25/04/2021
Intervenção do grupo municipal do MIB nas comemorações do 25 de Abril de 2016 promovidas pelo Município de Barcelos.
O movimento militar que desencadeou a revolução de Abril que hoje celebrámos, teve um papel fundamental para a implementação de um regime democrático e pluralista em Portugal. Não fosse a coragem do cabo Costa, ao desrespeitar a ordem do segundo-comandante da Região Militar de Lisboa, uma revolução que registou quatro mortes civis, teria acontecido com um banho de sangue e, quem sabe, teria sido o rastilho para um confronto militar com proporções inimagináveis.
O cabo Costa foi durante trinta e nove anos um cidadão comum, anónimo!
Tal como o cabo Costa, antes e depois do 25 de Abril de 1974, um considerável número de cidadãos anónimos, tiveram um papel fundamental na Revolução.
Prestámos aqui hoje a nossa homenagem a todos os homens e mulheres que lutaram para que hoje estivéssemos aqui a comemorar esta data.
São todos aqueles que levaram umas surras do Pai porque tinham e liam livros proibidos, pintavam paredes e colavam cartazes pela calada da noite, participavam em reuniões de esclarecimento e informavam os menos interessados, que foram presos, interrogados e torturados.
Hoje, esses cidadãos, os cabos costa deste país, sem dúvida que se encontram num País diferente de há 42 anos atrás, numa sociedade que se transformou positivamente e evoluiu. No entanto, esses cidadãos, os que nos deram Abril, são os mesmos que:
- Sobrevivem, com as parcas reformas que têm, num País e numa Europa onde a desigualdade continua a aumentar. Onde o fosso entre ricos e pobres não para de aumentar. Onde a pobreza nos meios rurais e no interior continua a aumentar e contrasta com o litoral e os meios urbanos.
- Constatam que alguns, aqueles que coabitam e giram em torno do poder, ao mesmo tempo que legislam, são consultores na criação de “offshores” para fugirem ao pagamento de impostos e medeiam negócios com o estado;
- Vêm os seus filhos adiar indefinidamente a constituição de família porque, apesar de terem elevados níveis de escolaridade, o único trabalho que conseguem é precário, com contrato de três ou seis meses;
- Não imaginavam que os netos, que são o elixir da terceira idade, iam ser filhos de emigrantes e estão lá longe onde a saudade aperta todos os dias. Será que vão voltar?
Caras senhoras e caros senhores,
O Portugal dos nossos dias tem uma democracia madura, as últimas eleições legislativas e o processo de formação do atual governo são um testemunho indesmentível do grau de desenvolvimento do Portugal democrático. Estamos num pais com enorme potencial, lamentavelmente, continua dominado, controlado por grupos constituídos formal ou informalmente e que são servidos por um bloco central onde estão concentrados todos os interesses que limitam a construção de um País de e para os cidadãos.
Mas hoje, mais do que no passado, pela base de apoio parlamentar que sustenta o atual governo, temos as condições ideais para definitivamente rompermos com a influência desmesurada destes grupos na sociedade, na política e na economia Portuguesa.
Hoje, mais do que ontem, a esquerda, em particular o Bloco de Esquerda e o P.C.P. têm a oportunidade e a responsabilidade de renovar a esperança dos Portugueses. Do CDS, PS e PSD já todos sabemos com o que podemos contar e não foi suficiente.
Por isso, B.E. e P.C.P. têm a possibilidade e a responsabilidade de influenciar a transformação da sociedade Portuguesa e acabar com o sistema dominante onde, alguns, servindo-se do poder tentam dominar e controlar tudo e outros resignam-se ao trabalho e á sobrevivência.
Hoje, mais do que nunca, a coragem do cabo Costa deve servir de inspiração para quem alimenta a esperança em construir uma sociedade e um País mais justo.
Viva Portugal!
25 de Abril de 2016.l