco votaram a favor da condenação da Rússia. De tal forma é errada a referência de Joana Petiz que um outro texto do Diário de Notícias, publicado pela jornalista Susana Salvador, foi corrigido com a seguinte nota: “Uma primeira versão dizia, erradamente, que os dois eurodeputados do Bloco de Esquerda tinham optado pela abstenção na votação no Parlamento Europeu, quando na realidade votaram a favor.” Na declaração de voto que entregaram - e que está publicada - os eurodeputados do Bloco dizem explicitamente: “Votámos a favor da resolução no seu conjunto, apesar das divergências manifestadas, porque o seu fundamental garante um quadro de ações e sanções que enfraquecem a capacidade económica da Rússia para prosseguir a invasão da Ucrânia”.
Joana Petiz tem funções de responsabilidade no Diário de Notícias e não pode atribuir tamanhos erros a mera negligência no momento de se informar. A subdiretora do DN tinha uma opinião para dar sobre a posição do Bloco. Como a realidade não viabilizava a sua opinião, optou pela ficção.