08/03/2026
Todas as mulheres são portadoras de grandes feitos e das suas próprias histórias.
Neste Dia da Mulher trazemos a Lembrança e a história de uma mulher cuja crueza da vida a fortificou.
Falamos de Maria dos Reis.
Maria não teve uma vida fácil. Já vos contámos parte da história dela. Filha do Barbeiro de Sarzedas de São Pedro, foi marcada na boca pela mordida de uma das sanguessugas medicinais do pai, acontecimento que deve ter deixado as suas mazelas físicas, emocionais e até sociais.
Como dissemos, Maria não teve uma vida fácil.
Desposada por João Simões, foi a mão invisível por trás de um pequeno negócio de lanifícios, trabalhando arduamente na confecção de meias, numa pequena fabriqueta em casa.
A marca que fabricava apresentava, injustamente, o nome do seu marido — “Meias João Simões Carril”, já existente em 1938, segundo um artigo da edição de 1 de Janeiro do jornal “O Castanheirense” —, mas era Maria quem na verdade produzia as meias, juntamente com duas ou três trabalhadoras a seu encargo, consoante a necessidade.
Tudo estava à sua responsabilidade, desde a confecção, o tingimento, a lavagem, o empacotamento aos meios-centos em serapilheiras e o transporte para Lisboa de autocarro — feito pessoalmente —, onde Maria entregava as meias ao seu marido, que apenas as comercializava e colhia os lucros, e os louros.
Por tudo isto, esta rúbrica não é acerca de João Simões, detentor indevido da marca de meias, mas sim de Maria dos Reis, mulher calejada que foi explorada pelo marido e aguentou um negócio durante cerca de 30 anos.
Depois do falecimento de João Simões, em 1959, afastou-se por completo deste ofício que a desgastou. Dedicou-se à sua horta e a ajudar os seus filhos, um deles Albano, também ele fabricante de meias, como já apresentámos numa publicação anterior.
Sabem histórias de outras grandes mulheres da Aldeia? Partilhem nos comentários!
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All women are bearers of great achievements and of their own stories.
On this Women's Day, we bring to mind the Remembrance and story of a woman whose life's harshness strengthened her.
We speak of Maria dos Reis.
Maria did not have an easy life. We have already told part of her story. Daughter of the Barber of Sarzedas de São Pedro, she was marked on the mouth by the bite of one of her father's medicinal leeches, an event that must have left her with physical, emotional, and even social scars.
As we said, Maria did not have an easy life.
Married to João Simões, she was the invisible hand behind a small wool business, working hard making socks in a small factory at home.
The brand she manufactured unfairly bore her husband's name — "João Simões Carril Socks," already existing in 1938, according to an article in the January 1st edition of the newspaper "O Castanheirense" — but it was Maria who actually produced the socks, along with two or three workers under her supervision, as needed.
Everything was her responsibility, from making, dyeing, washing, packaging by the half-hundred in burlap sacks, and transporting them to Lisbon by bus — done personally — where Maria delivered the socks to her husband, who only marketed them and reaped the profits and the rewards.
For all these reasons, this publication is not about João Simões, the unjustified holder of the sock brand, but about Maria dos Reis, a hardened woman who was exploited by her husband and endured a business for about 30 years.
After João Simões' death in 1959, she completely distanced herself from this craft that had worn her down. She dedicated herself to her garden and helping her children, one of whom, Albano, is also a sock maker, as we have already presented in a previous publication.