De modo diferente da generalidade das Esquadras de voo da Força Aérea, a criação da Esquadra 504 surgiu à necessidade de apoiar missões com um carácter de âmbito civil. Com a globalização, era preciso transportar, de forma digna e rápida, as mais Altas Individualidades da Nação, em representação do Estado português, para qualquer parte do mundo.
Em 1984 foram adquiridos três Falcon 20, comprados à empresa americana Federal Express.
A nível de pessoal, para formar o núcleo inicial, foram chamados 4 pilotos experientes que estavam colocados noutras esquadras de voo e 22 elementos para a manutenção, bastante qualificados, oriundos da Esquadra 501. Como normalmente acontece quando se cria algo de novo, houve uma motivação extraordinária por parte dos militares colocados na nova Esquadra. Essa motivação deu azo a uma série de iniciativas e procedimentos, que ajudaram a formar o que é hoje a Esquadra 504.
Assim, a Esquadra 504, “LINCES”, foi criada a 12 de Janeiro de 1985, na Base Aérea nº 6, no Montijo, onde está integrada no Grupo Operacional nº 61.
O número da Esquadra (504), significa que se trata de uma esquadra de transporte (5), equipada com aeronaves de asa fixa (0), sendo a quarta esquadra de transporte (4) a surgir, de acordo com a terminologia em vigor.
Devido à necessidade de uma maior autonomia e alcance a Esquadra viu a sua frota reforçada, de 1989 a 1991, por três aeronaves Falcon 50.
Por razões de ordem operacional, foi colocada a partir de 1990 em destacamento permanente no Aeródromo de Trânsito nº 1, em Lisboa, Unidade onde ainda se encontra sedeada.
MISSÃO DA ESQUADRA
A missão primária da Esquadra 504 “Linces” consiste na Execução de Operações de Transporte Aéreo Especial. Esta tipologia de missão leva a que a Esquadra esteja geralmente associada às missões de transporte aéreo de Altas Individualidades nacionais e estrangeiras, embora sejam executadas, também, outras missões de transporte aéreo menos comuns. Como o próprio nome indica, operações de transporte especial, releva o carácter diferenciado na missão de transporte, mas significa simultaneamente que as aeronaves atribuídas à Esquadra são utilizadas para operações em que os factores distância e tempo são de grande importância, por vezes vital, nas suas outras missões - os voos de evacuação sanitária e de transporte de órgãos para transplante.
A missão secundária da Esquadra é a Verificação e Calibração de Ajudas à Navegação (VCAN).
A) TRANSPORTE VIP
De uma forma geral pode-se afirmar que a missão de transporte de Altas Individualidades é, normalmente, a mais exigente, dada a enorme variedade de países escolhidos como destino. Verifica-se, com regularidade, que as tripulações voam para regiões do globo com diferentes regras de voo, para aeródromos que não têm os meios de apoio à navegação convenientes e até para zonas de conflito. Dos diferentes destinos, destacam-se alguns de maior relevância, por serem os mais distantes ou pelo seu significado simbólico:
• África: África do Sul, Angola, Cabo Verde, Guiné, Mali, Moçambique, República Centro Africana, São Tomé e Príncipe;
• América do Sul: Brasil, Colômbia, Uruguai, Venezuela;
• América Central: Cuba;
• América do Norte: EUA, Canadá;
• Europa - Islândia, Finlândia, Rússia, Ucrânia, Lituânia, Kosovo, Eslovénia;
• Médio Oriente: Líbano, Israel, Síria, Jordânia, Egipto, Iraque, Kuwait, Afeganistão, Jordânia;
• Ásia – Timor Leste, Uzbequistão, Kazaquistão, Turquemenistão, Tajiquistão, Quirgistão, Paquistão, Índia, Maldivas.
Dos passageiros transportados, destacam-se as mais Altas Individualidades do Estado Português e diferentes membros do governo, nacional e estrangeiro. Como exemplo podemos referir, a nível nacional: Presidentes da República (PR) - Presidentes da Assembleia da República (PAR) e Primeiro Ministro (PM). Também, o prémio Nobel da literatura José Saramago, D. Duarte de Bragança e o Cardeal D. Tolentino de Mendonça foram já transportados pelos Linces. A nível de entidades internacionais podemos referir: ex-Presidente da Guiné Bissau João Vieira, Ex- Sec Geral NATO Javier Solana, Ex-Sec Geral da ONU Kofi Annan, Ex-Presidente de Moçambique Joaquim Chissano, Bispo de Dili e prémio Nobel da paz D. Ximenes Belo, Ex-Presidente de Timor Leste Xanana Gusmão, Ex-Primeiro Ministro de Timor Leste e prémio Nobel da paz Ramos Horta, Secretário Geral da NATO Hoop Scheffer, Presidente de Moçambique Armando Guebuza, e Suas Majestades os Reis de Espanha Juan Carlos e Sofia.
B) EVACUAÇÕES SANITÁRIAS E TRANSPORTE DE ORGÃOS
Estas missões de inquestionável interesse público realizadas na sua maioria com a presença de médicos e enfermeiros da Força Aérea Portuguesa representam apenas no ano de 2019 um total de 40 doentes transportados.
C) VCAN
Até à criação desta capacidade por parte da FAP, a Verificação e Calibração de Ajudas-Rádio à Navegação (VCAN) era efectuada por entidades civis ou militares estrangeiras. O Falcon 20 equipado com a consola de calibração efectuava estas missões. A consola consiste basicamente num conjunto de equipamentos de alta precisão, que identificam desvios, deflexões ou outros fenómenos que possam degradar a qualidade ou precisão dos sinais emitidos pelas ajudas rádio e permite fornecer ao pessoal de manutenção, os dados necessários para a correcção imediata das anomalias detectadas.
Esta missão, não se limitava a verificações periódicas às radio-ajudas, mas sustenta uma capacidade de verificação e calibração “fora do calendário”, quando surgem situações anómalas nos equipamentos, tais como anomalias reportadas pelas tripulações, ou ainda em situações de acidente ou incidente de tráfego aéreo.
Refira-se que durante os anos em que executou esta missão, a Esquadra 504 efectuou, em média, cerca de 200 horas de voo por ano, calibrando e verificando todo o tipo de ajudas (TACAN, VOR, NDB, GCA-PAR, GCA-ASR, ILS, etc), num trabalho de grande dedicação e profissionalismo que permitiu, em contínuo, que todas as aeronaves a operar no espaço aéreo nacional, descolassem, navegassem e aterrassem de acordo com os parâmetros de segurança estabelecidos e de acordo com a legislação em vigor.
Embora, actualmente, esta missão se encontre suspensa, pois a Esquadra 504 não possui meios operacionais para executar este tipo de missão, ainda assim, a VCAN continua como missão secundária da Esquadra, deixando em aberto a possibilidade de poder voltar a ser executada pelos Linces.