29/11/2025
BOMBARRAL terra minha
Tentando relembrar, caso tenha "pachorra" para ler... créditos Luis de Matos
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O DR. ALBERTO MARTINS DOS SANTOS
Com o fim de não ficar tragado na infernal máquina do esquecimento, relembramos aqui neste espaço "Facebookano", mais uma distinta personalidade, que, não sendo um filho do Bombarral, elevou bem alto o seu nome, cotando-se talvez, como uma das pessoas mais significantes que viveu entre nós...
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Por tudo o que abaixo transcrevemos, e, após vários anos de preocupação, é com enorme satisfação verificar que o "Challet" que esta ilustre personagem edificou e viveu, está sendo alvo de enormes obras de profunda restauração, aliviando assim o sentimento alarmante de muitos bombarralenses... (estamos a referir-nos ao edifício que está em frente ao Teatro E. Brazão).
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Alberto Martins dos Santos, nasceu em Vila de Oleiros (Beira Baixa), em 23 de Agosto 1873. Após terminado o curso na Escola Médica Cirúrgica de Lisboa, com "plena aprovação" em 1897, recusando alguns aliciantes convites, o jovem médico optou pelo lugar de Médico Municipal do Bombarral em 15 de Novembro 1897.
Inicia a sua ação como médico, numa época em que o policlínico da nossa terra e arredores, outros recursos não tinha senão o seu saber e inteligência, com os quais tinha de resolver os mais variados e complicados problemas.
Cedo se impõe como médico notável e a sua carreira triunfal ultrapassa rapidamente os limites da aldeia do Bombarral...
O seu prestigio inspira tal confiança, não havendo caso difícil ou situação ansiosa na região oeste, em que não fosse ouvida a autorizada opinião do dr. Alberto Martins.
Os seus diagnósticos clínicos começaram a causar assombro aos mestres da capital, e quando por volta de 1919, aparecem os primeiros casos de uma alarmante doença desconhecida entre nós e, portanto ainda não diagnosticada, antes mesmo que os laureados da medicina a identificassem como Encefalite Letárgica, já o grande Alberto Martins, no seu caso na Columbeira, a diagnosticava como Encefalite Sonolenta !!! ***
Poderia ter voltado para Lisboa, se o seu feitio modesto e despido de ambições o não fizesse desprezar algumas oportunidades de o fazer. O ensino médico perdeu sem dúvida um grande professor de Clínica Médica.
Foi sempre um coração bondoso, atento à generosidade, dispensando igual carinho aos favorecidos da fortuna como aos desprotegidos da sorte. No seu olhar profundo e franco, assim como no seu sorriso acariciador, havia qualquer coisa que tranquilizava e tornava confiantes todos os que a ele recorriam.
Este foi o médico que o Congresso Regional de Lisboa da Ordem dos Médicos, consagrou e o Chefe de Estado, o Presidente do Concelho, o Cardeal Patriarca, os Ministros do Interior e da Educação e os Corpos Docentes das três Faculdades de Medicina, condecoraram em 4 de Dezembro 1954.
Coube um dia depois (5 de Dezembro), ao povo do Bombarral, manifestar também ao ilustre médico todo o seu apreço e gratidão. No seu regresso de Lisboa, cerca de 3.000 pessoas esperavam o dr. Alberto junto à entrada da vila (lado da Lourinhã).
Recebido festivamente sob uma queda ininterrupta de flores com os acordes musicais das bandas, entre o estralejar de potentes morteiros, sons estridentes de sirenes, com repiques vibrantes dos sinos da Igreja Paroquial e delírio ovacional do público, o cortejo seguiu através das ruas principais da vila, cujas janelas estavam vistosamente engalanadas até aos Paços dos Concelho. No Salão Nobre usaram da palavra dezenas de oradores.
Finda a sessão solene, o homenageado apareceu à varanda principal do edifício dos Paços do Concelho saudando a imensa multidão que se comprimia no Largo do Município.
À noite realizou-se no Teatro Eduardo Brazão, um interessante sarau de arte desempenhado por artistas da capital.
Esta foi sem dúvida uma das maiores (senão a maior) manifestação pública realizada no Bombarral.
Nota: estratos de texto do jornal " Ecos do Bombarral" edição de 25-12-1954
Luis Matos
•••Uma epidemia de encefalite letárgica espalhou se pelo mundo entre 1915 e 1926, principalmente na Europa e na América do Norte[3]; cerca de 1 milhão de pessoas foram afetadas, e a metade delas morreu.[4] Desde então, foram registrados somente casos isolados da doença. A causa exata da doença, bem como a origem da epidemia de 1915, permanecem desconhecidos.