19/06/2026
DA "DESOBEDIÊNCIA" À OFENSA DELIBERADA
“Nesse Templo a organização decidiu fazer uma mostra preformativa de corpos despidos, ou em vias de, fazendo do local uma espécie de casa de strip improvisada e pergunta-se, mas alguém tem alguma coisa contra corpos ou contra o strip? Nada contra, pelo contrário, tudo a favor, mas..."
O Caldas Late Night – CLN é um festival artístico / cultural que se realiza em Caldas da Rainha há cerca de 30 anos, organizado por alunos da Escola Superior de Arte e Design – ESAD. Como em tudo na vida, há eventos do CLN de que gostamos e outros de que não gostamos e é isto que em democracia nos compete aceitar com naturalidade, que há coisas que não nos agradam, mas agradam a outros. Sendo uma organização de juventude, também sabemos que se cometem exageros e quem já foi jovem sabe que era e continua a ser assim, quem nunca os cometeu, claro que é livre de mentir ou de se fazer de ingénuo. Há uma cidade inteira onde se enquadram os mais diversos eventos de toda a espécie inseridos no CLN, em locais mais ou menos adequados a cada um deles e lá aparecem no meio alguns que visam tão somente “provocar” e dentro do capítulo das "provocações" também existem as que podem eventualmente ser toleradas ainda dentro de um conceito desbragado de “liberdade”, que é preciso explicar que termina onde começa a do vizinho e as outras que são clara, declarada e intencionalmente ofensivas e essas são de todo inadmissíveis e inaceitáveis e têm de ser denunciadas e reprimidas ou mesmo proibidas, precisamente porque são insultuosas. Vamos a factos.
Na Igreja do Espírito Santo, localizada no centro histórico de Caldas da Rainha, mas podia ter sido em qualquer outra Igreja, decidiram realizar um evento denominado por “corpos” e chamaram ao local “casa dos corpos” e desde logo é necessário explicar que o sítio é um Templo, mesmo não estando em atividade, destinado a oração dos crentes, ou realizações correlacionadas e não, não é nenhuma “casa de corpos”. Nesse Templo a organização decidiu fazer uma mostra preformativa de corpos despidos, ou em vias de, fazendo do local uma espécie de casa de strip improvisada e pergunta-se, mas alguém tem alguma coisa contra corpos ou contra o strip? Nada contra, pelo contrário, tudo a favor, mas não são admissíveis provocações insultuosas, como foi o caso, tanto à “Igreja” católica no seu todo, enquanto instituição, como a cada um dos seus seguidores ou crentes, que obviamente foram desrespeitados e ofendidos, sim, aquilo foi um insulto intencional e basta ler um excerto do texto da própria organização sobre o evento, onde se escreve textualmente, “…a igreja pediu vassalagem e obediência em nome da fé, mas em nome da fé, os corpos, aqui, finalmente desobedeceram e vieram nus, vestir-se de verdades para falar, falar, falar”. Se dúvidas houvesse, eles explicam tudo, o intuito foi exatamente a “desobediência”, como lhes chamam, porque se permitiu chegar ao ponto em que a liberdade se transformou em imposição daquilo que se considera o correto. Para eles, direitos sim, deveres nem pensar e urge recolocar a sociedade nos eixos devidos.
E se até aqui falamos de juventude, vamos lá então questionar quem cedeu o Templo para este tipo de realizações totalmente desenquadradas e descabidas e que ao fazer a cedência, sabia de antemão que estava a autorizar e a ser explicitamente conivente com tudo o que lá fosse ser feito. Essas entidades não podem fazer-se fotografar em missas institucionais a uns dias da semana e serem cúmplices com este tipo de insultos à Igreja católica nos outros dias. Sabe-se que a Igreja pertence ao património do Centro Hospitalar, mas que está cedido à autarquia, que tinha a obrigação de cuidar, manter e fazer respeitar, se souber e quiser.
Artigo do Arquiteto, Rui Gonçalves